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Por Marcos Fava Neves
De alimentos a energia renovável, análises sobre o agronegócio
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Conheça mais sobre a cadeia produtiva do gergelim

Apesar de pouco falado, o gergelim é outro produto em que o Brasil pode tornar-se referência global

Por Marcos Fava Neves
Atualizado em 9 fev 2024, 18h24 - Publicado em 8 fev 2024, 18h52

O gergelim foi uma das primeiras plantas oleaginosas a ser cultivada pelo ser humano. Para os desconhecedores da cultura, ele é globalmente encontrado em uma ampla variedade de climas, podendo ser cultivado até mesmo em países de grande latitude, como Rússia e Austrália. No entanto, o cultivo prospera em regiões de alta temperatura, baixa altitude e grande incidência de luz solar, com as principais áreas de produção localizadas em países próximos da linha do equador.

É uma semente versátil, utilizada não só na alimentação como na indústria cosmética. Como alimento, pode ser usada  in natura, no preparo de pães, barras de cereais, biscoitos, granolas, entre outros , ou na forma de óleo, para cozinhar ou como tempero, sendo um ingrediente bastante comum na culinária asiática e do Oriente Médio.

No setor industrial, o gergelim entra na composição de uma variedade de produtos, como cremes hidratantes, loções corporais e sabonetes. Além disso, na agricultura,  é utilizado tanto na sucessão como na rotação de culturas; semeado após uma safra de soja ou milho, ajuda a incrementar a renda do produtor, a reduzir a erosão, a controlar pragas e doenças, tendo também o potencial de aumentar a produtividade de outras plantas.

São diversos os seus benefícios: contribui para manter a integridade óssea e auxilia na prevenção ao câncer, bem como no controle da hipertensão, do diabetes e de inflamações. Isso porque contém lipídios benéficos e ácidos graxos insaturados, e é rico em proteína, fibras, tiamina, zinco, cobre, cálcio, ferro, magnésio, fósforo, manganês, além de ser uma fonte de vitamina B6.

No âmbito da produção, o ano de 2022 somou 6,74 milhões de toneladas produzidas em todo o mundo. O maior produtor foi o Sudão; completando o top 5 estão Índia, Mianmar, Tanzânia e Nigéria (o continente africano representa 45% da oferta). A Índia é a principal representante nas exportações, com 32% do total exportado em 2022 e uma receita de 421 milhões de dólares. Em 2023 o Brasil exportou 151.000 toneladas, com uma receita total de 220 milhões de dólares, sendo os principais destinos Índia, Turquia, Guatemala e Arábia Saudita. Nas importações, o destaque vai para a China, compradora de 50% do gergelim exportado pelo mundo.

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O cultivo da oleaginosa no Brasil apresenta vantagens que têm contribuído para o crescimento da produção. Ela é conhecida por sua tolerância ao estresse hídrico, o que a torna uma opção atraente para regiões onde a disponibilidade de água é mais limitada. A área total  cultivada em 2023 foi de 360.000 hectares. Entre os principais produtores estão Mato Grosso, Pará, Tocantins e Rondônia, além de Goiás e Bahia. Além disso, por ser uma cultura resistente, requer menos insumos, como fertilizantes e defensivos. Os investimentos em novos cultivares, principalmente pela Embrapa, possibilitaram uma expansão da área produtiva no país, levando a cultura até o Cerrado, principal polo produtor de grãos do Brasil.

O aumento da demanda por alimentos saudáveis e ingredientes naturais continuará a impulsionar o crescimento da produção no Brasil e no mundo. A abertura de novos mercados é promissora, principalmente da China, maior consumidor global. Há boas perspectivas também para o setor de máquinas e equipamentos, uma vez que muitos dos maquinários utilizados nas etapas de produção do gergelim, principalmente na complicada colheita, necessitam adaptações. O Brasil está posicionado para desempenhar um papel mais significativo no mercado de gergelim, criando oportunidades tanto para o grão como para produtos processados.

 

Marcos Fava Neves é professor titular (em tempo parcial) das faculdades de administração da USP (Ribeirão Preto – SP) e da FGV (São Paulo – SP) e fundador da Harven Agribusiness School (Ribeirão Preto – SP). É especialista em planejamento estratégico do agronegócio. Confira textos e outros materiais em harvenschool.com e veja os vídeos no Youtube (Marcos Fava Neves). Agradecimentos a Vinicius Cambaúva e Rafael Rosalino.

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