O risco Irã para os mercados após encontro com Estados Unidos
Para economista a instabilidade sobre os preços do petróleo tem origem na tensão do país com os EUA
O encontro entre representantes dos Estados Unidos e do Irã, mediado em Omã, foi suficiente para recolocar o risco geopolítico no centro das telas. Para Gustavo Trotta, economista da Valor Investimentos, o mercado reage menos à ideia de guerra e mais ao sobe-e-desce das expectativas. “O mercado monitora o risco geopolítico mais pela volatilidade do que por um cenário de conflito imediato”, afirma. Segundo ele, a retomada do diálogo ajuda, mas não zera o desconforto: “Pode reduzir, de certa forma, o risco, mas a retórica militar do Irã aumenta o prêmio de risco”.
Essa leitura chega rápido ao petróleo — e, por tabela, à inflação. Trotta lembra que o barril conversa diretamente com o bolso do consumidor. “O mercado não precifica a guerra, mas precifica a incerteza”, diz. Se a tensão escalar, o efeito pode ser amplo: “O impacto do petróleo tem reflexo na inflação global e no nosso país”. Em outras palavras, menos conversa e mais ruído tendem a elevar a volatilidade, com consequências para preços e expectativas.
Na bolsa brasileira, o canal é ainda mais direto. “Talvez o impacto no Brasil seja um pouco maior, porque a nossa bolsa é muito pautada por commodities”, observa Trotta, citando Petrobras e Vale como exemplos de peso.





