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Por Renata Firpo
Grandes negócios e tendências do mercado imobiliário. Renata Firpo é publicitária, consultora imobiliária e advogada pós-graduada em Direito imobiliário
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A vida como ela é nos prédios tortos da orla da cidade de Santos

Edifícios nessas condições não oferecem risco de segurança, mas valem 40% menos do que outros endereços nos mesmos bairros

Por Renata Firpo
Atualizado em 9 Maio 2024, 19h58 - Publicado em 21 nov 2023, 08h47

O município de Santos, no litoral paulista, ganhou fama nacional e internacional por ser a cidade do time de Pelé. Outra importante referência local é o porto, o maior da América Latina. Santos é também muito conhecida por um fato pitoresco: os prédios tortos que estão na orla desde a década de 60, algo que não passa despercebido por nenhum turista. Em um levantamento recente foram identificados nada menos que 319 edifícios fora do prumo, dos quais 65 estão frente ao mar, em uma das regiões mais valorizadas da cidade.

Esse fenômeno aconteceu por causa do tipo de terreno onde foram fincadas as construções. Na época em que foram erguidas essas obras, não havia tecnologia disponível para contornar o problema por meio de fundações diretas, que conseguem efetuar a escavação até chegar à parte de pedra no subsolo que é mais firme.

Apesar da imagem dos prédios ser bem intrigante, a prefeitura santista garante que as condições atuais deles não indicam comprometimento das seguranças estruturais, ou seja, nenhum prédio que está inclinado apresenta risco de queda. Os edifícios estreitos e altos demandam mais atenção, pois inclinam com mais facilidade. Por isso, as autoridades locais exigem um laudo dos endereços a cada dois anos para atestar sua segurança e também acompanhar se houve evolução da inclinação de cada prédio. A questão é tão importante para a cidade que existe um Programa dos Prédios Inclinados de Santos que faz todo o acompanhamento dos problema e avalia a necessidade de obras de reparos ou manutenção.

Mesmo sem o risco de queda, morar nesses prédios não é fácil. Que o digam os proprietários das unidades, gente que jamais poderia imaginar a encrenca que estava se metendo ao se mudar para lá. São aproximadamente 2800 apartamentos que vivem essa realidade, alguns deles com inclinação superior a 1 metro. O dia a dia é complicado, com problemas variados. Portas e janelas precisam de travas. Mesas e armários só param no lugar com ajuda de calços para ajudar na estabilização. Alguns móveis precisam ser construídos sob medida.

Existem soluções técnicas para resolver o problema de inclinação, mas a responsabilidade pela contratação da empresa que vai operar essa mudança é do condomínio. O município tem a função apenas de fiscalizar. Em 2000, pela primeira vez foi utilizada uma técnica de reprumo de um desses edifícios. A operação consistiu na transferência de carga dos pilares para estacas mais profundas por meio de macacos hidráulicos. O prédio que sofreu essa recuperação na ocasião foi o Nuncio Malzoni, construído no final dos anos 60 com 17 andares. Como curiosidade, o prédio possuía 4% de inclinação, metade da inclinação da famosa Torre de Piza, na Italia.

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Apesar de possível, como é uma decisão do condomínio, cada apartamento deve pagar pela operação de engenharia. No caso do edifício Nuncio Malzoni, o valor total da obra foi de aproximadamente R$ 1.5 milhão, ou seja, cada condômino arcou com quase cem mil reais para poder morar em um prédio reto e regular. Mas nem todos os residentes dos outros prédios tortos têm a mesma condição de arcar com essa despesa extra. Por causa da conta salgada, muitos edifícios acabam postergando a obra.

Para quem não suporta morar em um endereço nessas condições, há sempre a opção de vender o imóvel. Ocorre que essa é uma tarefa bem complicada. Segundo o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI) da Baixada Santista, o metro quadrado de um apartamento em um prédio torto na orla da cidade chega a ser 40% menor que um apartamento “normal” na mesma localização. Mesmo oferecendo o imóvel com valores mais baixos no mercado, ainda assim é difícil vender um apartamento em um prédio inclinado, pois as pessoas custam a acreditar na segurança de morar em um local assim.

 

 

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