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Setor de florestas plantadas ganha protagonismo no Fórum Agro e destaca papel decisivo na descarbonização

Em palestra no Fórum Agro VEJA, Germano Vieira mostrou como a celulose brasileira impulsiona emprego, tecnologia e liderança na descarbonização

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 nov 2025, 12h26 • Atualizado em 26 nov 2025, 14h54
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    A primeira edição do Fórum Agro, realizado por VEJA nesta segunda-feira, 24, na Casa Fasano, em São Paulo, trouxe ao centro do debate um setor essencial, porém pouco visível dentro do próprio agronegócio: a indústria brasileira de florestas plantadas. No painel, A solução do setor de celulose, Germano Vieira, diretor florestal da Eldorado Celulose, detalhou como o cultivo de árvores, frequentemente lembrado apenas como “floresta” é, na verdade, uma atividade agrícola altamente tecnológica e estratégica para o país.

    Vieira destacou que o segmento ocupa apenas 1% do território nacional, segundo dados do Mapa e da Embrapa, mas gera impacto econômico e ambiental de escala muito maior. Hoje, o Brasil possui cerca de 10 milhões de hectares de florestas plantadas, sendo 8 milhões de eucalipto, distribuídos entre os setores de celulose, siderurgia, biomassa e madeira sólida. Trata-se de um conjunto de atividades que movimenta cadeias inteiras: da produção de papel e embalagens a móveis, cosméticos, tecidos tecnológicos e até itens usados na siderurgia. São mais de 5 mil bioprodutos derivados diretamente desse cultivo organizado e altamente manejado.

    O diretor da Eldorado também ressaltou a relevância econômica do setor. Somente em 2024, as exportações da indústria de árvores plantadas somaram 15,7 bilhões de dólares, ao mesmo tempo em que a atividade recolheu 21,8 milhões de reais em impostos e gerou 2,8 milhões de empregos, muitos deles altamente qualificados e intensivos em tecnologia. O Brasil, segundo ele, planta quase 2 milhões de novas árvores por dia, o que posiciona o país como líder global não apenas em produtividade florestal, mas também em capacidade de captura de carbono, um elemento central na agenda climática.

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    A energia produzida a partir dos resíduos do processo de celulose é outro diferencial relevante: cerca de 90% da energia consumida pela indústria florestal é energia verde, proveniente do chamado licor negro, subproduto do processamento da madeira que se transforma em fonte energética. Isso reduz emissões, substitui combustíveis fósseis e reforça o caráter sustentável da cadeia.

    Além disso, as áreas de preservação mantidas dentro das fazendas florestais, cerca de 7 milhões de hectares, possuem mais de 8 mil espécies registradas de fauna e flora, todas monitoradas. Esse conjunto garante certificações internacionais como FSC e Cerflor, que abrem portas para a exportação a mercados mais exigentes, especialmente Europa, Estados Unidos e Ásia.

    No entanto, o diretor da Eldorado ponderou que há um ponto crítico que precisa avançar: a reciclagem. Sem ela, parte do carbono capturado pelas árvores retorna rapidamente à atmosfera quando produtos de papel e madeira são descartados incorretamente. Expandir a reciclagem, portanto, é um elo fundamental para ampliar o impacto climático positivo da cadeia florestal e fortalecer seu papel na descarbonização global.

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