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A meia greve contra a meia reforma

Discurso é de defesa dos direitos dos trabalhadores, mas protestos são, em boa medida, reação à perda de privilégios de camadas de maior poder de pressão

Por Da redação Atualizado em 28 abr 2017, 20h00 - Publicado em 28 abr 2017, 19h56

Unidas por uma legião de interesses diversos, as centrais sindicais prometiam parar o país nesta sexta-feira, convocando uma greve geral contra as reformas econômicas. Não foi o que aconteceu. O movimento se alastrou por todas as capitais, mas teve uma adesão modesta, com a paralisação de algumas categorias. Foi uma greve pela metade, contra reformas que também correm o risco de ficar no meio do caminho. No caso da reforma da Previdência, a economia esperada já caiu quase pela metade, com a manutenção de alguns privilégios.

VEJA desta semana trata das mudanças propostas pelo governo e dos interesses que estão em jogo. Se a reforma trabalhista for aprovada como está, chegará ao fim a contribuição sindical obrigatória, cuja arrecadação anual gira ao redor de 4 bilhões de reais. Tamanho dinheiro fácil incentivou a proliferação de sindicatos pelo país: já são 17 000. Se a reforma da Previdência também for adiante como o previsto, chegarão ao fim as regalias que fazem com que as aposentadorias dos servidores públicos superem (em muito) as do setor privado. Ou seja, há grupos de alta influência no Congresso descontentes com o que está por vir.

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