A agenda de gestão da Reforma Tributária
Como as empresas podem se adaptar às mudanças que estão acontecendo nestes primeiros meses de implementação
O processo de implementação da Reforma Tributária do Consumo deverá acabar em 2033, mas a transição já teve início. O ano de 2026 é dedicado a testar dois novos impostos, a CBS na esfera federal, que se inicia com alíquota de 0,9%, e o IBS nas esferas estadual e municipal, com à alíquota de 0,1%, que, desde já, precisam ser incluídos nas notas fiscais eletrônicas das empresas inscritas no regime regular. Enquanto isso, para 2027 espera-se a instituição do Imposto Seletivo.
Assim tem início a consolidação do novo modelo, baseado na substituição de tributos como ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI por um modelo baseado em IVA Dual (CBS e IBS). Como aponta Fernando Gonçalves, superintendente de pesquisa macroeconômica do Itaú, a implementação gradual oferece às empresas a oportunidade de se preparar de forma estruturada. “No entanto, a convivência entre regras atuais e futuras aumenta a complexidade operacional e reforça a importância do planejamento antecipado”, alerta ele.
O Itaú acompanha de perto esse momento e apoia a gestão das empresas na adaptação – que vai muito além da esfera tributária. Afinal, a reforma tem potencial para influenciar decisões de precificação e pode demandar a revisão de contratos comerciais, para refletir adequadamente a nova dinâmica tributária e a distribuição de responsabilidades entre as partes.
“No sistema atual, muitas organizações administram um descasamento temporal entre o recebimento das receitas e o recolhimento dos tributos. A reforma poderá alterar a dinâmica financeira de determinados negócios”, diz Gonçalves. “Isso exigirá maior atenção ao capital de giro, ao planejamento de liquidez e à integração entre as áreas tributária, financeira e de tesouraria”.
Para acompanhar este momento, o primeiro passo é compreender os potenciais impactos da reforma sobre os negócios. A partir desse diagnóstico, as empresas podem definir prioridades, cronogramas e mecanismos de acompanhamento compatíveis com sua realidade operacional.
A adequação dos sistemas de gestão, faturamento, contabilidade e controles fiscais será fundamental. Como aponta o superintendente, as companhias precisam fortalecer sua governança interna, com definição clara de responsabilidades, acompanhamento contínuo da implementação e capacitação das equipes envolvidas. “As empresas que tratarem a reforma tributária como uma agenda estratégica de adaptação, e não apenas como um tema de compliance, estarão mais bem posicionadas para conduzir a transição com eficiência, mitigar riscos operacionais e capturar os benefícios associados”.







