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A fábrica “escravocrata” de Elon Musk

Reclamações de discriminação racial estão vindo à tona após a vitória de um ex-funcionário nos tribunais; Tesla terá de pagar 137 milhões de dólares

Por Luana Meneghetti Atualizado em 27 jan 2022, 13h32 - Publicado em 27 jan 2022, 12h14

Casos de discriminação racial ocorridos dentro da Tesla, empresa de veículos elétricos do bilionário Elon Musk, estão vindo à tona com as recentes vitórias do advogado americano Larry Organ. Recentemente, a Tesla perdeu um processo movido pelo advogado e foi obrigada a pagar uma indenização de 137 milhões de dólares – o maior valor para casos de discriminação racial na história dos Estados Unidos – para o ex-funcionário Owen Diaz.

O primeiro caso do advogado contra Tesla foi aberto em março de 2017. Na ocasião, o reclamante era DeWitt Lambert, ex-funcionário da linha de produção. De acordo com o processo de Lambert, palavras racistas eram frequentemente usadas por superiores e colegas de trabalho brancos. Os dizeres em questão se referem a expressão “nigger”, insulto racial de origem escravocrata. O caso foi a julgamento em março de 2019, mas o juiz de arbitragem não reconheceu as alegações de assédio racial “porque Lambert havia usado uma variação da palavra com amigos negros”, segundo reportagem da Bloomberg que conta as batalhas de Organ contra a empresa nos tribunais.

Após o caso, outras centenas de reclamações foram parar nas mãos do advogado. “Muitos alegam que colegas e supervisores usam rotineiramente insultos raciais e que as queixas aos recursos humanos em grande parte não são respondidas”, diz a reportagem. Porém, um dos maiores desafios do advogado são os contratos de acordos de arbitragem que os funcionários assinam quando são contratados pela Tesla. Na arbitragem, os casos não são examinados pela Justiça, eles são julgados por árbitros. É um instrumento mais barato e menos burocrático que os processos que correm na Justiça, e é bastante conhecido pela confidencialidade, quando as empresas não desejam divulgar dados e informações para o público em geral. Segundo a reportagem, investidores estão pressionando a Tesla a rever o uso de arbitragem para casos de discriminação e assédio, mas “até agora, a montadora não cedeu.”

Por causa desse instrumento, raras vezes a Tesla perdeu algum processo. A vitória do ex-funcionário Melvin Berry é uma rara exceção. O caso de Berry foi julgado por uma câmara arbitral com as mesmas alegações de DeWitt Lambert, mas diferentemente de Lambert, Berry venceu a disputa e recebeu uma indenização de 1 milhão de dólares.

Nos tribunais, a história é diferente. No caso recente do ex-funcionário Owen Diaz, o trabalhador era terceirizado e, por isso, não possuía no seu contrato cláusula de arbitragem com a Tesla. O caso foi julgado no tribunal federal de São Francisco. A montadora perdeu o processo e deve pagar 137 milhões de dólares de indenização. A Tesla está contestando a decisão e o valor indenizatório. Após o caso de Diaz, o advogado agora está trabalhando em uma ação coletiva contra a Tesla. Organ já conversou com mais de 900 funcionários que não assinaram acordos de arbitragem com a Tesla. O advogado descreve a Tesla como “viveiro de racismo” e diz que a sua planta de produção na Califórnia parece mais uma “plantation”, as antigas fazendas escravocratas do sul dos Estados Unidos.

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