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A eleição no Japão pode reduzir o fluxo de capital no Brasil?

Vitória histórica em Tóquio de Sanae Takaichi mexe com o fluxo de dólares e aumenta a pressão sobre emergentes

Por Veruska Costa Donato 9 fev 2026, 12h16 •
  • Sanae Takaichi entrou para a história como a primeira mulher a comandar o Japão, após a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições urgentes. Mas, como quase tudo no mundo econômico, o efeito não para nas fronteiras japonesas. O mercado já começa a fazer contas — e o Brasil aparece nessa equação. A ascensão de Takaichi reacendeu o debate sobre a enorme dívida pública japonesa e levantou dúvidas sobre como bancar promessas populares, como o corte de 8% nos impostos sobre alimentos, sem comprometer o caixa do governo.

    A repercussão

    Curiosamente, mesmo com esse ruído fiscal, a primeira reação foi positiva nas bolsas asiáticas com alta nos índices. Para o economista João Vítor Stüssi, CIO da Itaim SA, esse movimento mostra uma mudança importante de rota. “Quando você vê os índices do mercado de renda variável do Japão dando sinais positivos, é porque a gente tem a capacidade de injetar esse dinheiro que antes estava sendo direcionado para economias emergentes na economia real japonesa”, explicou. Em outras palavras: o dinheiro começa a ficar em casa.

    Brasil entra na conversa

    E é aí que o Brasil entra na conversa. Durante anos, investidores globais usaram o chamado carry trade: tomavam dinheiro barato no Japão e aplicavam em países de juros altos, como o Brasil. “Ele capta lá meio por cento e empresta aqui no Brasil a 12% ao ano”, resumiu Stüssi. Só que esse mecanismo dependia de previsibilidade — fiscal e monetária. Com o Japão sinalizando juros mais altos, no maior nível em 30 anos, a conta já não fecha como antes.

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    Menos Dólares

    O efeito prático é um só: menos dólares circulando por aqui. “Deixa de ser interessante você tomar dinheiro no Japão e mandar para o Brasil para investir”, afirmou o economista. O investidor passa a enxergar mais valor em empresas japonesas, reduz o apetite por risco e puxa recursos de volta. Para o Brasil, isso significa mais pressão no câmbio, mais volatilidade nos ativos e um mercado financeiro mais sensível a qualquer sinal de desorganização fiscal.

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    Dinheiro mais seletivo

    No pano de fundo, há ainda a geopolítica. Segundo Stüssi, o mundo vive um cenário de menor previsibilidade, sem uma liderança global clara. “Os países começam a se movimentar para fortalecer suas indústrias internas”, disse, citando desde cadeias de suprimentos até a indústria bélica. O Japão parece seguir esse caminho — e o Brasil, mais uma vez, precisa convencer o investidor de que vale a pena ficar. Em um ano já descrito como “desafiador para o fluxo de capitais”, a eleição em Tóquio serve de alerta: o mundo mudou, e o dinheiro está cada vez mais seletivo.

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