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Maílson da Nóbrega Por Coluna Blog do economista Maílson da Nóbrega: política, economia e história

O PT não terá como entregar o que promete

Os bons tempos dos petistas no governo se devem a eventos de difícil repetição. A recessão não foi causada por Temer

Por Maílson da Nóbrega 9 set 2018, 19h07

Na sua propaganda política, o PT promete que os pobres vão voltar a comer bem, viajar de avião, por os filhos na universidade e comprar bens de consumo durável. Atribui a Temer a culpa pela recessão, pelo desemprego e o acusa de ter cortado os recursos do Bolsa Família. Essas afirmações são para lá e irreais. Nem o partido terá como cumprir as promessas, nem Temer tem qualquer das culpas que lhe são imputadas.

É verdade que aqueles bons tempos ocorreram nos governos do PT. Mas isso foi possível, em primeiro lugar, pelos ganhos da entrada da China no comércio global, que acarretou aumento dos preços das commodities que o Brasil exporta e transformou o país nosso maior parceiro comercial. Tudo começou a partir de 2003, quando Lula assumiu o poder. Os decorrentes ganhos de comércio aumentaram o potencial de crescimento do Brasil.

O PT se beneficiou, ademais, dos efeitos das reformas de FHC, que demoraram naturalmente a se materializar e impulsionaram o crescimento. Afora um verdadeiro maná dos céus, Lula manteve a política econômica de seu antecessor, dissipando temores de que o partido adotaria suas arcaicas ideias. A confiança aumentou e, com ela, a disposição para investir e consumir.

Tudo isso acelerou o ritmo de crescimento da renda e do emprego, o que foi ampliado pela criação (aí sim, no governo Lula) do crédito consignado, que permitiu o acesso, aos bancos, de uma massa de pessoas físicas antes alijadas. Ampliou-se o consumo de bens e serviços pelas classes menos favorecidas, incluindo viagens aéreas.

O PT nunca vai confessar que a piora se deu por sua ação no governo. Quando os fatores positivos se esgotaram, seria a hora de promover reformas para aumentar o potencial de crescimento e preservar a confiança dos mercados. O partido optou, todavia, por medidas insustentáveis da expansão da atividade econômica: aumento de gastos, queda na marra da taxa básica do Banco Central (Selic), crédito barato pelos bancos oficiais e transferência de R$ 500 bilhões ao BNDES para ofertar crédito subsidiado a grandes empresas. Dilma dizia que “gasto é saúde”. Não tinha como dar certo.

A marcha da insensatez se acelerou no governo Dilma, incluindo uma danosa política de intervenção nos preços de energia e derivados de petróleo. A recessão tem origem, pois, nos governos do PT. Temer, ao contrário do que dizem os petistas, tem a seu crédito as ações para reverter as lambanças, particularmente as do período Dilma.

Vários estudos mostram que o Brasil levará de seis a oito anos para restabelecer o nível de atividade econômica e emprego de 2014. Ou seja, os dois primeiros anos do próximo governo, talvez todo o período, serão de baixo crescimento. Além disso, dificilmente haverá um novo maná dos céus.
Não existirão, assim, as condições para o PT cumprir a promessa de restabelecer o ambiente de consumo e de benefícios de seu período de governo. Os petistas exploram a imagem do eleitorado sobre tempos que ficaram para trás. Pura demagogia!

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