Como uso de medicamentos psiquiátricos faz disparar passivos nas empresas
Pesquisa realizada pela consultoria Robert Half mostrou que 52% dos líderes e 59% dos liderados recorrem a esse tipo de tratamento
O salto no consumo de medicamentos para lidar com estresse, ansiedade e burnout entre profissionais brasileiros em 2025 acende um alerta para as empresas. Pesquisa realizada pela The School of Life e pela consultoria Robert Half mostrou que 52% dos líderes e 59% dos liderados recorrem a esse tipo de tratamento neste ano – em 2024, eram 18% e 21%, respectivamente.
Para o advogado Sérgio Pelcerman, sócio da área trabalhista do escritório Almeida Prado & Hoffmann, o cenário indica que as corporações precisam encarar a saúde mental como um risco ocupacional jurídico, além de humano. “A Constituição determina a redução dos riscos inerentes ao trabalho e a CLT obriga o empregador a cumprir normas de saúde e segurança. Esse conjunto deve ser lido de forma ampla, incluindo a saúde mental como direito fundamental do trabalhador. Ignorar esse dever pode gerar passivos trabalhistas e previdenciários, além de comprometer a reputação institucional”, afirma.
O advogado lembra que o burnout foi incluído pela OMS na CID-11 QD85 e já é reconhecido pelo INSS como doença ocupacional, o que amplia a responsabilidade das empresas diante de quadros de adoecimento psíquico. “Embora a decisão de medicar-se seja individual, quando o fenômeno se repete em larga escala, revela que existem fatores organizacionais nocivos. Se comprovado o nexo causal entre o adoecimento e as condições laborais, a empresa pode ser responsabilizada por danos morais e materiais, além de estabilidade acidentária a ser avaliada”, explica.
Os fatos que mexem no bolso são o destaque da análise do VEJA Mercado:





