As reformas do presidente Javier Milei seguem mexendo com a economia argentina — e, de quebra, provocam alguns respingos no Brasil. Mas, segundo o economista e CEO da Corano Capital, Bruno Corano, o mercado entende que o impacto por aqui é “pequeno”. Ele lembra que, apesar da forte conexão comercial entre os dois países, as cadeias produtivas potencialmente atingidas por greves e protestos são “menos sensíveis”. Traduzindo: há barulho, mas não há, por ora, um terremoto econômico.
Onde o efeito foi mais visível é no setor aéreo. Paralisações de sindicatos contrários às reformas levaram a cancelamentos em série, inclusive no Brasil. Fábricas suspenderam a produção como na indústria de automóveis. Ainda assim, Corano pondera que carro não é item de consumo imediato — o que reduz o tamanho do problema.
Para o economista, o que está em curso na Argentina é “a possibilidade de os problemas serem resolvidos”, após décadas de “irresponsabilidade fiscal”. Ele afirma que “Milei fez a inflação despencar” e transformou o país em superavitário, classificando a agenda como uma “lição de administração pública”. Ao mesmo tempo, reconhece que a abertura quase total às importações — que já levou ao fechamento de fábricas tradicionais, como uma histórica indústria de pneus — cobra seu preço. E faz um alerta incômodo: enquanto observa o vizinho, o Brasil precisa olhar para si. “Mais de 200 indústrias deixaram o Brasil rumo ao Paraguai no último ano”, diz.





