A semana começa com uma reviravolta no comércio internacional, mas ninguém no mercado está abrindo champanhe. Economistas e especialistas ouvidos pelo programa Mercado são unânimes: o momento ainda é de incertezas e os próximos dias serão essenciais para entender o tamanho real do impacto. A Suprema Corte dos Estados Unidos decretou o fim das tarifas, e o governo americano anunciou que a medida passa a valer a partir de amanhã. Os países ganharam uma sobretaxa provisória de 15% anunciada por Donald Trump no sábado, válida por 150 dias e aplicada a todos os países. Ou seja: muda, mas não resolve tudo.
Um estudo da Global Trade Alert mostra que Brasil e China estão entre os mais beneficiados pelas mudanças. O Brasil terá a maior redução, com queda de 13,6 pontos percentuais nas tarifas, enquanto a China veria um recuo de 7,1 pontos. É um alívio importante para exportadores e para setores que vinham sentindo o peso das restrições. Ainda assim, a leitura é de cautela: há um período de ajustes pela frente, com empresas recalculando custos, contratos e rotas comerciais.
No front doméstico, a agenda é cheia e pode mexer com expectativas. O Banco Central divulga dados de transações correntes e investimento direto no país, que ajudam a medir como anda o fluxo de dinheiro entre o Brasil e o resto do mundo — do comércio de bens e serviços aos investimentos produtivos. Também saem o IPCA-15 do IBGE, prévia da inflação oficial, e o Caged, com os números de empregos formais. Para completar, a Aneel define a bandeira tarifária de março. Por enquanto, segue verde — um respiro na conta de luz e um alívio para a inflação. Mas, como repetem os especialistas, é semana de ajuste fino. E comemoração, por ora, ainda não entrou na pauta.





