Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês
Maílson da Nóbrega Por Coluna Blog do economista Maílson da Nóbrega: política, economia e história

Por que estamos fracassando

Crenças e erros de gestão explicam grande parte da crise

Por Maílson da Nóbrega Atualizado em 3 jun 2022, 11h51 - Publicado em 4 jun 2022, 08h00

Com frequência, nos perguntamos por que ultimamente as coisas não andam bem. Na verdade, crises têm ocorrido a partir dos dois choques do petróleo (1973 e 1979) e da crise de dívida externa (1982). Ao mesmo tempo, o prolongamento da estratégia de substituição de importações, os efeitos econômicos da Constituição de 1988 e as más consequências do governo de Dilma Rousseff contribuíram para o colapso da produtividade — e assim do potencial de crescimento.

Enquanto isso, a cultura da indexação e o impacto fiscal do atendimento de demandas sociais reprimidas aceleraram o ritmo da subida da inflação, que resistiu a diferentes remédios até o Plano Real (1994). A esperança renasceu com a estabilidade monetária, as reformas do governo FHC e a política econômica responsável do primeiro mandato de Lula. O Brasil voltava a dar certo. Na capa de uma edição da revista The Economist, o Cristo Redentor decolava qual um foguete. De repente, o pessimismo retornou com a armadilha do baixo crescimento e o alto desemprego. O que aconteceu?

A explicação está no recente livro Nós do Brasil: Nossa Herança e Nossas Escolhas, da economista Zeina Latif, que examinou as causas dos nossos problemas. Para ela, “o pecado original foi negligenciar a educação”, frase que denomina o capítulo em que discorre sobre os equívocos nessa área crucial para o desenvolvimento. Em análise incomum para economistas, o livro examina a herança cultural da colonização portuguesa, de onde se originam as crenças antimercado e o fervor intervencionista. Como disse Samuel Pessôa, “Zeina transcendeu a profissão”.

“A impressão pode ser pessimista diante da enormidade dos problemas, mas nem tudo está perdido”

No capítulo dedicado ao marco jurídico e ao funcionamento do Judiciário, Zeina aponta as fontes da insegurança jurídica: a complexidade, as imprecisões, as brechas e o ativismo do sistema judiciário que atingem o direito adquirido, questões julgadas e atos jurídicos perfeitos. Os custos da Constituição de 1988 aparecem em várias partes do livro.

A obra avançou em temas como o preço da democracia tardia, a influência das Forças Armadas, a cidadania, a necessidade do compromisso do servidor público com o cidadão, a trajetória e o papel da imprensa e o pensamento (quase único) da academia. Nesse último caso, ela ressalta a baixa qualidade da pesquisa acadêmica e o pensamento de esquerda que impregna as universidades públicas.

Até aqui, a impressão pode ser pessimista diante da enormidade dos problemas a resolver, mas o alento vem no capítulo final. Nem tudo está perdido. Transformações recentes, muitas vezes silenciosas, indicam a possibilidade de volta do crescimento: a classe média não está apática, não há apagão de ideias, o debate público amadurece e existem muitas administrações estaduais e municipais bem-sucedidas.

O livro não recorre ao linguajar dos economistas, nem a gráficos e equações econométricas. Em escrita clara e didática, o leitor entenderá por que estamos fracassando e os caminhos para superar os desafios.

Publicado em VEJA de 8 de junho de 2022, edição nº 2792

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Impressa + Digital

Plano completo de VEJA. Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app (celular/tablet).

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.



a partir de R$ 39,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e ter acesso a edição digital no app, para celular e tablet. Edições de Veja liberadas no App de maneira imediata.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)