Duração e intensidade dos ataques ao Irã – as dúvidas do mercado
Conflito no Oriente Médio embaralha contas e testa nervos, hoje no Programa Mercado
O mundo financeiro acordou com mais perguntas do que respostas. Tudo depende de duas variáveis difíceis de medir: quanto tempo vai durar a escalada entre Estados Unidos, Israel e Irã e qual será a intensidade desses ataques. Há ainda um terceiro fator que tira o sono dos investidores: quantos países podem ser arrastados para o conflito. É essa conta que define se estamos diante de um susto passageiro ou de algo com potencial de mexer mais fundo com a economia global — e, claro, com o bolso.
O primeiro reflexo veio pelo petróleo. A disparada da commodite ajudou as ações da Petrobras e evitou uma queda mais acentuada do Ibovespa. O anúncio da Guarda Revolucionária do Irã de que fechou o Estreito de Ormuz fez o frete marítimo explodir: as taxas diárias para navios que transportam gás natural liquefeito (GNL) subiram mais de 40%, e o frete de referência para grandes petroleiros atingiu o maior nível em seis anos, segundo a Reuters. Em português claro: transportar energia ficou mais caro, e isso costuma bater na inflação mundo afora.
A dúvida agora é dupla. O Brasil pode se beneficiar de uma alta das commodities ou o efeito inflacionário fala mais alto? E por quanto tempo o governo consegue segurar os preços dos combustíveis, lembrando que a Petrobras é estatal e está sempre no centro dessa equação? Ontem, os mercados globais até começaram o dia em tom mais dramático, mas os preços perderam força ao longo do pregão, numa aposta de resolução rápida. Ainda assim, há economistas lembrando do chamado “risco de cauda” — aquele evento raro, extremo e inesperado que parece improvável… até acontecer. É esse fantasma que mantém o mercado em alerta máximo.





