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400 milhões de barris: o plano global para evitar um novo choque do petróleo

Medida coordenada pela Agência Internacional de Energia é a maior da história e tenta compensar o bloqueio do estreito de Ormuz

Por Ernesto Neves 11 mar 2026, 14h28 • Atualizado em 11 mar 2026, 14h45
  • A escalada da guerra no Oriente Médio levou governos das principais economias do planeta a recorrerem a um mecanismo raro de emergência: liberar petróleo de reservas estratégicas para tentar estabilizar o mercado global de energia.

    A decisão foi anunciada nesta quarta-feira pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), que coordena políticas energéticas entre países industrializados. Os 32 membros da entidade concordaram em colocar 400 milhões de barris de petróleo no mercado, no maior uso dessas reservas desde a criação do sistema nos anos 1970.

    O objetivo é frear a forte alta do petróleo provocada pela guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que interrompeu o tráfego de navios no Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico. Cerca de 20% a 25% de todo o petróleo transportado por mar no mundo passa por esse corredor, equivalente a aproximadamente 20 milhões de barris por dia.

    Com o fluxo quase paralisado, os preços do petróleo dispararam. No início da semana, o barril chegou perto de US$ 120 em Londres, alimentando temores de um choque energético global semelhante ao visto após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

    Segundo o diretor-executivo da IEA, Fatih Birol, a decisão reflete a gravidade da situação. Ele afirmou que os desafios atuais do mercado de petróleo são “sem precedentes em escala” e exigem uma resposta coletiva para evitar uma crise maior.

    Como funcionam as reservas estratégicas

    As reservas estratégicas de petróleo surgiram após o choque do petróleo de 1973, quando países produtores do Oriente Médio reduziram exportações e provocaram uma crise global de abastecimento.

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    Hoje, os países membros da IEA são obrigados a manter estoques equivalentes a pelo menos 90 dias de importações líquidas de petróleo, armazenados em cavernas subterrâneas, tanques industriais ou estoques comerciais sob supervisão estatal.

    Somadas, essas reservas chegam a cerca de 1,2 bilhão de barris, além de outros 600 milhões mantidos pela indústria sob obrigação governamental.

    A liberação anunciada agora representa cerca de um terço do estoque público disponível e supera o recorde anterior, quando cerca de 183 milhões de barris foram liberados em 2022 para conter o impacto da guerra na Ucrânia.

    Quem vai liberar petróleo

    A participação será distribuída entre vários países. Até agora, alguns já anunciaram suas contribuições:

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    Japão: cerca de 80 milhões de barris
    Reino Unido: 13 milhões
    Alemanha: cerca de 19 milhões
    França: até 14 milhões
    Coreia do Sul: cerca de 22 milhões

    Os Estados Unidos devem responder pela maior parcela, já que possuem a maior reserva estratégica do mundo, com cerca de 415 milhões de barris armazenados em cavernas subterrâneas na costa do Golfo do México.

    Alívio temporário para o mercado

    Apesar do volume expressivo, analistas alertam que a medida pode apenas ganhar tempo, sem resolver totalmente o problema.

    Estimativas de bancos e consultorias indicam que o bloqueio do estreito de Ormuz pode estar retirando entre 11 milhões e 16 milhões de barris por dia do mercado global, um choque de oferta difícil de compensar apenas com estoques emergenciais.

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    Além disso, mesmo após a decisão política, o petróleo das reservas não chega imediatamente ao mercado. Nos Estados Unidos, por exemplo, pode levar cerca de duas semanas entre a decisão e a chegada efetiva do petróleo aos compradores.

    O que realmente pode estabilizar o petróleo

    Para especialistas e governos, a solução duradoura depende menos das reservas e mais da segurança marítima no Golfo Pérsico.

    O fator decisivo para a estabilidade do mercado continua sendo a reabertura do trânsito no estreito de Ormuz. Sem isso, grande parte da produção de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque permanece sem rota de exportação.

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