Especialistas alertam: dólar não é aposta, é estratégia de proteção
iversificar fora do Brasil ajuda a preservar poder de compra no longo prazo.
A discussão sobre investir em dólar costuma aparecer quando a moeda sobe, mas essa é justamente a lógica que mais confunde o investidor. A recomendação dos especialistas é tratar a dolarização como uma estratégia estrutural de proteção patrimonial — e não como uma aposta direcional. Com base em estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV), a orientação é que brasileiros tenham parte do portfólio exposta ao dólar para manter o poder de compra ao longo do tempo: cerca de 16% para classes baixas e médias e até 18% para patrimônios mais elevados. Segundo Bruno Nunes, diretor de investimentos da Ghia Multi Family Office, tentar prever a cotação da moeda é um erro clássico. “O dólar é uma invenção de Deus para milhares de economistas. A gente realmente tem uma capacidade muito limitada de prever para onde vai a moeda”, afirmou. Ele lembra que, embora existam estimativas de mercado — hoje em torno de R$ 5,50 —, isso não deve pautar decisões individuais. “O mais sensato não é apenas comprar dólar por comprar, seguindo um movimento de manada.”
Outro ponto central levantado por Bruno é hábito de investir apenas no mercado doméstico. “O Brasil representa aproximadamente 2% do PIB global”, destacou, lembrando que ficar restrito ao mercado local significa ignorar 98% das oportunidades mundiais, inclusive nos setores mais inovadores, como tecnologia e inteligência artificial. Para ele, investir em ativos financeiros internacionais — e não apenas na moeda física — é “diversificação inteligente”, o único “almoço grátis” do mercado.





