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Mark Roberts

17/09/2010

às 14:08 \ Séries Anos 2010-2019

Nova Série – Mike & Molly e a Obesidade

O universo das séries de TV americanas explorou na última década histórias estreladas pelos ‘excluídos’ da sociedade. Nerds e estrangeiros foram os principais alvos das produções seriadas, tanto dramáticas quanto comédias, em especial as séries voltadas para adolescentes.

Geralmente, os ‘esquisitos’ são coadjuvantes, os melhores amigos dos personagens principais, que têm aparências, personalidades e futuros garantidos, mas que, muitas vezes, não sabem como colocar em prática ‘as bençãos’ recebidas. Cabe aos ‘esquisitos’ mostrar-lhes o caminho. Nesse grupo enquadram-se os personagens gordinhos, ou obesos, que vivem através das alegrias e tristezas do melhor amigo magrinho(a).

A cultura do corpo esquelético teve início na década de 60 quando a modelo inglesa Twiggy transformou-se em uma superstar por sua aparência andrógena. A partir daí, as mulheres volumosas, ao estilo Marilyn Monroe, foram, aos poucos, saindo de moda. Na década de 80, com o surgimento das supermodelos, o culto à aparência e consequentemente do peso ganhou impulso tornando a bulimia e a anorexia doenças de conhecimento público.

Na TV, a obesidade sempre foi um problema. Na década de 50 a produção seriada era dividida entre aquelas estreladas por atores que vinham do rádio e aquelas estreladas por modelos selecionados em capas de revistas, dublês ou aspirantes a atores de cinema que não tinham conseguido uma chance na tela grande. Também existiam produções estreladas por famosos de Hollywood que já não conseguiam mais atrair bilheteria e que, por isso, migravam para as séries de TV.

Foram raras as vezes em que uma série foi estrelada por atores obesos. Entre elas, “Honeymooners”, “”Cannon”, “Jake e McCabe”, “Roseanne”, “Fat Actress”, “Less Than Perfect”, “Drop Dead Diva”, “According to Jim” e  “Sherri”. Também tem alguns desenhos animados, como  “Fat Albert” ou “Uma Família da Pesada”. Algumas lidaram com a questão da obesidade, outras ignoraram o fato, explorando outras possibilidades de roteiros.

Nessa última década, o sucesso de reality shows como “The Biggest Loser” mostraram aos canais o potencial de interesse da audiência por esse tema para as séries ficcionais. Não é à toa que nesse mesmo ano tenha estreado no canal ABC Family a série “Huge“, voltada para o público adolescente, que trata da obesidade infanto-juvenil. Agora a TV aberta investe em uma sitcom para adultos, com a qual se propõe a abordar o tema de forma cômica sem, contudo ‘levantar bandeiras’.

A proposta de “Mike & Molly” é apresentar o cotidiano de personagens obesos que, apesar de buscarem uma forma de controlarem o peso, mantém a rotina de suas vidas e afazeres, tentando realizar seus sonhos e alcançar a felicidade. No entanto, o piloto não agradou a crítica americana, que aponta personagens, situações e piadas previsíveis como fatores que tornam a sitcom uma forte candidata ao cancelamento.

Na história, Mike Biggs (Billy Gardell, de “My Name is Earl”) é um policial obeso que busca a ajuda do grupo Overeaters Anonymous, uma espécie de Vigilantes do Peso, que oferece um programa em 12 etapas para controlar  compulsão por comida. Lá, ele conhece Molly Flynn (Melissa McCarthy, de “Gilmore Girls” e “Samantha Who?”), uma professora primária. Os dois começam a namorar, enfrentando juntos os preconceitos em torno de suas medidas além dos problemas que geralmente surgem entre casais que estão recém se conhecendo.

Molly vive com a mãe Joyce (Swoosie Kurtz, de “Pushing Daisies”) e com a irmã Victoria (Katy Mixon), duas pessoas que comem de tudo e não engordam, o que deixa Molly desesperada, especialmente quando tenta fazer regime. Já Mike conta com o apoio de Carl McMillan (Reno Wilson), seu colega de trabalho, que apesar de fazer comentários irônicos sobre seu peso, está sempre apoiando suas decisões. Outro amigo de Mike é Samuel (Nyambi Nyambi), o garçon do restaurante que ele frenquenta, que não entende os motivos pelos quais seu melhor cliente deseja emagrecer.

Criada por Mark Roberts, a série é uma produção de Chuck Lorre, ambos de “The Big Bang Theory” e “Two and a Half Men”. O projeto foi desenvolvido para o canal CBS, que encomendou o piloto em dezembro de 2009. Em maio de 2010 o canal transformou o projeto em série de TV, com a encomenda de 13 episódios iniciais para a primeira temporada. Com “Mike & Molly”, Chuck Lorre terá três séries no ar, sendo que nenhuma delas faz parte de uma franquia.

“Mike & Molly” estreia nos EUA no dia 20 de setembro. Ainda não há previsão de quando será exibida no Brasil.

Com a produção seriada começando a explorar o estilo de vida de pessoas obesas, a televisão se propõe, através da ficção, discutir um tema que é uma preocupação constante para a sociedade americana. Estatisticas revelam que cerca de dois terços da população americana é obesa, sendo que o estado do Mississippi vem liderando o ranking nos últimos anos. O excesso de comida gordurosa, enlatados, fast foods e a falta de exercícios estão levando os americanos a um alto índice de mortalidade por obesidade ou doenças provocadas pelo aumento de peso.

Os gastos do governo com programas de saúde e conscientização incluem o programa “Let’s Move“, que tem como objetivo eliminar ou reduzir a obesidade infantil, lançado em  fevereiro desse ano pela Primeira Dama Michelle Obama.

Preview da série apresentado por Jim Belushi e Jerry O’Connell, que estrelam “The Defenders”, outra nova série da CBS, sobre a qual falarei em outra postagem.

 

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