‘Homeland’ estreia no Brasil
Esta noite estreia no Brasil Homeland, versão americana de uma produção israelense, que em sua primeira temporada já conquistou o prêmio Golden Globe para melhor série e melhor atriz dramática.
Criada por Gideon Raff a série adaptada por Howard Gordon e Alex Gansa narra a história de dois personagens que, cada um à sua maneira, lutam para manter a sanidade mental em meio às situações em se envolvem. Carrie Mathison (Claire Danes) é uma agente da CIA obcecada pelo seu trabalho. Ela é uma das responsáveis por identificar e caçar terroristas em território americano.
Ao receber uma informação de que um americano foi convertido e seria agora parte de uma célula terrorista, Carrie conclui que esse homem é Nicholas Brody (Damian Lewis), fuzileiro resgatado após ser mantido prisioneiro pela Al-Qaeda por oito anos. Brody, por sua vez, é um homem que, após ser resgatado e recebido como herói, tenta se readaptar à sua vida e se reconectar com a esposa e seus dois filhos, estranhos para ele.
Ao longo da temporada, Carrie tenta provar que Brody é um terrorista, chegando a assumir um comportamento de stalker ou mesmo de terrorista da liberdade individual. Sem ter provas concretas, seus superiores não acreditam nela. Em vários momentos, a própria Carrie tem dúvida, mas nada disso a impede de continuar em sua busca obsessiva por um sinal ou uma evidência concreta. O telespectador acompanha o desespero de Carrie, bem como a luta de Brody para tentar se readaptar, também sem a certeza de que ele seja realmente terrorista.
No elenco da série também estão Mandy Patinkin e Morena Baccarin, atriz que nasceu no Brasil, mas desde pequena vive nos EUA. Ela é conhecida do público por seus trabalhos em séries como Firefly e o remake de V, no qual interpretou a alienígena Anna. Esta semana, Morena esteve no Brasil para divulgar a estreia de Homeland, série na qual interpreta Jessica Brody, esposa do fuzileiro resgatado.
Morena não foi a primeira atriz a interpretar a personagem. Um piloto chegou a ser produzido com Laura Fraser no papel de Jessica. Laura, que estrelou a primeira temporada da série inglesa Lip Service, deixou o elenco de Homeland depois que a produção britânica foi renovada para sua segunda temporada. Em seu lugar, os produtores escolheram Morena, que tem conseguido conquistar elogios da crítica por seu desempenho na série.
Pouco sabemos de Jessica na primeira temporada de Homeland. Neste primeiro momento vemos uma mulher que entra em conflito com seus sentimentos e seu senso de honra, quando o homem que pensava estar morto volta a fazer parte de sua vida. ”Jessica sente muita culpa por ter traído o marido”, disse Morena na coletiva de imprensa que reuniu jornalistas em São Paulo. “Mas por outro lado, ela esperou seis anos para que ele voltasse, antes de aceitar a ideia de que ele tinha morrido”.
Mulher dedicada à família, sentindo-se culpada por não ter sido fiel ao marido, homem que conheceu ainda adolescente e com quem teve dois filhos, Jessica finge não se importar com os problemas que seu retorno provoca. Buscando eliminar as dificuldades para que a vida em família volte a ser como era antes, ela coloca seus próprios problemas e processo de readaptação em segundo plano. ”Ela é uma pessoa sozinha na relação”, diz Morena sobre Jessica. “O mesmo acontece com Brody. Os dois são vítimas da guerra. São pessoas fortes, mas que às vezes não aguentam a pressão”. A relação de Jessica com os filhos, especialmente com Dana (Morgan Saylor), a mais velha, também não é fácil. Mantendo um certo distanciamento emocional, ela tenta criar uma atmosfera de família unida.
A primeira temporada não chega a explorar a intimidade da personagem fora do ambiente familiar, dedicando-se a estabelecer os personagens de Claire e Damian. Desta forma, o telespectador não a vê na companhia de amigas com as quais possa conversar e dividir a carga que carrega, nem tampouco a vemos em seu local de trabalho. “Espero que na segunda temporada a produção dê mais espaço para Jessica”, disse Morena. “Eu com certeza gostaria disso!”.
Segundo a atriz, um dos roteiristas da série é um militar britânico que ajudou na composição do personagem interpretado por Damian. “Ele disse que na guerra os homens se tornam animais, perdem o contato com os sentimentos”, comenta Morena. Essa ideia é passada ao público ao longo dos episódios de Homeland.
A versão americana difere da original, na qual três soldados eram feitos prisioneiros, mas apenas dois retornam. “Não assisti à produção israelense”, diz Morena, “mas pelo que sei ela é mais voltada para a história dos soldados e da guerra, a americana dá mais atenção à relação com a família”.
Em sua primeira temporada, a série teve uma excelente receptividade crítica. Em termos de audiência, Homeland registrou a média de 1.24 milhões de telespectadores ao vivo, nos EUA, onde é exibida pelo canal a cabo Showtime. Vendida a mais de 20 países, a série também tem conseguido ser bem recebida pelo público e pela crítica por apresentar uma situação fácil de ser reconhecida pelo telespectador.
Em tempos de alertas a ataques terroristas, o público aprendeu a entender a obsessão de Carrie, bem como a situação dúbia de Brody. No Brasil, onde esse tipo de ameaça não faz parte da nossa rotina, a série não perde seu propósito. “O brasileiro tem uma história complicada com a figura do político”, diz Morena, “o que o leva a desconfiar de sua integridade e de suas intenções. É essa percepção que a série busca para o personagem de Brody. Devemos ou não confiar nele?”.
A situação de Brody é esclarecida ainda na primeira temporada, sendo que as demais devem lidar com o desdobramento da situação. ”Não dá para segurar as surpresas por muito tempo. É um tipo de série que deve durar três ou quatro temporadas”, diz Morena.
A primeira temporada de Homeland é composta de doze episódios. Sua estreia acontece esta noite pelo canal FX às 22h. Já renovada para sua segunda temporada, também com doze episódios, a produção terá início no mês de maio com locações na Carolina do Norte e talvez em Israel. Segundo Morena, a história não terá continuação do ponto em que parou, mas cerca de um ou dois anos depois.
Mais informações sobre a série aqui.
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