ASSINE VEJA NEGÓCIOS
Imagem Blog

Radar Econômico

Por Pedro Gil Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças

Os próximos passos do GPA após recuperação extrajudicial, segundo o CEO

Em entrevista à coluna, executivo comenta planos da empresa após recuperação extrajudicial

Por Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 mar 2026, 16h42 • Atualizado em 10 mar 2026, 18h32
  • A recuperação extrajudicial da dívida de 4,5 bilhões de reais do Grupo Pão de Açúcar (GPA) auxilia a companhia na manutenção do funcionamento das lojas e na boa relação com os fornecedores, disse o CEO da companhia, Alexandre Santoro, em entrevista à coluna nesta terça-feira, 10. Mais cedo, o GPA comunicou o mercado sobre um acordo com credores para suspender por 90 dias as cobranças de 4,5 bilhões de reais em dívidas da empresa perante o setor financeiro.

    A empresa enfrenta uma fase difícil e não registra lucro anual desde 2021. Nos últimos quatro anos, o Pão de Açúcar teve prejuízos de 172 milhões de reais (2022), 2,2 bilhões de reais (2023), 2,4 bilhões de reais (2024) e 824 milhões de reais (2025). A empresa enfrenta uma dicotomia por ter um bom desempenho operacional, mas passar por dificuldades financeiras por causa do seu endividamento.

    Ao fim de 2025, o GPA teve uma geração de caixa operacional de 1,3 bilhão de reais. No entanto, a empresa teve um custo financeiro de 920 milhões de reais com o pagamento de juros da dívida. Ou seja, a empresa tem bom desempenho operacional, mas o endividamento e o cenário macroeconômico de juros altos pesam sobre a empresa.

    A dívida total a ser renegociada é de 4,5 bilhões de reais. No entanto, a companhia possui 1,7 bilhão de reais a vencer ao longo de 2026, sendo esse o fator que mais pesou para a realização do acordo. Isso porque, se nenhum acordo fosse realizado, a companhia ficaria com um déficit de capital circulante líquido de aproximadamente 1,2 bilhão de reais. “Estas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”, disse a nota explicativa do balanço do GPA, que foi revisada pela Deloitte.

    Na visão do CEO, a suspensão da cobrança da dívida por 90 dias dá um gás para a empresa manter sua operação plena enquanto o executivo costura um acordo com credores. “Esperamos utilizar esse prazo para chegar a um acordo legal com credores. Nesse momento não tem nenhuma definição, mas a gente tem uma agenda importante de negociações”, explicou Santoro em entrevista à coluna.

    Continua após a publicidade

    Segundo três fontes a par do assunto, o Itaú é o maior detentor da dívida de curto prazo do GPA. O banco detém 900 milhões de reais a receber da rede de supermercados em maio. O GPA ainda deve mais 500 milhões de reais para um Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), que possui participantes como a gestora SPX. Já os demais 300 milhões são do Rabobank. Procurados pela reportagem, o Itaú e o Rabobank disseram que não comentam casos específicos de clientes. A SPX não retornou sobre o assunto.

    A companhia ainda acumula 17 bilhões em contingências fiscais e trabalhistas, sendo 11 bilhões em processos tributários e 1,6 bilhão em questões trabalhistas de outras subsidiárias que pertenciam ao grupo, como processos trabalhistas dos pontos Extra. Os processos trabalhistas da empresa ficou com o Pão de Açúcar após a venda dos pontos do Extra. O passivo dessas companhias ficou com GPA como um ônus a ser acoplado após a cisão. Além disso, há mais 4,3 bilhões em discussões administrativas e judiciais sobre imposto de renda e contribuição.

    Para o CEO, Alexandre Santoro, o acordo com credores que alivia a dívida bancária de 4,5 bilhões de reais dá espaço para a empresa manter a operação e negociar todas as demais contingências. “Parte do valor do passivo tributário vem de multas e juros. Por isso, estamos trabalhando para um acordo para parcelar e tornar isso em passivo mensurável e em um prazo longo, de uma maneira que a companhia possa arcar”, explica Santoro.

    Em suma, o GPA passa por um momento difícil devido ao seu endividamento, que apaga o brilho de seu resultado operacional. A recuperação extrajudicial, que é um acordo provisório fechado entre a empresa e os credores, dá fôlego para a varejista negociar o pagamento das dívidas e manter a operação forte. Resta saber qual será o destino da companhia nos próximos capítulos dessa história.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    O mercado não espera — e você também não pode!
    Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).