Conflito na Ásia expõe risco global para mercados financeiros
Disputa envolvendo Japão, China e Taiwan ameaça cadeia de semicondutores e pode gerar forte correção nas bolsas
Enquanto o mercado ainda tenta precificar conflitos mais “tradicionais”, como Ucrânia e Oriente Médio, um risco bem maior segue fora do radar: a escalada de tensão entre China e Japão.
Para Igor Lucena, economista-chefe da Amero Group, trata-se de um conflito potencialmente muito mais sensível para o mercado financeiro global, porque atinge o coração da cadeia produtiva mundial — tecnologia, semicondutores e bens de alto valor agregado.
O Japão vive um processo inédito de rearmamento e revisão constitucional, abandonando o modelo restrito de forças de autodefesa para permitir incursões militares externas, em coordenação direta com os Estados Unidos. O pano de fundo é Taiwan, peça central na estratégia de Xi Jinping e foco da contenção ocidental. China, Japão e Taiwan concentram produção crítica de chips, microprocessadores e nanotecnologia — insumos que alimentam desde a indústria automobilística até equipamentos médicos, aeronáutica e defesa. Qualquer ruptura, mesmo comercial, teria efeito imediato sobre bolsas globais.
Segundo Lucena, esse risco ainda não está precificado. Um conflito aberto ou mesmo restrições comerciais severas entre China e Japão poderiam provocar forte correção nos mercados asiáticos, impacto direto nas bolsas americanas e europeias e aumento da aversão a risco nos emergentes, incluindo o Brasil. Commodities, fluxo de capitais e câmbio sofreriam em cadeia. Diferentemente de outros conflitos regionais, a Ásia concentra hoje o núcleo da produção tecnológica do mundo — e é justamente isso que torna esse risco silencioso, mas potencialmente explosivo, para os próximos anos.





