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Fim da escala 6×1: Fecomércio vê risco de demissão e informalidade

No programa Mercado assessor da Federação do Comércio fala sobre mudança na jornada de trabalho

Por Veruska Costa Donato 18 fev 2026, 10h05 •
  • A proposta de acabar com a escala 6×1 e migrar para modelos como 5×2 ou até 4×3 pode soar como avanço social, mas, na conta das empresas, o impacto seria pesado. André Sacconato, assessor da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP), calcula aumento de custos superior a 20%. E lembra que o Brasil enfrenta um velho conhecido: baixa produtividade. “Enquanto um brasileiro produz cerca de 24 dólares por hora, um americano produz quase 100”, comparou. Em um setor intensivo em mão de obra como comércio e serviços, ele prevê reação “inexorável”: demissões, fechamento de empresas, mais informalidade ou repasse ao consumidor — a inflação que bate à porta.

    Aumentar a produtividade do trabalhador

    Para Sacconato, o debate deveria começar pela produtividade e pelo ambiente de negócios. Ele defende reformas estruturais em educação e uma legislação menos engessada, mas aponta ganhos imediatos possíveis com menos burocracia e redução do chamado custo Brasil. “Tem empresa que gasta 1.500 horas por ano só para entender como pagar imposto”, observou. Na visão dele, jornada de trabalho não deveria ser fixada na Constituição, mas negociada entre patrões e empregados ou via sindicatos — até porque a jornada média real já gira em torno de 34 a 35 horas semanais. Ele cita o modelo americano de pagamento por hora como exemplo de flexibilidade e maior poder de barganha ao trabalhador.

    Mercado de trabalho pressiona

    No cenário macro, o alerta é amplo. A economia desacelera, os juros seguem elevados e o mercado de trabalho ainda pressiona salários, comprimindo margens. Sacconato prevê aumento relevante da inadimplência a partir de 2027, com consumidores focados na parcela que “cabe no bolso”, mesmo em ambiente de inflação e crédito caro. Critica também a condução fiscal: diz que o mercado já não olha com a mesma confiança para o arcabouço e que o país precisa de um ajuste “crível” para estabilizar a dívida/PIB. Sobre o dólar abaixo de R$ 5,50, atribui mais a fatores externos do que a mérito doméstico, enquanto a inflação de serviços — na casa de 6% — impede cortes rápidos de juros. E, na regulamentação dos trabalhadores de aplicativos, é direto: teme “engessamento”, alta de preços e menos vagas. No fundo, a mensagem é clara: sem previsibilidade e produtividade, qualquer boa intenção pode sair cara.

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