A viagem do presidente Lula à Índia colocou a inteligência artificial no centro da agenda — e, como era esperado, trouxe à tona o debate sobre a regulamentação da tecnologia no Brasil. Lá fora, o presidente defendeu a necessidade de criar regras para a IA, com o argumento de proteger direitos, empregos e evitar abusos. O discurso soa responsável. Mas, no Brasil, toda vez que se fala em “regular”, o mercado acende uma luz amarela: será proteção ou excesso de controle?
Quem vocaliza essa preocupação é Bruno Perri, economista-chefe da Fórum Investimentos. Ele vê com ceticismo o avanço do marco regulatório no Congresso. “Possivelmente viria em algo surpreendente, não surpreendentemente contraproducente, avesso ao progresso”, afirma. Para ele, há o risco de se tentar “controlar o que é produzido e distribuído” por meio da IA, “atravancando um movimento que é inevitável”. Perri compara o ímpeto regulatório a um “quase ludismo”.
O economista argumenta que o Brasil já enfrenta uma “crise de produtividade profunda” e que restringir uma tecnologia que gera ganhos expressivos de eficiência pode custar caro no médio e longo prazo. “Tudo que burocratiza o acesso ao progresso e à tecnologia é contraproducente para a economia”, diz. Ele faz uma ressalva importante: considera “extremamente construtiva” a aproximação com países como a própria Índia e a Coreia do Sul, onde o avanço tecnológico é maior. A dúvida que fica — e que o investidor observa com lupa — é se o Brasil vai usar essas parcerias para acelerar ou para amarrar ainda mais o próprio futuro digital.





