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VEJANOMICS Por Guto Ferreira Notícias sobre economia, finanças e negócios, em texto e vídeo

O Brasil e o desafio de mais uma década econômica perdida

O clima não é bom, mas há esperança. E ele reside na capacidade do brasileiro em trabalhar e encontrar saídas para os piores momentos do país.

Por Guto Ferreira Atualizado em 9 abr 2022, 09h53 - Publicado em 9 abr 2022, 09h27

Os números da inflação de março não nos deixam sonhar. A realidade é que a inflação permanece descontrolada e o governo perdeu completamente qualquer bússola de racionalidade. Não há um plano nem A nem Z. Sobrou mais uma vez para o brasileiro resolver. Ou sobreviver.

O IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de março teve a maior alta para o mês desde antes do Plano Real, em meados de 1994, inflação de 1,62%. Uma tragédia em se tratando de cenários econômicos. A inflação permanece acima de 11% nos últimos 12 meses. Mas quais são os vilões? Neste mês, claramente temos combustíveis e alimentos puxando a esta alta, representando 72% deste número do mês de março.

Os combustíveis vêm em uma escalada internacional. A Petrobras, faz o repasse integral deste aumento na refinaria porque precisa, como empresa privada, manter uma política de preços global. É o certo? É o errado? Cada um terá uma posição sobre o tema. Fato é que o preço está atrelado ao mercado em dólar e isso, quando repassado para o consumidor final, que ganha em real e tem uma moeda desvalorizadíssima atualmente, faz com que o brasileiro tenha um poder de compra menor deste item. Ressalte-se que as altas de combustível não prejudica só quem usa seu carro para passear ou trabalhar. Prejudica demais o setor logístico no país. O transporte de quase tudo para o consumidor final é feito pela malha viária. Todos são prejudicados. Caminhoneiros, donos de empresas, todos.

No campo dos alimentos, a cenoura e o tomate puxaram a alta, mas para quem vai ao mercado, a verdade é cruel. Tudo está mais caro. E não é pouco. O custo de produção no Brasil, desde o plantio até a colheita tem estado mais alto. Mesmo com o aumento do uso intensivo de tecnologia, o que em tese deveria aumentar a produtividade e diminuir custos, o Brasil, ou o governo, insiste em colocar uma pedra no pé do empreendedor brasileiro. Desde o aumento do preço de insumos até mesmo a alta da energia elétrica para bandeira vermelha, prejudica muito a composição deste preço final. Se o homem do campo ja vive mal (e não estou falando dos grandes fazendeiros não. Estes tem mais “gordura”para queimar), imagine agora.

Mas você vai dizer: “Guto, eu li ou ouvi que a energia vai ficar mais barata 20%”. Sim, é verdade, que no ano passado ela aumentou 50%. Logo você ainda paga um aumento de 30% na sua energia e que também permanece impulsionando o aumento nos custos de produção.

Então o que pode salvar o país? Não é o ideal. Nunca foi. Mas em tempos de crise o brasileiro costuma encontrar saídas para enfrentar a crise. É triste? É. É justo? Não. Mas é a realidade. Seja fazendo dois turnos, trabalhando em dois lugares (quando se consegue um trabalho ou emprego) ou mesmo empreendendo para ter um negócio adicional, ainda que caseiro, o brasileiro busca o empreendedorismo por necessidade neste momento. Não se iludam. Será uma década dura. O governo não fez sua lição de casa. O congresso não fez as reformas estruturantes que deveria ter feito. A equipe econômica de Bolsonaro nunca se preocupou com a base da pirâmide. Parece até que odeiam o pobre e a classe média. É um fato.

Só que quem consome e quem gera emprego e renda neste país, na casa acima dos 70% são as micro, pequenas e médias empresas. Precisamos de um novo rumo. Mais do que nunca o empreendedorismo deve ser incentivado e o mercado real precisa ser olhado com carinho. Precisamos inaugurar uma nova era. Precisamos entrar em um ciclo planejado de crescimento estruturado. Sem isso será sempre a loucura e a memória de que podemos voltar a ser o Brasil de Sarney.

Ao longo deste mês de abril escreverei mais sobre pontos que podem nos levar a este novo ciclo. Mas serão anos difíceis. Planeje-se.

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