“A força da mulher é incrível”, diz Paula Harraca, CEO da Ânima Educação
Executiva relembra os desafios de ser a única mulher em um galpão com 400 homens e fala sobre liderança, coragem e o legado que deseja deixar na educação
A CEO da Ânima Educação, Paula Harraca, conquistou um espaço importante no mercado corporativo. Como mulher, o caminho foi duas vezes mais difícil, mas Paula nunca desistiu de seguir aquilo que acreditava ser o certo a fazer.
Nascida em Rosário, na Argentina, e filha de uma professora, a executiva cresceu em um ambiente onde o incentivo ao estudo e o exemplo de perseverança feminina estavam sempre presentes. Paula cursou administração em uma escola de negócios da cidade, mas, como a faculdade era particular, precisou solicitar uma bolsa e passou a pagar apenas metade da mensalidade. No meio do curso, no entanto, já não conseguia arcar nem com esse valor. Foi então que procurou o decano da instituição, que permitiu que ela quitasse a dívida depois de concluir os estudos. Sete anos mais tarde, já trabalhando, Paula voltou para cumprir o acordo.
Em 2003, a executiva ingressou como trainee na ArcelorMittal, onde construiu os primeiros passos de uma trajetória que se tornaria referência no setor. Em entrevista à Veja, Paula relembrou que, quando começou a trabalhar na companhia, ficava em um galpão com cerca de 400 pessoas, e era a única mulher no local, aos 22 anos. “Naquela época nem se falava em diversidade ou inclusão. Eu usava um uniforme que era exatamente o mesmo para homens e mulheres. Ficava um negócio horroroso, apertado, nada pensado para o corpo feminino. Eu me sentia um ‘playmobil’”, conta.
A carreira seguiu avançando, sempre enfrentando obstáculos, muitos deles ligados ao fato de atuar em um setor historicamente dominado por homens, como o da indústria do aço. Em 2021, Paula chegou ao cargo de diretora-chefe da companhia e já era cotada para assumir a posição de CEO quando percebeu que, apesar das conquistas, algo já não fazia mais sentido. “Eu já não era mais feliz. Sentia que a minha potência não passava mais por aquele lugar e que o que a empresa precisava para o futuro não era aquilo que eu tinha para oferecer naquele momento. Então resolvi renunciar”, conta.
O convite para assumir a presidência da Ânima veio por meio de Daniel Faccini Castanho, cofundador da companhia e 2024 Paula assumiu o cargo. Assim teve início um novo capítulo em sua trajetória profissional. Ao falar sobre a presença feminina no mercado de trabalho, Paula acredita que as mulheres costumam trazer características importantes para a liderança, como empatia e cuidado com as pessoas. “Eu sou mãe também e vejo como esse cuidar, esse querer que o outro esteja bem, é muito natural em nós, mulheres. A mulher se preocupa com os vínculos, com as sutilezas, com o emocional das pessoas, com a saúde do colaborador e com o cuidado de forma mais ampla”, afirma.
Ao refletir sobre o impacto de sua trajetória na liderança da Ânima, Paula destaca que seu principal objetivo é contribuir para fortalecer o papel transformador da educação na sociedade. “Se eu pudesse deixar um legado, seria reforçar que a educação é o mais importante de tudo. É ela que transforma a sociedade. A educação é o início de tudo e é uma responsabilidade coletiva”, afirma. Para a executiva, reconhecer o valor de quem atua na formação das novas gerações também é fundamental. “O dia em que professores e professoras forem vistos como os verdadeiros heróis da sociedade, a gente vai ter dado um grande passo.”
Para as mulheres que aspiram alcançar posições de liderança, Paula deixa um conselho: confiar na própria trajetória e não limitar os próprios sonhos. Segundo ela, a ousadia de imaginar novos caminhos é o primeiro passo para construir uma carreira sólida. “Nunca subestime a sua força. A força da mulher é incrível. A primeira ousadia é sonhar”, afirma, ressaltando que conquistas profissionais são resultado de um processo contínuo de aprendizado e persistência ao longo do tempo.





