Contrabando de cigarros movimenta bilhões e domina mercado no Peru
Mercado de cerca de 2,5 bilhões de dólares
Falta pouco para a entrega da taça da Libertadores. Enquanto isso não acontece, um pano de fundo ronda a competição: o bilionário negócio do mercado ilegal de cigarros. Sem registro de importação, as marcas de cigarro Golden Beach e Hamilton inundam o mercado peruano.
Segundo levantamento da Kantar, no segundo trimestre de 2025, 64% dos cigarros consumidos no Peru eram ilegais. Dentro desse universo, 37% são Golden Beach e Hamilton, da Compañía de Tabacos Montecarlo.
De acordo com a Dirección Nacional de Ingresos Tributarios (DNIT), a última exportação legal da Montecarlo ocorreu em 2019, com a marca “VIP”. Desde então, nenhum registro formal de exportação consta nas aduanas paraguaias. As investigações mostram que o fluxo ilegal parte das plantas industriais paraguaias rumo aos Andes. “O contrabando de cigarros que ingressa ilegalmente no Peru — proveniente do Paraguai, da Coreia e de outros países — não é um fenômeno isolado, mas uma operação sustentada por organizações criminosas transnacionais altamente estruturadas. Essas redes combinam capacidade logística, financiamento ilícito e controle territorial para movimentar grandes volumes de mercadorias, muitas vezes pelas mesmas rotas já utilizadas para o tráfico de drogas ou armas”, diz oe x-ministro do Interior do Peru, Rubén Vargas Céspedes.
Para Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), o alto lucro e a ampla capilaridade tornam o mercado ilícito de cigarros uma das principais atividades criminosas em operação na atualidade. Segundo ele, os países da América Latina — reunidos na Associação Latino-Americana Anticontrabando (ALAC) — “têm demonstrado os graves danos causados por esse comércio ilegal, que já revela a forte participação do crime organizado e exige uma resposta coordenada em nível transnacional”.
Dados do setor mostram que o Paraguai produz hoje cerca de 50 bilhões de cigarros por ano e o seu consumo interno é cerca de 2 bilhões de unidades por ano. É um mercado de cerca de 2,5 bilhões de dólares anuais em contrabando e os principais mercados são Brasil, Chile, Peru, Colômbia.





