Como suspensão das tarifas de Trump redefine guerra comercial
Decisão afasta improviso presidencial e devolve previsibilidade ao setor produtivo
A suspensão das tarifas pela Suprema Corte dos Estados Unidos foi lida por muitos como um revés para Donald Trump. Mas, para Gustavo Junqueira, colunista da Veja e ex-secretário de Agricultura de São Paulo, a interpretação é outra. “Não foi uma derrota do presidente Trump. Isso é uma visão pequena”, afirmou. Na avaliação dele, o que houve foi uma mudança de rota institucional: a política tarifária sai do improviso do Executivo e volta ao rito do Congresso americano.
Segundo Junqueira, a Suprema Corte apenas “fechou o atalho”, mas manteve a estratégia de usar o comércio exterior como ferramenta geopolítica. “O comércio internacional virou um instrumento de poder e que os Estados Unidos vão usar recorrentemente”, disse. Em vez de decisões repentinas anunciadas em redes sociais, o tema passa a seguir um processo mais lento — o que, para o setor produtivo, significa previsibilidade. E previsibilidade, no mundo dos negócios, vale ouro. “Tarifa alta é sempre custo. Tarifa imprevisível é risco. E risco é o que mata o investimento”, resumiu.
Ele também faz questão de esclarecer um ponto que costuma gerar confusão: “Quem paga essa tarifa não é o Brasil, não é a China, não é a Inglaterra. Quem paga é o importador americano.” Ou seja, a conta mexe com toda a cadeia global e redesenha fornecedores. Para o Brasil, Junqueira alerta que não há motivo para euforia. “Não dá para sair comemorando e correndo para pegar a taça, porque ainda tem muito tempo de jogo.” Na visão dele, o país precisa parar de reagir ao movimento dos outros e construir uma estratégia comercial própria — mais assertiva e menos dependente do improviso alheio.





