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Senão
tê-los, como sabê-lo?
O
prazer de ser mãe
é grande, mas
o custo de
criá-los até a
segunda década de
vida é enorme
Tudo
bem. Não é lá muito comum que as pessoas
façam contas e poupem um dinheirinho antes de decidir
formar família e ter filhos. Mas os estudos indicam
que seria recomendável que assim fosse. Afinal, ninguém
tem filhos para vê-los passar por frustrações
ou necessidades. E atender às exigências de educação,
saúde e lazer dos tempos atuais não está
nada fácil.
Quem entende do assunto não chega a radicalizar, a
recomendar que o casal tenha aplicados mais de 200 000 reais
antes de parar com a pílula. Mas todos aconselham uma
poupança mensal. Isso porque, embora criar um bebê
custe dinheiro, é muito mais barato que manter um adolescente.
Segundo um estudo feito pela Universidade de Minnesota, nos
Estados Unidos, os gastos com filhos sobem, em média,
2% ao ano. Após os 12 anos o salto é de 10%.
"Não existe alternativa: os pais precisam promover
uma alteração completa em sua vida financeira
após a chegada dos filhos", diz Gary Foreman, financista
americano especializado em família.
Os dados levantados pelo IBGE que estão no quadro ao
lado são espantosos. Um casal despende quase meio milhão
de reais durante 22 anos de vida de seu pimpolho. Isso considerando
que o garoto vá ao dentista regularmente, tenha plano
de saúde, freqüente um curso de inglês,
faça esportes e vá a escolas particulares.

Saiba mais |
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Essa
é uma média nacional. O custo é mais alto
em São Paulo e Porto Alegre. É mais baixo em Belém
e Salvador. Manter o filho numa escola pública, assim
como utilizar a rede pública de saúde, representa
uma imensa redução de despesas. É possível
criar um filho até os 22 anos de idade gastando apenas
53 000 reais. Por outro lado, casais mais ricos, que se dêem
ao luxo de manter enfermeira ao lado do bebê nos primeiros
meses após o nascimento, façam viagens internacionais
e mandem o garoto para um período de estudos no exterior,
podem chegar a gastar 1 milhão de reais ao longo de 18
anos. "Por tudo isso, é bom que os casais pensem bem
no que pretendem e se preparem antes de aumentar a família",
diz Luís Carlos Ewald, matemático e professor
da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro.
A questão tem se tornado mais presente na vida dos
brasileiros por várias razões. A primeira delas
é a estabilização da economia. Com o
desaparecimento da inflação, as pessoas passaram
a se dar conta de quanto gastam em cada quesito de sua vida.
Filhos pesam um bocado. O segundo motivo tem a ver com o mercado
de trabalho. A globalização aumentou a competição
por empregos. Cada vez se exige maior qualificação
dos candidatos.
Criar filhos, hoje em dia, não tem nada a ver com o
que era vinte anos atrás. Outro fator deve ser considerado.
Há mais universidades, maiores oportunidades de educação,
mas, como o Estado anda quebrado e os investimentos, mesmo
em áreas básicas como educação
e saúde, estão em queda proporcional ao crescimento
da população, não se consegue uma boa
formação sem desembolsar uma pequena fortuna.
Em qualquer hipótese, filho é sinônimo
de despesa. Pode-se argumentar que também traz alegria,
realização, companhia. Em geral, tudo isso é
verdade. Se servir de alento para alguém, os pesquisadores
da Universidade de Minnesota fizeram uma porção
de contas e descobriram que o segundo filho do casal custa,
em média, 20% menos do que custou o primeiro. O terceiro,
então, sai 35% mais barato. Isso porque eles dividem
quartos, brinquedos, roupas e ganham descontos em escola.
Portanto, quem decide formar família deve otimizar
seus investimentos: ter logo uma turminha.
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O
preço da maternidade
Criar
um filho a pão-de-ló até os 22
anos de idade não sai barato. Veja quanto gasta,
em cada item, uma família brasileira de classe
média alta, com renda entre 7 000 e 11 000 reais
por mês
Fotos Raul Junior, Antonio Milena,
Ricardo Rollo, Ricardo Benichio, Eduardo Queiroga/Lumiar,
Pedro Rubens
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| Educação |
156
000
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| Moradia |
97
000
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| Cultura
e recreação |
77
000
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| Alimentação |
53
000
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| Transporte |
36
000
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| Saúde |
31
000
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| Vestuário |
12
000
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| TOTAL |
462
000
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| Média
mensal |
1
750
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Investimento
prévio suficiente para cobrir as despesas ao
longo dos 22 anos
256
195 reais*
Se, em vez de ter filho, a pessoa aplicasse 1 750 reais
por mês, ao final de 22 anos teria
955 895 reais*
* Aplicação em fundo de
renda fixa com juros de 0,5% ao mês, desconsiderada
a inflação
Fontes:
IBGE e professor José Dutra Sobrinho
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