Os próximos passos do GPA após recuperação extrajudicial, segundo o CEO
Em entrevista à coluna, executivo comenta planos da empresa após recuperação extrajudicial
A recuperação extrajudicial da dívida de 4,5 bilhões de reais do Grupo Pão de Açúcar (GPA) auxilia a companhia na manutenção do funcionamento das lojas e na boa relação com os fornecedores, disse o CEO da companhia, Alexandre Santoro, em entrevista à coluna nesta terça-feira, 10. Mais cedo, o GPA comunicou o mercado sobre um acordo com credores para suspender por 90 dias as cobranças de 4,5 bilhões de reais em dívidas da empresa perante o setor financeiro.
A empresa enfrenta uma fase difícil e não registra lucro anual desde 2021. Nos últimos quatro anos, o Pão de Açúcar teve prejuízos de 172 milhões de reais (2022), 2,2 bilhões de reais (2023), 2,4 bilhões de reais (2024) e 824 milhões de reais (2025). A empresa enfrenta uma dicotomia por ter um bom desempenho operacional, mas passar por dificuldades financeiras por causa do seu endividamento.
Ao fim de 2025, o GPA teve uma geração de caixa operacional de 1,3 bilhão de reais. No entanto, a empresa teve um custo financeiro de 920 milhões de reais com o pagamento de juros da dívida. Ou seja, a empresa tem bom desempenho operacional, mas o endividamento e o cenário macroeconômico de juros altos pesam sobre a empresa.
A dívida total a ser renegociada é de 4,5 bilhões de reais. No entanto, a companhia possui 1,7 bilhão de reais a vencer ao longo de 2026, sendo esse o fator que mais pesou para a realização do acordo. Isso porque, se nenhum acordo fosse realizado, a companhia ficaria com um déficit de capital circulante líquido de aproximadamente 1,2 bilhão de reais. “Estas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”, disse a nota explicativa do balanço do GPA, que foi revisada pela Deloitte.
Na visão do CEO, a suspensão da cobrança da dívida por 90 dias dá um gás para a empresa manter sua operação plena enquanto o executivo costura um acordo com credores. “Esperamos utilizar esse prazo para chegar a um acordo legal com credores. Nesse momento não tem nenhuma definição, mas a gente tem uma agenda importante de negociações”, explicou Santoro em entrevista à coluna.
Segundo três fontes a par do assunto, o Itaú é o maior detentor da dívida de curto prazo do GPA. O banco detém 900 milhões de reais a receber da rede de supermercados em maio. O GPA ainda deve mais 500 milhões de reais para um Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), que possui participantes como a gestora SPX. Já os demais 300 milhões são do Rabobank. Procurados pela reportagem, o Itaú e o Rabobank disseram que não comentam casos específicos de clientes. A SPX não retornou sobre o assunto.
A companhia ainda acumula 17 bilhões em contingências fiscais e trabalhistas, sendo 11 bilhões em processos tributários e 1,6 bilhão em questões trabalhistas de outras subsidiárias que pertenciam ao grupo, como processos trabalhistas dos pontos Extra. Os processos trabalhistas da empresa ficou com o Pão de Açúcar após a venda dos pontos do Extra. O passivo dessas companhias ficou com GPA como um ônus a ser acoplado após a cisão. Além disso, há mais 4,3 bilhões em discussões administrativas e judiciais sobre imposto de renda e contribuição.
Para o CEO, Alexandre Santoro, o acordo com credores que alivia a dívida bancária de 4,5 bilhões de reais dá espaço para a empresa manter a operação e negociar todas as demais contingências. “Parte do valor do passivo tributário vem de multas e juros. Por isso, estamos trabalhando para um acordo para parcelar e tornar isso em passivo mensurável e em um prazo longo, de uma maneira que a companhia possa arcar”, explica Santoro.
Em suma, o GPA passa por um momento difícil devido ao seu endividamento, que apaga o brilho de seu resultado operacional. A recuperação extrajudicial, que é um acordo provisório fechado entre a empresa e os credores, dá fôlego para a varejista negociar o pagamento das dívidas e manter a operação forte. Resta saber qual será o destino da companhia nos próximos capítulos dessa história.





