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Estão tentando ‘romantizar’ o empreendedorismo num movimento anti-CLT

No último programa Mercado do ano, a economista Carla Beni criticou a onda nas redes sociais: 'empreendedorismo no Brasil é sobrevivência'

Por Veruska Costa Donato 31 dez 2025, 11h00 •
  • A taxa de desemprego baixa na última PNAD Contínua ajuda, mas não conta a história inteira. No Mercado, a economista Carla Beni (FGV) defendeu olhar o “caldeirão completo” do mercado de trabalho — e apontou um dado-chave: a queda do desalento (quem procura há mais de um ano e já não acredita que vai conseguir vaga). Na leitura dela, o recuo de 332 mil desalentados sinaliza alívio real para famílias e se soma ao recorde de 102 milhões de ocupados e à redução de subutilizados (gente que trabalha menos do que gostaria), num ambiente ajudado por massa salarial e ganho real do salário mínimo.

    A professora também destacou o papel da tecnologia nessa fotografia: plataformas de transporte e entrega viraram “porta de entrada” para renda — ainda que com precarização e uma discussão global sobre responsabilidade das plataformas(proteções mínimas, previdência, amparo). Carla Beni criticou a onda “anti-CLT” nas redes, chamando de movimento “sórdido” a tentativa de transformar “CLT” em xingamento e de romantizar o empreendedorismo como solução mágica num país onde boa parte do trabalho por conta própria é sobrevivência — e lembrou o custo de empreender num Brasil com juros reais elevados e alta mortalidade de pequenos negócios.

    No terreno político, ela mirou direto em duas bombas de 2026: desinformação sobre benefícios sociais e pressão demográfica. Beni frisou que a PNAD não pergunta se a pessoa recebe Bolsa Família; mede ocupação/desocupação pela metodologia da OIT. E rebateu a tese de que “benefício tira gente do trabalho”: citou a regra de proteção do programa e o dado de que 75% das vagas formais do Caged no ano foram preenchidas por beneficiários. Ao mesmo tempo, alertou para o fim do bônus demográfico — “envelhecer sem enriquecer” — e para o debate que vem junto: produtividade (não é hora trabalhada, é capital, tecnologia e formação), escala 6×1 (mudança geracional já em curso) e até o papel do BC, que deveria considerar também emprego e renda, como fazem bancos centrais com “duplo mandato”. Tradução: o mercado de trabalho entrou no centro da política — e, em ano eleitoral, a briga vai ser tanto por números quanto por narrativa.

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