A mobilidade do futuro
Veículos mais tecnológicos e conectados exigem uma evolução dos seguros
A mobilidade passa por uma das maiores mudanças da história. A convergência entre conectividade, inteligência artificial, eletrificação e novos modelos de serviços está redefinindo conceitos, projeções e perspectivas. Na União Europeia, em dezembro de 2025, as vendas de elétricos a bateria superaram as de carros a gasolina pela primeira vez. Globalmente, foram 20,7 milhões de elétricos vendidos, o que representa alta de 20% sobre o ano anterior, segundo dados da Benchmark Mineral Intelligence. Paralelamente, uma pesquisa da McKinsey estima que, até 2030, mais de 90% dos veículos novos vendidos no mundo estejam conectados. Veículos autônomos já circulam nas estradas europeias e em grandes cidades dos EUA.
O mercado de seguros evolui junto. À medida que a indústria automotiva se torna mais conectada e orientada por tecnologias avançadas, cresce a demanda por soluções securitárias mais sofisticadas e personalizadas, contribuindo para uma mobilidade segura, eficaz e acessível para o sistema automotivo como um todo. Durante mais de um século, o centro do risco estava no motorista, em um modelo simples: um condutor, um veículo, uma responsabilidade. Esse padrão não funciona mais para o tipo de mobilidade que está sendo construída. Quando o veículo conectado transmite centenas de parâmetros em tempo real, o equipamento agrícola mapeia o campo por hectare e o caminhão conhece sua própria rota melhor do que qualquer sistema externo, a seguradora que interpreta os dados assume uma nova posição e passa a ser uma gestora de risco em tempo real. Existem centros técnicos dedicados exclusivamente a entender como os veículos se comportam no mundo real. Eles averiguam acidentes em escala global, cruzam dados de tecnologia com informações de perdas e convertem esse conhecimento em inteligência para o setor securitário. Pesquisas globais projetam queda de 20% nos acidentes de trânsito na Europa até 2035, chegando a mais de 50% a partir de 2060, conforme os veículos com mais tecnologia de segurança forem ganhando escala.
“A seguradora passa a ser uma gestora de risco em tempo real”
Análises da Allianz indicam que sistemas de frenagem automática de emergência já reduzem significativamente a frequência de determinados acidentes; no caso de colisões traseiras, estudos apontam redução média de 30%, enquanto sistemas de frenagem em manobras de ré podem reduzir acidentes em até 66%. O risco passa a ser algo que pode ser gerenciado. Logo, o modelo de seguro precisa ser construído sobre bases novas. Os princípios de interconexão, adaptabilidade e inovação nortearão os próximos passos. O consumidor que coloca o filho em um veículo com piloto automático, o frotista que conecta 100 caminhões a uma plataforma, o produtor que opera um equipamento de 2 milhões de reais a distância precisam confiar na estabilidade do sistema e na disponibilidade de suporte caso ocorram falhas. O desafio do mercado de seguros é conseguir transformar essa complexidade em confiança e segurabilidade. E quem fizer isso certamente estará à frente.
Eduard Folch é presidente da Allianz Brasil
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Publicado em VEJA, setembro de 2026, edição VEJA Negócios nº 30







