Energia, minerais e logística: onde o Brasil trava na nova corrida global
No programa Mercado Pedro Rodrigues do Centro brasileiro de infraestrutura aponta gargalos e cobra protagonismo
A volatilidade das commodities, hoje, não nasce aqui. “É 100% cenário externo”, resumiu Pedro Rodrigues, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Ele faz questão de separar as prateleiras: no petróleo, a tendência é de queda nos preços futuros diante de uma oferta maior que a demanda. Já os metais — cobre, urânio, lítio — ganharam peso geopolítico na esteira da Revolução 4.0 e da inteligência artificial. “A demanda por energia hoje no mundo é brutal em razão do desenvolvimento dessas novas tecnologias, dentre elas os datacenters… Energia sem energia a gente não tem datacenter e a gente não vai ter a inteligência artificial aprendendo”, afirmou. E, quando o mundo treme, o ouro segue firme como reserva de valor.
Terras raras
Rodrigues lembra que o Brasil não é apenas potência agrícola e petrolífera. Temos a terceira maior reserva de terras raras do planeta, mas seguimos atrasados na regulamentação e na inserção em fóruns globais de minerais críticos. Ter riqueza no subsolo, ele pondera, não garante prosperidade sem regra clara e segurança jurídica. No campo ambiental, defende que a legislação brasileira é robusta, porém excessivamente burocrática e politizada. Vê nas críticas europeias ao agro um componente comercial e propõe mudar o discurso: sair do rótulo de “celeiro do mundo” para assumir a narrativa de “segurança alimentar”. “O Brasil preserva as florestas muito mais que a França… precisamos ser protagonistas da narrativa”, disse.
Infraestrutura
Mas é na infraestrutura que, para ele, mora o nosso maior freio. A dependência de caminhões encarece tudo; faltam ferrovias, hidrovias e dutos. Ele critica a obsessão por grandes anúncios enquanto soluções locais — como gasodutos para levar gás ao Centro-Oeste — avançam devagar. O gás, aliás, é outro nó: caro por ser associado ao petróleo e extraído no offshore, torna a produção nacional de fertilizantes pouco competitiva frente à importação. Rodrigues propõe estimular a produção em terra e até o shale. E troca o termo “transição energética” por “adição energética”: “O mundo não fala mais em transição energética… a gente não pode se dar o direito de excluir uma fonte em nome da outra”. Para ele, petróleo, eólica e solar vão conviver — porque a demanda por energia só cresce, e o Brasil precisa decidir se quer assistir ou liderar.





