O perigo da ‘maquiagem’ do Ebitda
Empresas não pagam boletos com lucro operacional, mas com liquidez
O avanço dos pedidos de recuperação judicial e extrajudicial entre gigantes do varejo e do agronegócio, como GPA e Raízen, acendeu um alerta sobre a real saúde financeira das companhias brasileiras. Para Marcio Berstecher, sócio de auditoria da RSM Brasil, o mercado vive uma dependência perigosa do EBITDA. Embora útil para medir eficiência operacional, o indicador não reflete a geração real de caixa, além de que empresas não pagam boletos com lucro operacional, mas com liquidez.
Segundo Berstecher, essa desconexão cria uma falsa sensação de segurança que mascara sinais de deterioração, como a inadimplência crescente e a necessidade de novas dívidas para sustentar o dia a dia. Com os juros em patamares elevados, indicadores tradicionais como “dívida líquida sobre Ebitda” perdem a precisão e podem esconder um colapso iminente.
Para o especialista, a bússola da gestão precisa voltar a focar na demonstração dos fluxos de caixa. Sem o rigor na análise da liquidez imediata, o ciclo silencioso que leva à insolvência acaba sendo percebido apenas quando o caminho para a recuperação judicial já é inevitável.





