ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Rota para abandonar fósseis avança na COP30, mas enfrenta cerco de petroleiras e países produtores

Pedido de Lula por um 'mapa de saída' para deixar petróleo, gás e carvão vira eixo diplomático; proposta agrupa países ambiciosos

Por Ernesto Neves 14 nov 2025, 12h06 • Atualizado em 14 nov 2025, 16h45
  • A tentativa de transformar em ação concreta o compromisso firmado dois anos atrás em Dubai, abandonar gradualmente os combustíveis fósseis, virou um dos eixos centrais e mais contenciosos da COP30, em Belém.

    Sob pressão climática e política, o Brasil tenta costurar uma “rota de saída” internacional que defina quando e como países devem deixar de depender de petróleo, gás e carvão.

    A proposta, porém, enfrenta um contrafluxo poderoso: a retomada agressiva de produção por grandes exportadores, o recuo diplomático dos Estados Unidos sob Donald Trump e a presença ampliada de lobistas da indústria fóssil circulando nos corredores da Zona Azul.

    A iniciativa ganhou força após o apelo público de Luiz Inácio Lula da Silva para que líderes deixem Dubai para trás e, desta vez, entreguem metas verificáveis.

    A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, assumiu a articulação e conseguiu reunir apoio de países como Reino Unido, França, Alemanha, Dinamarca, Colômbia e Quênia.

    Continua após a publicidade

    + Na COP30, gigante do petróleo defende longevidade dos combustíveis fósseis e relativiza metas de clima

    + ‘Há uma cruzada contra o meio ambiente dentro da COP30’, diz Marcio Astrini, do Observatório do Clima

    O grupo trabalha para inserir na decisão final da COP a determinação de produzir, ao longo de 2026, um roteiro global de redução de combustíveis fósseis, instrumento semelhante ao mecanismo criado em 2024 para financiamento climático.

    Continua após a publicidade

    Nos bastidores, porém, o clima é mais tenso do que sugerem os discursos públicos. Relatórios de observatórios climáticos mostram que a COP30 registra uma das maiores presenças de representantes da indústria fóssil em conferências da ONU.

    Delegações corporativas ocupam reuniões técnicas sensíveis, como aquelas que discutem datas e mecanismos de declínio de produção.

    A presença reforça temores de que países produtores tentem esvaziar o texto final ou substituir a noção de cortes obrigatórios por conceitos genéricos como “transição energética responsável”.

    Continua após a publicidade

    A resistência ganhou novo fôlego com a guinada dos Estados Unidos sob Trump, que retirou o país do Acordo de Paris e pressiona aliados a não assinarem mecanismos que limitem a produção de petróleo e gás.

    No mês passado, a Casa Branca bloqueou nos bastidores o avanço de um imposto global de carbono sobre navegação marítima, movimento que, para negociadores, sinalizou que Washington buscará enfraquecer qualquer decisão que impacte o setor fóssil.

    Para países em desenvolvimento, a equação é ainda mais delicada. Muitos dependem de receitas derivadas de petróleo e gás para financiar serviços públicos e não veem alternativas viáveis sem garantias de financiamento e transferência tecnológica.

    Continua após a publicidade

    Ainda assim, o grupo pró-roadmap trabalha com três cenários: um acordo político modesto que apenas crie o mandato; uma decisão intermediária que inclua prazos setoriais; ou um modelo mais ambicioso, que estabeleça metas de eliminação progressiva da produção, este último visto como improvável diante da correlação de forças.

    A próxima semana será decisiva. A versão preliminar da declaração da Colômbia, que circula entre países insulares e latino-americanos, pode ampliar a pressão.

    Mas o real termômetro será a redação da decisão final. Se Belém entregar apenas linguagem simbólica, a promessa de Dubai pode perder relevância.

    Se estabelecer um mecanismo claro de implementação, a COP30 marcará o primeiro passo institucional para aposentar o petróleo, com data, etapas e responsabilidade distribuída.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    O mercado não espera — e você também não pode!
    Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).