Assine VEJA por R$2,00/semana
Imagem Blog

Murillo de Aragão

Por Murillo de Aragão
Continua após publicidade

A fórmula Lula de governar

Pragmatismo e populismo seguirão equilibrados

Por Murillo de Aragão Atualizado em 9 Maio 2024, 20h09 - Publicado em 12 nov 2023, 08h00

O pragmatismo na política é uma abordagem orientada para resultados, focada em soluções práticas e realistas para problemas complexos. Políticos pragmáticos são geralmente caracterizados pela flexibilidade ideológica, priorizando o que é funcional e eficiente sobre o que é ideologicamente puro ou teoricamente ideal. Em contraste, o populismo na política é um estilo que busca mobilizar o eleitorado apelando diretamente para as necessidades e desejos das massas, muitas vezes em oposição a um “establishment” percebido como corrupto ou alienado das realidades da “pessoa comum”.

Após fechar acordos com o Centrão, um movimento pragmático, e atacar o mercado por causa do déficit fiscal, uma ação populista, o governo inicia a fase “Lula 3.2”, na qual pragmatismo e populismo serão equilibrados conforme o momento e as necessidades. O presidente lida com sentimentos contraditórios que frequentemente confundem os analistas políticos.

Ele ainda convive, e tem grande aversão a isso, com aqueles que tentam manipulá-lo politicamente. Um exemplo disso é a seleção do novo ministro do STF. Lula provocará ansiedade naqueles que tentam influenciar sua decisão, pois controlar o tempo é sua tática para prolongar e ampliar sua influência. Diante das circunstâncias atuais, ele se apossou do centro político do país e relegou a oposição a um bolsonarismo que oscila entre a polarização radicalizada que cansou o país e uma posição independente sem uma narrativa assertiva. Portanto, é um equívoco pensar que Lula sacrificará a viabilidade de seu governo por opções populistas. Não dará chance ao azar como fez Dilma Rousseff.

“O presidente lida com sentimentos contraditórios que frequentemente confundem os analistas políticos”

O recente episódio de ataques ao mercado em função do déficit fiscal mais se assemelha a uma concessão narrativa para o segmento menos pragmático de seu eleitorado do que, propriamente, um desejo de desestabilizar as finanças públicas com populismo exacerbado. Lula tem ciência de que, em 2026, ele será seu próprio concorrente. Em outras palavras, se a gestão das finanças públicas, da inflação e da economia falhar, seu projeto político estará comprometido.

Continua após a publicidade

Ele também sabe que, do 1,7 trilhão de reais em investimentos previstos no novo PAC, apenas 371 bilhões de reais — cerca de 20% — virão do Orçamento Federal. Outros 341 bilhões de reais virão de empresas estatais, principalmente da Petrobras. Espera-se que as empresas privadas invistam quase o dobro do que as estatais, com 621 bilhões de reais. O restante virá por meio de financiamento de bancos públicos. Sem o setor privado, o mercado e a Faria Lima, a conta não se sustenta.

Lula está ciente de que agendas antirreforma não prosperarão no Congresso e, mesmo que a contragosto, está aprendendo a conviver com o semipresidencialismo de coalizão que caracteriza o Brasil atual. O Congresso está dividido e a obtenção de consensos em temas polêmicos é praticamente impossível. Dessa forma, entre o pragmatismo e o populismo, Lula escolherá ambos: decisões predominantemente pragmáticas temperadas com narrativas populistas. Uma no cravo e outra na ferradura, ciente de que, se mergulhar na turbulência econômica, seu projeto político naufragará.

Publicado em VEJA de 10 de novembro de 2023, edição nº 2867

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.