A estimativa do potencial de crescimento anual da economia brasileira (2%) indica quanto é possível crescer com inflação sob controle e com solidez do balanço de pagamentos. Nos dois últimos anos, todavia, impulsionada por forte elevação dos gastos públicos, a economia vem se expandindo a um ritmo de 3% ao ano, acima, pois, desse potencial. Daí o aumento da taxa de inflação e a redução das exportações líquidas (exportações menos importações). Parte da demanda interna vazou para o exterior.
Muitos comemoram tal resultado, que consideram “robusto”. É o mesmo que celebrar a mediocridade. Na verdade, se o Brasil desejar manter o objetivo de tornar-se um país rico, o PIB precisará crescer a ritmo muito maior. Nos últimos dez anos, entretanto, o crescimento acumulado foi de 8,3% (média anual de 0,5%), em comparação com 28,3% dos Estados Unidos. Mesmo que excluídos os anos de 2015 e 2016, quando a economia caiu 6,7% por causa da desastrosa política econômica do governo de Dilma Rousseff, nosso ritmo continua mais lento do que o dos americanos.
A economia brasileira foi apanhada na “armadilha da renda média”, expressão criada em 2007 pelo Banco Mundial. Ela define a situação de um país que elevou sua renda per capita a 12 000 dólares de 2011 (equivalentes a 16 000 dólares atualmente), mas não avançou. Todos os que venceram essa barreira estão na Ásia e no Leste Europeu (os que pertenciam à extinta União Soviética). O êxito inicial decorreu de ganhos de produtividade advindos das migrações campo-cidade, da qualidade da educação, da infraestrutura e da tecnologia dos bens de capital importados. Tudo isso resultou em aumento da produtividade, mas ela perde impulso com o tempo. A relevância migra para a inovação.
“A Índia quer ser um país desenvolvido em 2047; a Indonésia, em 2045; a Tailândia, em 2037. E o Brasil?”
O sucesso dos países asiáticos se explica em grande parte pela qualidade da educação, pelos investimentos em infraestrutura e por um ambiente de negócios propício à atração de investimentos estrangeiros, ao avanço tecnológico e às oportunidades que proporcionam a expansão da atividade econômica. A China é o grande destaque da região. Sua alta taxa de crescimento, ainda que menor em anos recentes, a tornou a segunda maior potência do planeta.
O governo da Índia entende que pode sustentar um crescimento elevado nos próximos anos e transformar o país em uma economia desenvolvida em 2047, o que decorreria de melhora nos campos regulatório, jurídico e de infraestrutura. A Indonésia diz que se livrará da armadilha da renda média, mediante boa gestão fiscal, investimentos em infraestrutura e maior qualidade de recursos humanos. Ela alcançaria o status de país de alta renda em 2045. A Tailândia é muito mais ambiciosa. Prevê que se tornará uma nação rica em 2037 apoiada nos mesmos fatores que explicariam o desempenho dessas duas outras economias.
O Brasil pode chegar lá, mas dependerá de reformas, principalmente para resolver a grave situação fiscal. Não será pelo aumento do gasto público, como pensa o atual governo.
Publicado em VEJA de 3 de janeiro de 2025, edição nº 2925






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