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Bilionário colombiano nega interesse na SAF do Santos: ‘Usam o meu nome’

Em entrevista exclusiva à VEJA, Alejandro Santo Domingo explica que risco de rebaixamento afasta investimentos em clubes de futebol

Por Pedro Gil Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 mar 2026, 15h00 • Atualizado em 10 mar 2026, 15h51
  • Na primeira entrevista concedida em dez anos, o investidor colombiano Alejandro Santo Domingo — herdeiro do império empresarial da família mais rica da Colômbia e dono de uma fortuna estimada em cerca de 3,3 bilhões de dólares — negou à VEJA qualquer envolvimento em negociações para comprar o Santos Futebol Clube, classificando os rumores como “fake news”.

    À frente dos investimentos globais da família em gigantes como AB InBev, TV Caracol e NFL, Santo Domingo destacou que o grupo atua apenas por meio de seus fundos oficiais e explicou que evita investir em clubes de futebol devido ao risco de rebaixamento nos campeonatos, considerado por ele um fator de desvalorização do ativo.

    Circula no Brasil a informação de que o senhor teria interesse em comprar o Santos. O que há de verdade nisso? Não participamos de nenhum processo relacionado ao Santos. Não estamos envolvidos de forma alguma. Não somos investidores em nenhuma empresa que esteja analisando o clube, não somos cotistas e não temos absolutamente nada a ver com essa transação de que as pessoas estão falando. Existe uma empresa por aí que usa um nome que faz referência à nossa família, mas ela não faz parte do nosso grupo. Nós não investimos usando nomes ligados à nossa família. Nunca fizemos isso, nem no passado, nem quando meu pai estava à frente dos negócios. Hoje investimos por meio de duas plataformas: Valorem, na Colômbia, e Quadrant Capital Advisors, em Nova York. Esses são os dois veículos através dos quais fazemos nossos investimentos.

    Mas o senhor tem histórico de investimentos em esportes? Sim. Já fizemos vários investimentos no setor esportivo e continuamos olhando para esse segmento. No passado analisamos alguns clubes de futebol. Estudamos oportunidades na Inglaterra com o Chelsea, Tottenham Hotspur e Crystal Palace. Também avaliamos um clube na França, o Olympique Lyonnais. Mas nunca avançamos com esses investimentos.

    Por quê? Porque, do ponto de vista de investimento, o futebol tem um risco importante: o rebaixamento. Quando analisamos investimentos, não fazemos isso como hobby. Avaliamos se é um bom investimento financeiro. Em ligas como a Premier League, existe o risco de rebaixamento, e isso pode destruir o valor de um ativo. Mesmo clubes grandes podem correr esse risco. Se você paga um determinado valor por um clube e ele acaba rebaixado, o retorno do investimento pode desaparecer completamente.

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    Por isso preferem outras ligas? Exatamente. Do ponto de vista de investimento, ligas como a National Football League (NFL) e a National Basketball Association (NBA) fazem mais sentido para nós. Nessas ligas não existe rebaixamento. Isso torna o investimento muito mais previsível. Você consegue avaliar melhor o risco e o retorno. Por exemplo, somos investidores no (time de futebol americano) Washington Commanders, junto com Josh Harris e outros parceiros. Esse é um investimento muito interessante para nós.

    Então vocês não consideram investir no Santos ou em outros clubes da América Latina? Não se trata especificamente do Santos. Em geral, é muito difícil estruturar um investimento em ligas latino-americanas por causa desse risco de rebaixamento. Quando você faz um modelo financeiro e precisa assumir que o clube pode cair de divisão dentro de cinco anos, isso destrói completamente o valor do ativo.

    O nome de Lauren Santo Domingo estaria ligado a uma eventual proposta. Ela está envolvida no negócio? Minha cunhada, Lauren, faz seus próprios investimentos. Ela tem seus próprios projetos e o seu próprio modo de operar. Já investiu em empresas como a marca de moda The Row. Mas isso não tem relação com o nosso capital nem com o nosso grupo de investimentos. Não sei se ela está envolvida em algo relacionado a isso ou não, mas não faz parte da nossa estrutura.

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    O Santos ou alguém ligado ao clube chegou a procurar o senhor ou sua equipe? Não. Ninguém da nossa equipe de investimentos teve qualquer contato com o Santos ou com alguém relacionado a esse assunto.

    O senhor acompanha futebol brasileiro? Conhece a história do Santos? Eu gosto muito de futebol e acompanho o esporte. Tenho até meu próprio time na Colômbia pelo qual torço. Mas gostar de algo não significa que vamos investir nisso. Não investimos em coisas que amamos. Investimos em coisas que acreditamos ter bons retornos. Posso comprar algo de que eu goste com o meu dinheiro pessoal, mas não colocaria o dinheiro da minha família em maus investimentos.

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