A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) acusa a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX) de atuar junto ao governo federal, nos bastidores, para tentar impedir a aprovação de medidas antidumping sobre importações de malhas de poliéster da China.
Em nota, a FIEMG diz que a China exporta malhas para outros mercados internacionais a valores médios em torno de US$ 7,20, mas que no caso do Brasil o produto chega a custar US$ 2,20. “Trata-se de uma diferença que não se explica por ganhos de eficiência, mas por preços artificialmente rebaixados, que inviabilizam a concorrência e pressionam a produção nacional”, diz.
Para o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, a atuação da ABVTEX desconsidera os impactos estruturais dessa prática. “A ABVTEX, ao se movimentar contra a aplicação do antidumping, acaba defendendo a continuidade de um comércio desleal que prejudica a indústria brasileira. Não é aceitável sustentar discursos diferentes conforme a conveniência. Se o produto nacional paga impostos, o importado também deve pagar. Concorrência justa não pode ser seletiva”, afirma.
A investigação sobre a prática de dumping já foi analisada pelo Grupo Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (GECEX) e atualmente está em avaliação na Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão colegiado vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Em nota, a ABVTEX diz que “acompanha com atenção o debate relacionado à investigação antidumping” e que “instrumentos de defesa comercial devem ser analisados com base em critérios técnicos rigorosos, transparência metodológica e avaliação abrangente dos impactos econômicos e sociais sobre toda a cadeia produtiva, o emprego, a inflação e o consumidor”. A associação diz que “continuará atuando de forma firme e técnica nos autos do processo antidumping” e que “eventual aplicação de direitos antidumping pode representar aumentos relevantes no custo das malhas de poliéster, que não terão substituição plena pela produção doméstica.”





