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Viagem ao Fundo do Mar

Por Onde Anda a Estranha Dama Verde?

Vitina Marcus como a estranha Dama Verde em "Perdidos no Espaço"

Quem é fã de séries clássicas se lembrará dessa personagem que surgiu na série “Perdidos no Espaço”, produção da década de 1960. Na verdade, ela foi vista em dois episódios da segunda temporada: “A Estranha Dama Verde” e “A Moça da Dimensão Verde”.

Vitina como Maria em "Viagem ao Fundo do Mar"

A personagem foi interpretada por Vitina Marcus, que também esteve em outras séries de Irwin Allen: “Viagem ao Fundo do Mar” e “Túnel do Tempo”.

Em cada uma ela esteve em dois episódios, sendo que o mais lembrado é “A Volta do Fantasma”, de “Viagem ao Fundo do Mar”, no qual interpretou dois papeis: Lani e Maria.

A primeira era um fantasma que pede ajuda ao Almirante Nelson para salvar Crane do fantasma de Krueger; a segunda era uma dançarina que Krueger escolheu para servir de corpo mortal para sua amada Lani habitar.

A atriz nasceu no dia 1º de  março de 1937, descendente de húngaros e de italianos. Estudou balé e violino e, aos 17 anos, foi uma das alunas do curso de atores de Lee Strasberg, em Nova Iorque. Nessa época, trabalhou como modelo para a Huntington Hartford Agency.

Vitina iniciou sua carreira na década de 1950, com o nome de Dolores Vitina. Esteve na peça “A Hatful of Rain”, ao lado de Steve McQueen. Na TV, um de seus primeiros trabalhos foi como dançarina no programa “The Jackie Gleason Show”. Chegou a fazer testes para o filme “Rio Bravo”, mas perdeu o papel para Angie Dickinson.

Vitina Marcus em 2010

Em busca de novas oportunidades, mudou-se para Hollywood, onde conheceu Irwin Allen que a escalou para o filme “O Mundo Perdido/The Lost World”. Em função de sua aparência exótica, Vitina sempre era chamada para interpretar estrangeiras e índias.

Além de teleteatros e das séries já mencionadas, Vitina também esteve em episódios de “O Paladino da Justiça”, “Mike Hammer”, “Histórias do Velho Oeste/Death Valley Days”, “Aventura Submarina”, “Xeque Mate”, “Rawhide”, “Gunsmoke”, “O Agente da UNCLE” e “The FBI”, entre outras.

Vitina se casou com o ator Steve Gravers, 15 anos mais velho que ela, com quem teve uma filha em 1959, chamada Athena; o casal se separou no ano seguinte.

No início de 1970, ela deixou a carreira de atriz, passando a se dedicar à dança. Ao longo das duas décadas seguintes, trabalhou em shows em Las Vegas e em Paris. Também trabalhou como professora de interpretação em workshops da University of Nevada; como professora de Yoga e, posteriormente, foi corretora de imóveis.

Atualmente com 74 anos, Vitina é vista em convenções de séries. Ela pode ser encontrada em sua página oficial.
Fernanda Furquim: @Fer_Furquim

 

19/12/2010

às 15:47 \ Séries Anos 1960-1969

Séries Clássicas – Viagem ao Fundo do Mar

Richard Basehart (E), David Hedison, Del Monroe, Terry Becker e Robert Dowdell (Foto Fox/Arquivo)

Irwin Allen foi um dos produtores que reinventaram o gênero aventura para a televisão. As quatro séries produzidas por ele, na década de 1960, se transformaram em um marco, permitindo novas possibilidades para a exploração do gênero na TV.

Tendo um orçamento limitado, as produções televisivas perdiam para os filmes do cinema. Mas, na década de 1960, as superproduções cinematográficas começaram a cair em declínio, dando lugar a filmes mais intimistas e alternativos, fortemente influenciados pela produção europeia. Essa linha narrativa também chegou à TV, com séries dramáticas questionando o valor da sociedade, do governo e da vida. Mas também foi nesse período que a ficção científica passou a se dedicar mais ao público adulto.

Na década de 1960, com a corrida espacial dominando o imaginário do público e a abertura conquistada por produções como “Além da Imaginação” e “Quinta Dimensão”, um número maior de séries desse gênero surgiram. Assim, Irwin Allen trouxe para a TV o entretenimento das produções blockbusters. Suas séries ficaram marcadas como superproduções que dominavam a telinha. Todas utilizavam cenários grandiosos, alguns dos quais impressionam até hoje. Temos como exemplo “Terra de Gigantes”, a quarta série desta safra, também composta por “Viagem ao Fundo do Mar“, “Perdidos no Espaço” e Túnel do Tempo”.

Conhecido na década de 1970 como o mestre do cinema catástrofe, graças a filmes como “O Destino do Poseidon” (e sua sequência), “Inferno na Torre” e “O Dia em que o Mundo Acabou”, Irwin Allen deu início a uma carreira de sucessos na TV com a versão de seu filme “Viagem ao Fundo do Mar”.

Interessado pela vida marinha e vencedor do Oscar pelo documentário “The Sea Around Us”, de 1951, Allen escreveu e produziu o filme “Viagem ao Fundo do Mar” em 1961, para a 20th Century Fox. Visivelmente influenciado pela obra de Julio Verne, Allen introduziu ao público da época as aventuras de um submarino nuclear, que tinha a função de pesquisar a vida marinha e seus benefícios para a humanidade.

A história do filme tem como base a descoberta do Cinturão de Van Allen ocorrida em 1958. Trata-se de uma região no espaço que concentra partículas no campo magnético da Terra, provocando vários fenômenos atmosféricos. O nome do Cinturão foi uma homenagem ao Dr. James Van Allen, que conduziu as pesquisas que levaram à sua descoberta.

Impressionado com o fato, Irwin decidiu escrever um filme explorando a ideia do que poderia ocorrer caso as radiações provocadas pelo Cinturão atingissem a Terra em sua totalidade. Assim, na versão cinematográfica, a tripulação do submarino Seaview (que traduzindo significa ‘vista para o mar’) precisa salvar a Terra da ameaça de uma total incineração provocada pela radiação do cinto de Van Allen.

Com roteiro assinado por Allen e Charles Bennett, o filme foi estrelado por Walter Pidgeon, que interpretou o Almirante Nelson, responsável pela Fundação Nelson de Pesquisas Submarinas, que criou o Seaview.

A bordo estavam o Capitão Lee Crane (Robert Sterling), Comandante Lucius Emery (Peter Lorre), Tenente Chip Romano (Frankie Avalon), Tenente Cathy Connors (Barbara Eden, de “Jeannie é um Gênio”), que era a noiva de Crane, Dra. Susan Hiller (Joan Fontaine), psicóloga, e Miguel Alvarez (Michael Ansara, marido de Eden na vida real), cientista civil.

Bem como o restante da tripulação, na qual se encontravam os marinheiros Kowski (Del Monroe) e Smith (Mark Slade). Apenas os dois últimos atores migrariam para a série de TV, sendo que o personagem de Monroe passou a ser chamado de Kowalski e o de Slade, visto apenas na primeira temporada, chamava-se Malone.

O sucesso do filme fez com que Allen oferecesse ao estúdio o projeto de uma adaptação para a TV. Apontando a vantagem de que nenhum custo extra seria necessário para a fabricação do cenário e maquetes, Allen conseguiu a autorização do estúdio para produzir a série. Não querendo ficar preso a uma série, Walter Pidgeon recusou-se a voltar a interpretar o Almirante Nelson. Em seu lugar foi contratado Richard Basehart, mais jovem que Walter, mas com uma impressionante carreira no teatro e no cinema.

O ator esteve em clássicos como “A Estrada da Vida”, de Federico Fellini, “Os Irmãos Karamazov” e “Moby Dick” antes de migrar para as séries de TV no início dos anos de 1960. Depois de algumas participações especiais em várias séries de sucesso da época, Basehart aceitou estrelar “Viagem ao Fundo do Mar”, com o objetivo de conseguir dinheiro para produzir suas peças no teatro.  Sua presença no elenco convenceu David Hedison a aceitar o convite de Allen para interpretar o Capitão Lee Crane, substituindo Sterling. Na versão para a TV, Crane não tinha noiva, ficando livre para viver suas aventuras e se envolver com outras mulheres. Curiosamente, Hedison tinha sido a primeira escolha de Allen para o personagem no cinema. Mas o ator recusara o papel.

No lugar de Peter Lorre entrou  Henry Kulky, que interpretou o Chefe Curley Jones. Quando o ator morreu, em 1965, foi substituído por Terry Becker, que interpretou o Chefe Sharkey, personagem originalmente oferecido a James Doohan, que preferiu trabalhar em “Jornada nas Estrelas”, onde deu vida ao personagem Scotty. Em substituição ao ator e cantor Frankie Avalon, Allen contratou Robert Dowdell, como Tenente Chip Morton.

Entre os coadjuvantes estavam Paul Carr, como Bill Clark e posteriormente interpretando diferentes membros da tripulação; Derrick Lewis e Gordon Gilbert, alternando-se como o marinheiro O’Brien; Paul Trinka, como Patterson; Arch Whilling, como Sparks, responsável pelas comunicações; Richard Bull, como o médico de bordo; e Nigel McKeand, operador de sonar, que no episódio piloto foi interpretado por Christopher Connelly. O ator Allan Hunt uniu-se ao elenco a partir da segunda temporada, como Stu Riley.

A primeira temporada começou a ser filmada em novembro de 1963, estreando em setembro de 1964. Apenas o episódio piloto foi filmado a cores, os demais foram feitos em preto e branco. O motivo era simples. Ao vender a ideia para o estúdio, Allen alegou que poderia reutilizar cenas do filme, em especial aquelas que mostravam o submarino e o fundo do mar, poupando os gastos para a produção da série.

O submarino, criado por Jack Martin Smith, Herman Bluementhal, Lyle Abbott e Herbert Cheek, era a principal ‘estrela do show’. Sem conseguir o apoio da marinha, que temia revelar segredos em função da Guerra Fria, a equipe precisou recorrer a antigos filmes bélicos para criar o Seaview.

Sem ter visto um submarino por dentro e sem ter acesso às plantas, a equipe também fez uso dos recursos do Museu de Ciências de Chicago onde, através de visitas em grupos turísticos, faziam rápidas anotações e desenhos do interior de submarinos alemães, capturados no final da 2ª Guerra. Tudo às escondidas para não levantarem suspeitas.

Mais tarde, a produção do filme conseguiu o apoio da Marinha, que chegou a enviar representantes para visitarem os cenários e darem opiniões. Quando a série foi produzida, a equipe responsável pela criação do Seaview não estava mais disponível. Utilizando os mesmos cenários, a série continuou atraindo o interesse de militares, entre eles, o então Presidente do Brasil Marechal Costa e Silva, que em 1967 visitou os bastidores de produção da série.

Situada uma década à frente, a primeira temporada trouxe histórias que exploravam tramas de espionagens e complôs, ambientadas em um cenário de ficção científica, em função da presença do submarino nuclear e seu arsenal. Alguns dos planos dos vilões vistos nesses episódios também acrescentavam uma visão futurística, na maioria das vezes mantendo-se dentro dos limites das possibilidades científicas.

Na época, os roteiristas não estavam acostumados a escrever para esse tipo de programa. Assim, produziam textos que giravam em torno daquilo que conheciam, com a diferença que as histórias eram situadas dentro de um submarino nuclear. Já na primeira temporada, começaram a surgir episódios que traziam monstros e seres espaciais, que destoavam na narrativa dos demais. Mas esse tipo de história passou a dominar a produção da série quando ela foi renovada para a segunda temporada, ganhando episódios a cores.

Buscando elevar sua audiência, Allen optou por roteiros mais voltados à ficção científica e à aventura, tendo em vista que produções como “O Agente da UNCLE”, que se apoiava na paródia explorando elementos de fantasia, ganhava cada vez mais popularidade. Assim, Allen alterou radicalmente o rumo de “Viagem ao Fundo do Mar”.

Trazendo roteiros que passaram a ser popularmente conhecidos como ‘o monstro da semana’, os episódios também trouxeram um novo veículo: o subvoador, que permitia aos membros da tripulação saírem do submarino para chegar mais rápido em Terra, ampliando as possibilidades de novas aventuras. Para acomodar o veículo à bordo, os cenários da sala de observações foram alterados, permitindo a inclusão de uma escotilha, que levava ao subvoador.

A série manteve sua popularidade, entrando em seu terceiro ano de produção. No entanto, nessa época, a rede ABC, que exiba “Viagem ao Fundo do Mar”, anunciou cortes no orçamento. Desta forma, foram reduzidos os gastos com efeitos especiais, cenários, figurinos e equipe de roteiristas. Profssionais já contratados pelo estúdio substituíram aqueles que formavam  a equipe da série e foram dispensados (alguns foram parar na série “Missão: Impossível”). Os roteiros também contavam com os serviços de free lancers de baixo custo. Como resultado, aumentou o número de episódios com monstros e a reutilização de cenas já filmadas para a série ou outras produções da Fox.

Renovada para a quarta temporada, a série já estava com ‘seus dias contados’. Nem tanto pela audiência, que ainda era boa, mas pelo desgaste e descontentamento de seus protagonistas, Richard Basehart e David Hedison, que manifestavam estar cansados do tipo de roteiros que lhes eram oferecidos.

Porém, o que pode ter determinado seu final foi o interesse de Irwin Allen em produzir “Terra de Gigantes”, série que tinha um orçamento elevado para a construção dos cenários e filmagens dos roteiros. Nessa época, a Fox produzia três séries de Irwin Allen: “Viagem ao Fundo do Mar” (ABC), “Perdidos no Espaço” (CBS) e “Túnel do Tempo” (ABC). Embora não exista uma razão única e definitiva para o cancelamento dessas produções, as negociações para conseguir produzir “Terra de Gigantes” podem ter determinado o fim de cada uma delas.

As séries “Viagem ao Fundo do Mar” e “Perdidos nos Espaço” saíram do ar em março de 1968, enquanto que “Túnel do Tempo”, que tinha uma audiência menor, exibiu seu último episódio em abril de 1967. “Terra de Gigantes” estreou em setembro de 1968, mas seu alto custo determinou o fim da série, que foi cancelada em 1970.

“Viagem ao Fundo do Mar” teve um total de 110 episódios produzidos. Passando de thriller psicológico para série de aventura e fantasia, a produção conseguiu se transformar em uma das mais populares e cultuadas pelos fãs do gênero.  Episódios como “O Exílio”, “O Motim”, “Os Inimigos”, “A Vigília da Morte”, “A Nave Fantasma”, “O Soro da Juventude”, “O Homem das Mil Faces”, “A Bomba Humana”, “Fuga de Veneza”, “As Bonecas Mortais” e tantos outros, fazem parte da memória afetiva de uma geração.

A série já teve seus episódios lançados em DVD no mercado americano. O segundo e último volume, da quarta temporada será disponibilizado em janeiro de 2011. Por aqui, ‘nem cheiro’. Segundo a distribuidora Fox, eles não estão autorizados a lançarem as produções de Irwin Allen no Brasil.

Mesmo sabendo que teria boa venda, à exemplo de “Perdidos no Espaço”, que após seis anos de seu lançamento original ainda parece dar lucro à distribuidora (que continua disponibilizando novas unidades no mercado), a Fox não libera os demais títulos produzidos por Irwin Allen para a TV.

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Deixe nos comentários suas sugestões de postagens de séries clássicas que são publicadas aqui no blog aos domingos (produções da década de 1990 serão publicadas nas sextas). Confiram as postagens anteriores de séries clássicas: 1950, 1960, 1970, 1980, 1990.

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O Filme de Viagem ao Fundo do Mar

"Viagem ao Fundo do Mar" na concepção da Cinemaspy

O sonho de assistir a uma versão cinematográfica de Viagem ao Fundo do Mar/Voyage to the Bottom of the Sea pode não estar tão longe. Os planos estão em andamento desde 2000, quando os produtores Kevin Burns e Jon Jashni fizeram um acordo com Sheilla Allen para se tornarem representantes da obra de Irwin Allen, seu falecido marido. Nesses 10 anos, duas já foram adaptadas para a TV: o piloto The Time Tunnel, produzido em 2002, mas não exibido, e The Robinsons: Lost in Space (2004). Em 2006, o filme Poseidon também renasceu.

Enquanto esses já ganharam nova roupagem, Viagem mantém-se em fase de planos e enfrentando a resistência da Fox. O primeiro roteiro, escrito por Justin Haythe, foi considerado muito simples, não era o espetáculo cinematográfico esperado. Então juntaram-se ao time os roteiristas Matt Greenberg e, mais tarde, Andrew Niccol, que o tornaram mais interessante.

Burns revelou à Cinemaspy que o filme mergulhará na relação entre os dois principais personagens, Lee Crane e o Almirante Nelson, em uma estória que abordará temas cataclísmicos, bem ao estilo de Allen. Embora a ideia possa lembrar o filme de 1961, Burns afirma que essa será uma versão modernizada. Em sua produção, os eventos se desencadeiam de forma mais plausível em um futuro próximo, quando vários campos de petróleo são contaminados por energia nuclear durante um conflito no Oriente Médio. O mundo começa então a enfrentar a escassez de energia e todas as nações saem em busca de recursos.

Durante um processo de extração de petróleo no mar, a perfuração é tão profunda que acaba libertando uma criatura que estivera hibernando por milhões de anos. Para controlar esta crise que envolve energia, instabilidade internacional e uma criatura, entra em cena o Seaview. Nesse filme, o submarino foi construído pelo Almirante Nelson com a ajuda de um homem rico e poderoso, o que dá a Nelson a reputação de eco-terrorista.

Mas Burns garante que, na verdade, Nelson é uma espécie de Capitão Nemo. Após seu envolvimento em guerras, decidiu dar as costas à humanidade e, com o submarino, pretende manter o mar livre da interferência do homem. Crane terá de vencer esta animosidade para que possam trabalhar juntos na missão.

Burns garante que enquanto a nova versão será talhada para o público atual, os antigos fãs podem contar com as características que marcaram a série. E quanto tempo até o sonho se realizar? A questão ainda é uma incógnita. Há quatro meses, um dos diretores da Fox fez cara feia para o projeto, pois não estava disposto a colocar tanto investimento em uma produção semelhante a outras em andamento.

Na época, dois estúdios estudavam a refilmagem de 20 Mil Léguas Submarinas/20,000 Leagues Under the Sea, e James Cameron havia gasto uma fortuna em Avatar. O próximo passo será engajar um diretor importante, alguém que estimule a Fox ou algum outro estúdio.

Texto de Marta Machado (a convite de Fernanda Furquim)

O remake de “The Time Tunnel” pode ser encontrado no Youtube.
Aqui está a 1ª parte.

10/01/2010

às 15:55 \ Televisão

Eles Dominavam a Telinha

Hoje em dia o SBT e a Record estão fazendo sucesso entre o público jovem que, juntamente com a própria imprensa, reage ao fato como se esta fosse a primeira vez que os canais abertos se rendem às séries estrangeiras. Ledo engano. As séries de TV fazem parte do horário nobre da TV brasileira desde que ela chegou ao país nos anos 50.

Nos anos 60, 70 e 80 por exemplo, as séries estrangeiras eram um recurso da TV brasileira para preencher seus horários em função de programas censurados que saíam do ar, ou nem entravam. Neste período, a Globo exibia várias produções policiais como As Panteras/Charlie’s Angles, Kojak, Aquivo Confidencial/The Rockford Files entre outros, que iam ao ar pela vênus platinada logo após a novela das 20h. Tinha também uma sessão que só exibia minisséries.

As séries estrangeiras entravam pela Globo pela manhã, com programação mais infantil; à tarde, com sitcoms na Sessão Comédia, ou de ação e super-heróis na Sessão Aventura, e à noite com séries e minisséries mais adultas. Nos finais de semana, antes dos mal fadados horários de programas de auditório como Faustão tomarem conta do dia inteiro, a programação era preenchida com séries estrangeiras, como Os Waltons/The Waltons , Planeta dos Macacos/Planet of the Apes e O Homem do Fundo do Mar/Man From Atlantis, por exemplo.

Mas não era só a Globo não. Tupi, Excelsior, Record, Manchete, Bandeirantes, SBT, e canais regionais sempre exibiram séries estrangeiras. Na Record era famosa a Sessão Bang Bang, que em horário nobre exibia séries como James West, Big Valley e os três Ls: Lancer, Laramie e Laredo, entre outras.

A partir dos anos 80, após se fazer presente em quase todos os horários da programação brasileira por três décadas, as séries passaram a ser utilizadas pelos canais abertos como recurso para elevar a audiência. Assim, com o fim da ditadura e da censura aos programas brasileiros, estabeleceu-se o seguinte modus operandi: sempre que um canal registra seguidamente baixa audiência, ele coloca no ar séries estrangeiras, as quais são, sabidamente por eles, sucesso de público. Tão logo a audiência se estabiliza, após algum tempo, que pode durar alguns anos, o canal substitui a programação das séries estrangeiras por produtos nacionais. Em geral novelas, programas humorísticos e de auditórios (se bem que atualmente também podem apelar para os reality shows).

Foi assim, afinal, que nós nos tornamos fãs deste formato, muito antes da chegada da TV a cabo ao Brasil, que, nos anos 90, começou a “sugar” toda a produção de séries estrangeiras. Agora elas retornam à TV aberta, em horário nobre, para competir com a TV a cabo, sob a régia de “fato inédito”, …ah tá!

Para relembrar algumas destas produções que povoavam nossa telinha, seguem aqui algumas propagandas divulgadas em jornais e revistas, como a famosa e extinta Intervalo, que era uma espécie de TV Guide brasileira. Clique para ampliar as reproduções.






15/09/2009

às 2:25 \ Séries Anos 1960-1969

Viagem ao Fundo do Mar


Há 45 anos, estreava esse clássico da ficção científica criado por Irwin Allen, com base em seu filme de mesmo nome lançado em 1961 pela Fox. Reaproveitando trajes, cenários, modelos, efeitos e até mesmo trechos do próprio filme, a série começa levando o público ao futuro dos anos 70. Lá conhecemos o fantástico submarino atômico Seaview, projetado pelo Almirante Harriman Nelson (Richard Basehart), chefe do Instituto Nelson de Pesquisas, localizado em Santa Barbara, Califórnia.

Irwin Allen

O magnífico submarino, no entanto, precisava de um gerador de espuma e bolhas para criar a ilusão de tamanho quando cruzava os mares e oceanos, efeito completado com filmagem em câmera lenta. O público de hoje pode até não se impressionar com a produção, mas na época teria custado uma fortuna, não fosse o filme, com o qual Allen já havia feito todo o gasto inicial. Só na construção do Seaview, por exemplo, o orçamento ficaria acima do custo da produção de um piloto completo.


A bordo, o Almirante Nelson contava com uma tripulação composta pelo Capitão Lee Crane (David Hedson), Comandante Chip Morton (Robert Dowdell), Chefe Curly (Henry Kulky, apenas na primeira temporada), Chefe Francis Sharkey (Terry Becker, a partir da segunda temporada), médico (Richard Bull), Sparks (Arch Whiting), e pelos marujos Kowalski (Del Monroe), Patterson (Paul Trinka) e Riley (Allan Hunt), entre outros.

Nelson e Crane


Crane e Chip

Chefe Curly

Chefe Sharkey

Patterson e o doutor

Kowalski e Riley

Sparks

Ao longo de quatro temporadas, o Seaview foi apresentando suas maravilhas, entre elas, o sub-voador, o sino de mergulho, o potente reator com suas perigosas pilhas e a sala de mísseis. Com esses recursos, a tripulação era capaz de enfrentar quaisquer ameaças. Inicialmente, elas refletiam os conflitos da época, como roubo de tecnologia, potências hostis, poluição e destruição nuclear. Eram os tempos da guerra fria, por isso o Almirante embarcava em missões tanto científicas quanto militares.

A partir da segunda temporada, monstros marinhos, alienígenas, fantasmas, múmias, brinquedos assassinos e estranhas criaturas se tornaram temas mais frequentes, pois a ABC desejava episódios mais leves. Para o deleite dos fãs, ela também chegou a cores. O formato resistiu até a quarta temporada, quando a audiência começou a cair e a série foi cancelada. Assim, Viagem ao Fundo do Mar terminou dia 31 de março de 1968, sendo substituída pela nova produção de Irwin Allen, Terra de Gigantes (Land of the Giants), que estreou em 22 de setembro do mesmo ano.

Texto de Marta Machado (a convite de Fernanda Furquim)

Para relembrar, mergulhem nessas fotos.

Elenco e cenas


Por trás das câmeras

Irwin Allen dando instruções
ao fundo, vê-se Richard Basehart

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