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Lula abre Cúpula dos Líderes com apelo por fim dos combustíveis fósseis e desmatamento zero

Em Belém, presidente defende que a transição energética e a proteção da Amazônia sejam pilares da resposta global à crise climática

Por Ernesto Neves 6 nov 2025, 11h40 • Atualizado em 6 nov 2025, 12h50
  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início à Cúpula dos Líderes, evento preparatório para a COP30, em Belém, na manhã desta quinta-feira, 6. O encontro reúne chefes de Estado e de governo de mais de 40 países.

    Em sua fala, Lula destacou a urgência de romper com a dependência dos combustíveis fósseis e de deter o avanço do desmatamento na Amazônia.

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    O encontro busca alinhar compromissos globais no enfrentamento das mudanças climáticas e no financiamento da transição verde. Ao longo do evento, mais de 130 líderes e representantes de organizações multilaterais vão apresentar propostas.

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    “Para avançar, será preciso superar dois descompassos. O primeiro é a desconexão entre os salões diplomáticos e o mundo real. As pessoas podem não entender o que são emissões ou toneladas métricas de carbono, mas sentem a poluição”, disse.

    “Podemos não assimilar o significado do aumento de 1.5°C na temperatura global, mas sofremos com secas, enchentes e furacões. O combate à mudança do clima deve estar no centro das decisões de cada governo, de cada empresa, de cada pessoa”, prosseguiu.

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    O presidente, que é favorável à exploração de petróleo na Amazônia, disse ainda que “apesar das dificuldades e contradições, precisamos de mapa do caminho para reverter desmatamento e superar dependência dos combustíveis fósseis”.

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    Lula também abordou o complexo cenário geopolítico atual, marcado pela crescente disputa entre China e Estados Unidos, a Guerra da Ucrânia e o conflito na Faixa de Gaza.

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    “Rivalidades estratégicas e conflitos armados desviam atenção de recursos que deviam ser destinados para o enfrentamento do aquecimento global. Enquanto isso, a janela de oportunidades está se fechando. A mudança do clima é resultado das mesmas dinâmicas que fraturam a nossa sociedade entre ricos e pobres. Será impossível contê-la sem superar as desigualdades entre nações”.

    Primeiro a falar no plenário, o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um alerta contundente: não limitar o aquecimento global a 1,5°C seria uma “falha moral e uma negligência mortal”.

    Guterres afirmou que o mundo já caminha para ultrapassar o limite estabelecido pelo Acordo de Paris, o que poderia desencadear consequências “catastróficas e irreversíveis” para ecossistemas e populações inteiras.

    “Cada fração de grau acima representa mais fome, mais deslocamentos, mais perdas econômicas e vidas destruídas”, disse.

    O chefe da ONU pediu uma “mudança de paradigma fundamental” para reduzir os impactos do aquecimento e criticou duramente as empresas de combustíveis fósseis, que, segundo ele, continuam “enganando o público, obstruindo o progresso e apostando contra a humanidade”.

    “Cada dólar em subsídios ao petróleo, gás e carvão é um dólar retirado da saúde e do futuro comum”, afirmou.

    Apesar de avanços em planos de redução de emissões, o secretário-geral reconheceu que o ritmo das transformações é insuficiente.

    Mesmo que todas as promessas sejam cumpridas, o planeta ainda se encaminharia para um aumento de 2,3°C, um cenário perigoso, embora melhor que o previsto há duas décadas, graças ao Acordo de Paris e à revolução da energia limpa.

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