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Mundo Agro

Por Marcos Fava Neves Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
De alimentos a energia renovável, análises sobre o agronegócio

Quais são os riscos inerentes ao agronegócio?

Entenda os fatores que podem diminuir o sucesso de organizações e como se preparar para um ambiente de incertezas

Por Marcos Fava Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 Maio 2025, 11h28 • Atualizado em 19 Maio 2025, 11h30
  • O Brasil é historicamente conhecido pelo privilégio do clima, relevo e terras férteis, comprovados desde a chegada dos portugueses ao nosso país, em 1500. Em sua carta, Pero Vaz de Caminha procurou expressar a quão rica e diversa poderia ser a nossa agricultura com a icônica frase: “Se plantando, tudo dá”. Apesar da vantagem edafoclimática e de serem possíveis amplas possibilidades de cultivo, a atividade agrícola tem se tornado cada vez mais desafiadora e competitiva.

    O macroambiente é um dos protagonistas de qualquer cadeia produtiva e qualquer empresa dentro desta, interferindo em suas atividades diárias e influenciando o fluxo de produtos, serviços e comunicações; e o fluxo de informações e pagamentos no sentido contrário. O cenário geopolítico global altera, em parte, a configuração macroambiental para as cadeias de alimentos, agronegócios e biocombustíveis, criando desafios e oportunidades; e forçando ajustes e adaptações imediatas nos modelos de negócios.

    A análise macroambiental pode ser mais bem compreendida como um agregado de fatores relacionados aos ambientes político-legal (1), econômico (2), natural (3), sociocultural (4) e tecnológico (5). A seguir, listaremos todos os riscos macroambientais que podem diminuir o desempenho dos produtores e empresas do agro:

    1. Riscos Político-Legais:
    – Déficit de lideranças globais, com fortalecimento do extremismo político;
    – A tendência de menor integração mundial e o fortalecimento de alianças entre nações amigas;
    – Questionamento sobre regimes democráticos e governos;
    – Conflitos entre países, de guerras a embates comerciais e geopolíticos;
    – Políticas migratórias restritivas também trazem riscos, assim como restrições comerciais (incluindo tarifas, embargos e cotas).
    – Políticas de biocombustíveis e outras relacionadas a questão energética;
    – A concessão de subsídios e outras políticas relacionadas a competitividade;
    – E mudanças nas legislações tributária, ambiental, trabalhista e outras.

    2. Riscos Econômicos:
    – Variação na demanda por produtos agrícolas, reduzindo previsibilidade;
    – Disputa por crédito e falta de disponibilidade de crédito para investimentos;
    – Volatilidade do câmbio e indicadores macroeconômicos (PIB, inflação e a posição de fundos);
    – Questões relacionadas ao emprego e custo de trabalho;
    – Despesas com transporte, combustível, arrendamento e energia.

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    3. Riscos do Ambiente Natural:
    – Excesso de chuvas, calor intenso e períodos de seca;
    – Enchentes, ventos fortes, veranicos e geadas – eventos cada vez mais comuns;
    – Pragas e doenças cada vez mais frequentes na agropecuária, ganhando resistência;
    – Questões sanitárias e pandemias afetando a produção e a humanidade;
    – Riscos de origem nuclear ou atômica com as guerras e conflitos geopolíticos.

    4. Riscos Socioculturais:
    – Mudanças no comportamento de consumo, como o vegetarianismo e o veganismo;
    – Confiança do consumidor nas empresas e processos produtivos;
    – Questões religiosas e culturais, voltando a ser frequente o distanciamento das comunidades;
    – Ações ativistas, protestos e ataques a setores ou atividades;
    – Atuação das mídias sociais e impacto desse ambiente no comportamento do consumidor.

    5. Riscos Tecnológicos:
    – Evolução de produtos plant-based e novos ingredientes desenvolvidos em laboratório;
    – Adoção de automação, inteligência artificial e equipamentos de última geração;
    – Novos insumos, especialmente os bioinsumos (biofertilizantes, biológicos e bioprodutos);
    – Riscos envolvendo Cyber ataques, considerando o uso cada vez mais frequente do online;
    – Comercialização via marketplaces (plataformas online) por meio de transações diretas;
    – Melhoramento genético de plantas para tolerância a praga, secas/umidade e adaptação ao clima.

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    Além dos riscos do macroambiente, também devem ser considerados os riscos de cada produtor rural, de cada fazenda. Ai também são diversos: sucessão familiar (a); saúde financeira e endividamento (b) exigem planejamento eficiente. Processos de compra e venda (c) mal estruturados, falhas operacionais (d), acidentes (e) e perda de pessoas (f) impactam diretamente a produtividade e a segurança das operações. Outras ameaças incluem assaltos (g), inundações e variações de temperatura (h), incêndios (i), invasões (j) e acomodação das equipes (k). Além disso, a obsolescência de processos e equipamentos (l) e a má gestão de solos e culturas (m) podem aumentar riscos para as organizações do agro.

    Diante desse cenário de riscos, para prosperar é essencial investir em pontos como gestão financeira, excelência operacional e inovação. Como costumo dizer, “é preciso ficar melhor antes de ficar maior”. O controle obsessivo de dados e indicadores é essencial para a correta tomada de decisão. Tudo precisa ser anotado na ponta do lápis e repassado com clareza para todos envolvidos. A formação de pessoas é outro ponto crucial para o sucesso, assim como trabalhar a imagem e a comunicação. Precisamos mostrar o trabalho bem-feito. Por fim, o espírito coletivista e a capacidade de unir esforços, compartilhar conhecimento e buscar soluções em conjunto será cada vez mais determinante para o sucesso de quem atua no agro. Pode-se perceber aqui neste texto quantos riscos a atividade corre, e se proteger é algo fundamental.

    Marcos Fava Neves é professor Titular (em tempo parcial) da Faculdades de Administração da USP (Ribeirão Preto – SP) e fundador da Harven Agribusiness School (Ribeirão Preto – SP). É especialista em Planejamento Estratégico do Agronegócio. Confira textos e outros materiais em harvenschool.com e veja os vídeos no Youtube (Marcos Fava Neves). Agradecimentos a Vinícius Cambaúva e Rafael Rosalino.

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