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Homeland

04/03/2012

às 10:57 \ Entrevistas, Séries Anos 2010-2019

‘Homeland’ estreia no Brasil

Esta noite estreia no Brasil Homeland, versão americana de uma produção israelense, que em sua primeira temporada já conquistou o prêmio Golden Globe para melhor série e melhor atriz dramática.

Criada por Gideon Raff a série adaptada por Howard Gordon e Alex Gansa narra a história de dois personagens que, cada um à sua maneira, lutam para manter a sanidade mental em meio às situações em se envolvem. Carrie Mathison (Claire Danes) é uma agente da CIA obcecada pelo seu trabalho. Ela é uma das responsáveis por identificar e caçar terroristas em território americano.

Ao receber uma informação de que um americano foi convertido e seria agora parte de uma célula terrorista, Carrie conclui que esse homem é Nicholas Brody (Damian Lewis), fuzileiro resgatado após ser mantido prisioneiro pela Al-Qaeda por oito anos. Brody, por sua vez, é um homem que, após ser resgatado e recebido como herói, tenta se readaptar à sua vida e se reconectar com a esposa e seus dois filhos, estranhos para ele.

Ao longo da temporada, Carrie tenta provar que Brody é um terrorista, chegando a assumir um comportamento de stalker ou mesmo de terrorista da liberdade individual. Sem ter provas concretas, seus superiores não acreditam nela. Em vários momentos, a própria Carrie tem dúvida, mas nada disso a impede de continuar em sua busca obsessiva por um sinal ou uma evidência concreta. O telespectador acompanha o desespero de Carrie, bem como a luta de Brody para tentar se readaptar, também sem a certeza de que ele seja realmente terrorista.

No elenco da série também estão Mandy Patinkin e Morena Baccarin, atriz que nasceu no Brasil, mas desde pequena vive nos EUA. Ela é conhecida do público por seus trabalhos em séries como Firefly e o remake de V, no qual interpretou a alienígena Anna. Esta semana, Morena esteve no Brasil para divulgar a estreia de Homeland, série na qual interpreta Jessica Brody, esposa do fuzileiro resgatado.

Morena não foi a primeira atriz a interpretar a personagem. Um piloto chegou a ser produzido com Laura Fraser no papel de Jessica. Laura, que estrelou a primeira temporada da série inglesa Lip Service, deixou o elenco de Homeland depois que a produção britânica foi renovada para sua segunda temporada. Em seu lugar, os produtores escolheram Morena, que tem conseguido conquistar elogios da crítica por seu desempenho na série.

Pouco sabemos de Jessica na primeira temporada de Homeland. Neste primeiro momento vemos uma mulher que entra em conflito com seus sentimentos e seu senso de honra, quando o homem que pensava estar morto volta a fazer parte de sua vida. ”Jessica sente muita culpa por ter traído o marido”, disse Morena na coletiva de imprensa que reuniu jornalistas em São Paulo. “Mas por outro lado, ela esperou seis anos para que ele voltasse, antes de aceitar a ideia de que ele tinha morrido”.

Mulher dedicada à família, sentindo-se culpada por não ter sido fiel ao marido, homem que conheceu ainda adolescente e com quem teve dois filhos, Jessica finge não se importar com os problemas que seu retorno provoca. Buscando eliminar as dificuldades para que a vida em família volte a ser como era antes, ela coloca seus próprios problemas e processo de readaptação em segundo plano. ”Ela é uma pessoa sozinha na relação”, diz Morena sobre Jessica. “O mesmo acontece com Brody. Os dois são vítimas da guerra. São pessoas fortes, mas que às vezes não aguentam a pressão”. A relação de Jessica com os filhos, especialmente com Dana (Morgan Saylor), a mais velha, também não é fácil. Mantendo um certo distanciamento emocional, ela tenta criar uma atmosfera de família unida.

Morena Baccarin durante coletiva em São Paulo

A primeira temporada não chega a explorar a intimidade da personagem fora do ambiente familiar, dedicando-se a estabelecer os personagens de Claire e Damian. Desta forma, o telespectador não a vê na companhia de amigas com as quais possa conversar e dividir a carga que carrega, nem tampouco a vemos em seu local de trabalho. “Espero que na segunda temporada a produção dê mais espaço para Jessica”, disse Morena. “Eu com certeza gostaria disso!”.

Segundo a atriz, um dos roteiristas da série é um militar britânico que ajudou na composição do personagem interpretado por Damian. “Ele disse que na guerra os homens se tornam animais, perdem o contato com os sentimentos”, comenta Morena. Essa ideia é passada ao público ao longo dos episódios de Homeland.

A versão americana difere da original, na qual três soldados eram feitos prisioneiros, mas apenas dois retornam. “Não assisti à produção israelense”, diz Morena, “mas pelo que sei ela é mais voltada para a história dos soldados e da guerra, a americana dá mais atenção à relação com a família”.

Em sua primeira temporada, a série teve uma excelente receptividade crítica. Em termos de audiência, Homeland registrou a média de 1.24 milhões de telespectadores ao vivo, nos EUA, onde é exibida pelo canal a cabo Showtime. Vendida a mais de 20 países, a série também tem conseguido ser bem recebida pelo público e pela crítica por apresentar uma situação fácil de ser reconhecida pelo telespectador.

Em tempos de alertas a ataques terroristas, o público aprendeu a entender a obsessão de Carrie, bem como a situação dúbia de Brody. No Brasil, onde esse tipo de ameaça não faz parte da nossa rotina, a série não perde seu propósito. “O brasileiro tem uma história complicada com a figura do político”, diz Morena, “o que o leva a desconfiar de sua integridade e de suas intenções. É essa percepção que a série busca para o personagem de Brody. Devemos ou não confiar nele?”.

A situação de Brody é esclarecida ainda na primeira temporada, sendo que as demais devem lidar com o desdobramento da situação. ”Não dá para segurar as surpresas por muito tempo. É um tipo de série que deve durar três ou quatro temporadas”, diz Morena.

A primeira temporada de Homeland é composta de doze episódios. Sua estreia acontece esta noite pelo canal FX às 22h. Já renovada para sua segunda temporada, também com doze episódios, a produção terá início no mês de maio com locações na Carolina do Norte e talvez em Israel. Segundo Morena, a história não terá continuação do ponto em que parou, mas cerca de um ou dois anos depois.

Mais informações sobre a série aqui.

Cliquem nas fotos para ampliar.

As 10 Melhores Séries de 2011

Chegou a hora de listar as produções seriadas que se destacaram ao longo do ano.

Ao contrário de 2010, foi difícil completar a lista das 10+ de 2011. Acredito que muitos irão concordar comigo quando digo que o ano foi muito fraco para a TV americana. Promessas não cumpridas e retornos abaixo das expectativas predominaram no mundo das séries.

As aparências foram mais importantes que o conteúdo. Diálogos didáticos ou excessivamente expositvos e abordagens que remontam à década de 1980 predominaram, bem como personagens, situações e propostas já vistas em outras produções foram reformuladas para dar cara nova às séries. As comédias retomaram o humor ingênuo, generalizando situações em torno de temas, alguns dos quais já exaustivamente explorados. Espero que as melhores estreias tenham sido agendadas para 2012.

Muitos poderão questionar as razões pelas quais não incluí suas séries favoritas na lista Top 10 de 2011. A resposta é simples: a lista é elaborada de acordo com a minha opinião do que é uma boa série de TV. Ela não é o resultado de um concurso de popularidade ou um apanhado geral das maiores audiências do ano. As produções foram selecionadas com base em suas propostas, bem como no desenvolvimento dos personagens e situações.

A lista inicia com as produções que, em minha opinião, se destacaram. No final da postagem encontram-se as séries que, embora não tenham entrado na lista das 10+, também são produções que valeram a pena assistir. Este ano começo a incluir na lista as minisséries, formato que faz parte do conteúdo deste blog, mas por falha minha não foram lembradas na postagem das melhores de 2010. Algumas produções ainda não chegaram ao Brasil, mas já estão disponíveis no mercado internacional.

Gostaria de lembrar que “Mad Men”, uma das melhores séries da atualidade, não consta da lista porque em 2011 não ofereceu episódios novos. Em função de uma disputa contratual, ela perdeu um ano em sua sequência de produção, retornando com sua 5ª temporada em 2012.

1. The Slap – Minissérie – Drama

Esta é uma produção australiana com base no bestseller de Christos Tsiolkas, dividida em oito episódios. Durante um churrasco que reúne familiares e amigos, Harry, primo do dono da casa, dá um tapa no rosto de Hugo, uma criança de três anos que vinha se comportando mal sem ter sido repreendida pelos pais. Este é o ponto de partida para narrar a vida de oito personagens, que reagem cada um à sua maneira à atitude de Harry. Cada episódio é protagonizado por um dos personagens.

Trata-se de uma belíssima obra que retrata de forma delicada a trajetória de cada personagem sem tomar partido, seja em relação ao tapa ou ao estilo de vida de cada um. Ninguém está 100% certo ou errado. São pessoas que vivem de acordo com suas opiniões e seus desejos, independentemente da necessidade de se tornarem simpáticas diante dos olhos de terceiros.

As opiniões e atitudes de cada um se contrastam: o homem que é escravo da família (Hector) x o homem que escraviza a família (Harry); a mulher presa às responsabilidades (Aisha) x a mulher que foge de responsabilidades (Anuk); o pai que ‘perdeu a voz’ (Manolis) x a mãe que sempre se faz ouvir (Rose); a adolescente que busca o amor (Connie) x o jovem que esconde e sufoca seus sentimentos (Richie).

2. Forbrydelsen  - 1ª Temporada – Drama 

Esta é uma produção dinamarquesa que gerou a série americana conhecida como “The Killing”. Mas, como a maioria dos remakes, a versão americana está muito abaixo da qualidade do original. Embora a primeira temporada de “Forbrydelsen” tenha sido produzida em 2007, ela somente ficou disponível para o mercado internacional em 2011.

Em 20 episódios da primeira temporada, a história acompanha as investigações em torno do assassinato de uma jovem sob circunstâncias que levam a diferentes interpretações. A narrativa divide-se entre o trabalho da polícia, comandado por Sarah Lund, e a vida pessoal de cada personagem envolvido de alguma forma com o crime ou com as investigações.

Lentamente, e de forma simples, o cenário sentimental desta série vai se formando em torno dos fatos que são revelados a cada episódio. Emoção e razão convivem de forma equilibrada, sem muito melodrama ou protecionismo por parte dos roteiristas. Através de olhares, gestos ou diálogos rotineiros, tomamos conhecimento de relacionamentos complexos e com um longo histórico, os quais não são solucionados simplesmente porque a investigação, que predomina na trama, encerrou. Meu comentário sobre a temporada está aqui.

Na segunda temporada, a série traz 10 episódios que reduzem a abordagem do lado pessoal dos personagens, embora ainda esteja presente. O foco principal é a investigação em torno do assassinato de uma advogada.

3. Men of a Certain Age – 2ª e Última Temporada – Drama

Uma das minhas decepções é a tendência atual da TV a cabo de se aproximar da TV aberta. Quando começou a produzir na década de 1990, a TV a cabo veio com uma proposta de se tornar uma alternativa para as produções oferecidas pela rede aberta. Seu sucesso forçou a TV aberta a buscar programas mais complexos e com um desenvolvimento de personagens mais profundo, que pudessem competir com o que era oferecido no cabo.

Por cerca de 10 anos ela conseguiu se manter nesse caminho, oferecendo séries com temáticas voltadas para diferentes segmentos de público. Como resultado, produções com baixa audiência conseguiram sobreviver. Aos poucos, com algumas exceções, a TV a cabo vem mudando esse perfil. Ela começou a adotar como critério de produção a medição do nível de audiência que se tornou determinante na renovação de uma série. No entanto, não é o público que a TV a cabo formou que decide o futuro de um programa, mas aquele que dá audiência à rede aberta e que também se tornou alvo dos canais a cabo. Nada contra séries de puro entretenimento, com histórias leves e desenvolvimento controlado, desde que elas não predominem, em especial na TV a cabo.

Digo tudo isso porque “Men of a Certain Age”, que por incrível que pareça surgiu na TNT, um canal que vem adotando a cada ano que passa um perfil mais popular, foi cancelada por baixa audiência para dar lugar à nova versão de “Dallas”. Para os fãs, resta a ideia de que pelo menos tivemos a oportunidade de conhecer a série.

Esta é uma das mais belas produções dos últimos anos sobre a crise da meia idade. Com uma abordagem simples e intimista ela apresenta personagens que aos poucos vão se conscientizando da passagem do tempo e do rumo que suas vidas seguiram. A princípio, eles adotam uma postura derrotista mas, lentamente, cada um ao seu próprio tempo, começa a perceber que ainda dá tempo de criar um novo futuro. A segunda temporada traz uma espécie de despedida dos personagens, já que o último episódio conseguiu oferecer, de certa forma, uma definição das situações protagonizadas por eles.

4. Breaking Bad – 4ª Temporada – Drama

Ao lado de “Mad Men”, esta série consegue manter a credibilidade do canal americano AMC, que em suas últimas estreias vem optando por uma linguagem mais popular e caricata. Renovada para sua última temporada, a série promete entrar para a história da televisão como mais uma produção que conseguiu manter sua qualidade e objetivos do começo ao fim.

A história tem início quando um pacato professor entra na vida do crime depois que descobre sofrer de câncer. A partir daí, inicia-se uma jornada que é uma verdadeira montanha-russa. Cheia de altos e baixos, Walter se arrisca constantemente, conseguindo ficar fora do alcance da polícia. Tentando manter o controle de sua vida e daqueles que o cercam, Walter descobre que isto nem sempre é possível.

Nesta quarta temporada ele, por algum tempo, perde esse controle. Sob o jugo de Gus, Walter é ‘aprisionado’. Mas como se domestica um redemoinho? Acreditando que ainda mantém o controle, Walter primeiro tenta manipular e depois mede forças com Gus. Sem resultados, ele entra no processo de ebulição que irá explodir no final.

Enquanto isso, a temporada destaca os demais personagens, como Gus e sua história, bem como sua tentativa de separar Walter e Jesse. Este sofre uma crise de identidade colocando em dúvida sua amizade e sua fé em Walter. Já Skyler revela ser perfeitamente capaz de cometer seus delitos em nome da sobrevivência. Imagino se no final o confronto será entre Walter e Hank ou se entre Walter e Skyler.

5. Him & Her - 2ª Temporada – Dramédia

Esta é uma série inglesa que já figurava em minha lista do ano passado, na categoria Vale a Pena Conferir. Ela não é uma produção que cai fácil no gosto popular mas, para quem procura algo mais que bordões e caricaturas, “Him & Her” é uma boa opção.

A série é essencialmente uma peça de teatro. Presa a um único cenário, a história transcorre em um pequeno apartamento dividido em quatro cômodos: o hall de entrada, a cozinha, o quarto e o banheiro. Dependendo da posição em que está, a câmera consegue mostrar todos os cômodos de uma só vez. Em outros casos, a câmera abre, apresentando simultaneamente o que acontece em dois cômodos, com a tela dividida por uma parede. Em alguns episódios o cenário também inclui o corredor, que fica em frente ao apartamento onde os protagonistas vivem. Ao longo da série vemos episódios que retratam situações típicas da narrativa teatral, como a construção do imaginário do público através de relatos que os personagens fazem da vida lá fora, e o entra e sai de personagens em um único ambiente.

Com uma narrativa naturalista, a série traz uma abordagem que segue a linha perpetuada por Samuel Beckett no teatro, com personagens vivendo o nada mas revelando muito. Em “Him & Her” ninguém está à espera de Godot, nem tampouco da morte, embora a história também seja centrada em dois vagabundos que em sua rotina entediante demonstram não ter entusiasmo pela vida ou objetivos a serem alcançados. No elenco também está o casal formado por Laura e Paul, ela irmã de Becky, uma jovem dominadora e egocêntrica, ele um noivo submisso.

Por opção, o casal formado por Becky e Steve se sustenta com os benefícios do governo. Sem trabalhar, os dois passam o dia dentro do apartamento tentando fazer apenas o que gostam: transar, assistir DVD e jogar games. Eles saem pouco e quando isto ocorre é, geralmente, por obrigação. Em contrapartida, os familiares e amigos insistem em bater à porta do casal se intrometendo em sua vida, algo que ocorre com mais frequência na segunda temporada.

6.  Rev. – 2ª Temporada – Dramédia

Esta é outra produção britânica que constava de minha lista de 2010, categoria Vale a Pena Conferir, que nesta segunda temporada amadureceu.

A história gira em torno de Adam, um Reverendo anglicano e sua relação com a paróquia, colegas de trabalho e sua esposa, que deseja engravidar. Inseguro, muitas vezes ingênuo, mas com uma grande vontade de ajudar o próximo, esse homem de Deus revela ser um ser humano como qualquer outro. Cheio de fraquezas, ele se vê confrontado por questões existenciais que se apresentam na rotina do dia a dia. Seu maior obstáculo é ele mesmo.

Tal como ocorre com outras produções da Inglaterra, “Rev.” tem a liberdade de explorar temas que nos EUA seriam considerados tabus, especialmente para a TV aberta. O principal deles é a religião, que ainda é evitada por diversas produções mundo afora. Na série são discutidas de forma simples, mas abertamente, situações como a estrutura política e administrativa da igreja anglicana, sua relação com as demais religiões, bem como com a sociedade.

A série também abrange temas como a solidariedade, a homossexualidade dentro da igreja, o culto às celebridades e à mídia, o uso de drogas e a dependência aos vícios, exorcismo, fé, burocracia, preconceito, a educação de jovens, e a pedofilia, que além de comentada também é vista de forma simbólica como na cena em que Adam, vestindo uma batina, persegue Enid no parque, que corre gritando como se estivesse sendo atacada.

 7. Treme – 2ª Temporada – Drama

Esta é uma produção que exemplifica o que a TV a cabo era quando surgiu. Voltada a um segmento de público específico, mantendo baixa audiência, a série da HBO consegue ser renovada para novas temporadas, sem sofrer pressão do canal para popularizar sua narrativa com o objetivo de atrair o interesse de um público maior.

A série traz uma história com conteúdo pessoal, significativo e atual: a cultura regional em contraste com a globalização cultural.

A segunda temporada desta série teve um único problema: as cenas dramáticas ficaram perdidas na quantidade exagerada de números musicais. Mas, ainda assim, conseguiu se manter fiel à sua proposta, desenvolvendo mais a fundo sua história e a complexidade de seus personagens, os quais começaram a se desprender de suas raízes e de seu passado para tentar reconstruir suas vidas.

Com isso, alguns se perdem no meio do caminho, abandonando suas crenças e dando as costas à sua cultura. Outros buscam alternativas para manter seu amor e sua fé na cultura de Nova Orleans e na importância que ela tem para a sociedade em que vivem.

8. Justified – 2ª Temporada – Drama 

Esta é uma produção da qual não esperava gostar, embora seja fã de faroestes. Quando anunciaram a série como um faroeste moderno, torci o nariz. Logo concluí que seria apenas mais uma produção policial com narrativa procedimental estrelada por um agente federal que usa chapéu de cowboy. Nada disso. Embora esses elementos se façam presentes, a série traz uma belíssima construção de personagens que conduzem a história e não vice-versa.

Nesta segunda temporada, “Justified” trouxe uma das mais belas personagens que já vi nos últimos anos. Mags Bennett é uma espécie de Ma Parker. Uma mulher que, com a ajuda dos filhos, mantém um negócio de bebida clandestina. Mas ela é ambiciosa e ao longo dos episódios busca expandir seus negócios para outras áreas.

Esta temporada se aprofundou na história do condado e o valor afetivo que o lugar tem para os moradores que nasceram e cresceram na região. A trama também explorou a forma como os relacionamentos do passado determinam o comportamento no presente. Raylan passou por cima de seus princípios para ajudar Winona e, como inimigos cordiais, Mags e seus filhos mantiveram uma distância respeitável de Raylan e sua família, ao menos enquanto foi possível.

A atriz Margo Martindale rouba todas as cenas em que aparece, mas nem por isso o restante do elenco fica diminuído. Ao contrário, os atores que contracenaram com ela ganharam com sua presença. Juntos eles construíram cenas belíssimas, transformando a temporada em um prazer de se acompanhar, embora os personagens tenham sido melhor desenvolvidos que a trama proposta.

9. Boardwalk Empire - 2ª Temporada – Drama

A série é situada na década de 1920, iniciando sua trama logo após a decretação da Lei Seca. Embora o foco principal seja o contrabando de bebidas, “Boardwalk Empire” é uma série sobre proibições e transgressões, as quais são vistas em diversos níveis. O contrabando e a luta pelo poder é apenas o ponto de partida e uma referência prática para contar a história de personagens que se envolvem em diferentes situações, as quais os obrigam a tomar decisões. Geralmente a resposta encontrada por eles é a de transgredir as leis, sejam as do homem ou as de Deus. A forma como realizam essas transgressões, ou tentam evitá-las, e a maneira como lidam com as consequências compõem a trama.

Ao longo da história alguns personagens, que tinham uma forma de vida clara e objetiva, começam a se perder; outros que estavam perdidos começam a se questionar e a buscar alternativas de vida. Mas, em todos os casos, cada um deles precisa romper com padrões enraizados, tomando decisões que, para o estilo de vida que seguiam, podem ser consideradas amorais ou proibitivas. Ninguém é inocente ou puro para ser poupado das transformações que sofrem ou de suas consequências.

A segunda temporada explorou mais a fundo o passado, a solidão e as motivações de personagens, alguns dos quais se despediram do público. A temporada encerra uma etapa da história, introduzida no início da série. Foi feita uma limpa entre os personagens, levando a história a sofrer uma reestrutura.

O mais importante é que Nucky deixou de ser apenas um personagem que reage às situações que se apresentam para assumir de fato sua posição como gângster. Ao eliminar o representante da chamada ‘geração perdida’, Nucky desceu do muro. Sua transgressão terá consequências, uma das quais poderá ser o surgimento de uma nova inimiga, talvez mais poderosa que o Comodoro: Gillian.

10. Homeland – 1ª Temporada – Drama 

Acredito que ainda seja cedo para dizer se esta série chegou para ficar, mas em sua primeira temporada, “Homeland” conseguiu se estabelecer como uma das melhores estreias de 2011. A série é uma versão americana de uma produção israelense. Seguindo a linha de “24 Horas”, “Homeland” trabalha a questão do terrorismo.

Embora se mantenha no nível de um thriller de espionagem, tomando liberdades criativas para narrar sua história, a série consegue oferecer personagens e situações que os transformam em algo mais que simples protagonistas de uma ação.

O tema principal é a relação entre terrorismo e doença. A personagem central é Carrie. Diagnosticada como bipolar, ela é capaz de identificar padrões de comportamento. Poucos acreditam nela, o que a faz assumir uma postura neurótica e de stalker para provar suas teorias. Esta mulher, dependente de drogas prescritas, representa seu país, vendo em qualquer pessoa ou situação um terrorista em potencial. Desta forma, ela justifica suas ações, mesmo quando protagoniza um ataque pessoal à liberdade daqueles que estão sob suspeita.

Em segundo plano temos Brody, um fuzileiro resgatado do Afeganistão que teve sua mente abalada ao longo dos oito anos em que foi prisioneiro. Prefiro não comentar o  personagem para não passar spoilers, mas vale a pena dizer que ambos são, de alguma forma, constantemente traídos e pressionados a reagir, cada um à sua maneira, às situações que se apresentam diante deles.

A cada episódio é revelado um pouco mais sobre esse universo e seus personagens, terminando sempre com uma situação que leva o telespectador a querer saber o que vem depois.

Outras séries que valeram a pena conferir em 2011. A relação abaixo segue a ordem alfabética:

Comédia: 30 Rock, Curb Your Enthusiasm, Modern Family, Parks and Recreation.

Dramédia: The Big C, Bored to Death, Californication, Divã, Enlightened, Episodes, Friday Night Dinner, Louie, Shameless, Sirens, Secret Diary of a Call Girl, Twenty Twelve, Weeds.

Drama: Boss, Case Sensitive, The Closer, Friday Night Lights, The Good Wife, Sons of Anarchy.

Ficção/Fantasia: Doctor Who, Fringe, Game of Thrones.

Minisséries: Black Mirror, The Crimson Petal and the White, The Shadow Line, The Sinking of Laconia, Women in Love, The Yard.
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Por Fernanda Furquim: @fer_furquim
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13/11/2011

às 10:33 \ Curiosidades, Séries Anos 2010-2019

Damian Lewis Canta na Festa de Homeland

A equipe técnica e de atores de “Homeland” se reuniu para celebrar o encerramento da produção dos episódios de sua primeira temporada, que ainda está sendo exibida nos EUA pelo canal Showtime.

Durante a festa, Damian Lewis, que interpreta o oficial Nicholas Brody, resgatado no Afeganistão após oito anos de aprisionamento e torturas, subiu ao palco para cantar a música “Should I Stay or Should I Go?”, música do grupo inglês The Clash. Com um forte sotaque britânico, que ele disfarça na série, o ator dedicou a música à sua agente da CIA favorita (Claire Danes), presente na primeira fila da platéia.

A música faz referência à instabilidade emocional de uma mulher e sua relação com um homem que quer saber se deve ficar com ela ou não.

O vídeo foi gravado por uma das pessoas presentes, que deve ter usado uma câmera doméstica, e postado no You Tube. Por isso a imagem não está 100%, mas vale pela curiosidade.

A primeira temporada de “Homeland” é composta de 12 episódios, dos quais já foram exibidos seis. Em outubro, a série foi renovada para sua segunda temporada, com mais 12 episódios.

26/10/2011

às 14:46 \ Séries Anos 2010-2019, Séries Renovadas

Homeland Terá 2ª Temporada

Uma das melhores estreias da temporada 2011-2012, “Homeland” já garantiu sua segunda temporada, que terá 12 episódios. O anúncio foi feito esta tarde pelo canal Showtime. Com isso, a série é a segunda da nova temporada a garantir sua continuidade. A primeira é “Boss“.

Adaptada por Howard Gordon e Alex Gansa de uma produção israelense, “Homeland” é estrelada por Claire Danes, Damian Lewis e Mandy Patinkin, entre outros. A série estreou no dia 2 de outubro nos EUA conquistando a média de 4.4 milhões de telespectadores (somando as reprises e a disponibilização online).

Tendo exibido apenas quatro episódios até o momento, dos 12 encomendados para a primeira temporada, o canal não informa a audiência conquistada pelos demais episódios, somando as reprises. Mas, segundo a Nielsen, empresa que calcula a audiência americana, a série vem conquistando a média de um milhão de telespectadores ao vivo (sem contar as reprises).

A história acompanha a vida de Carrie Mathison (Claire Danes), agente da CIA que desconfia da lealdade de um soldado americano resgatado no Afeganistão. Tentando encontrar evidências que o liguem a um plano dos terroristas de atacar os EUA, Carrie enfrenta seus próprios demônios e colegas de trabalho.

Produzida pela Fox 21, a série ainda não tem previsão de estreia no Brasil.

14/10/2011

às 12:12 \ Opinião, Séries Anos 2010-2019

Fall Season 2011-2012 – Homeland

“Homeland” é uma adaptação de uma série israelense chamada “Hatufim/Prisoners of War”. Criada por Gideon Raff, a história foi adaptada para o mercado americano por Howard Gordon e Alex Gansa, ambos de “Arquivo X” e “24 Horas”. Ela é, de longe, a melhor estreia da Fall Season 2011-2012, até agora. No entanto, ainda não tem previsão de estreia no Brasil.

Exibida pelo Showtime, a série, que tem 12 episódios para a primeira temporada, estreou no dia 2 de outubro conquistando a média de 1.08 milhões de telespectadores ao vivo. O piloto chegou a ser disponibilizado pelo canal na Internet. Somando com a audiência online, a estreia de “Homeland” chegou a 2.78 milhões. Até o momento foram exibidos apenas dois episódios, sendo que o segundo perdeu audiência, registrando 938 mil telespectadores ao vivo, com 0.4% entre o público alvo.

A história acompanha as vidas de dois personagens centrais: Carrie Mathison (Claire Danes) e Nicholas Brody (Damian Lewis). Ela é uma agente da CIA traumatizada pelos ataques terroristas ocorridos no 11 de setembro de 2001. Desde então, vem tentando controlar sua paranóia com medicamentos fornecidos por sua irmã, uma médica que está preocupada com o estilo de vida de Carrie, mas não tem poder para interferir.

Saul e Carrie

O episódio piloto inicia com Carrie recebendo um aviso de um prisioneiro árabe condenado à morte: um prisioneiro americano teria sido convertido.

Nenhum nome ou detalhe sobre a conversão foram oferecidos à Carrie ou ao público. Desta forma, não sabemos se esse americano é alguém que já está nos EUA ou que ainda vai chegar, nem tampouco que tipo de conversão ele sofreu. Não sabemos nem se ele é militar ou civil.

A própria situação pode ter sido armada por terroristas que, sabendo da paranóia da agente, tenha escolhido a jovem para plantar uma semente de dúvida em sua mente e desviá-la do verdadeiro plano terrorista.

Por outro lado, a informação pode ser verdadeira e um novo ataque aos EUA poderia estar sendo preparado. A primeira cena já estabelece a proposta da série: o que é real e o que é paranóia?

Dez meses depois, um grupo da CIA localiza o esconderijo de terroristas no Afeganistão. Invadindo o local, eles resgatam um soldado americano, tido como desaparecido há oito anos. O retorno de Brody leva Carrie a desconfiar que ele seja o soldado convertido. Sem conseguir convencer seus superiores, ela banca as despesas de um sistema de vigilância na casa de Brody.

Este, introspectivo e perturbado com as torturas que sofreu, retorna para casa e para sua família. Brody é casado com Jessica (Morena Baccarin, de “V”, que substituiu Laura Fraser), uma mulher que valoriza o estilo de vida americano e a imagem da família tradicional, bem como os laços do matrimônio embora, neste período, tenha tomando o melhor amigo do marido como seu amante. Mas, ao saber que Brody está vivo ela, sem pensar duas vezes, larga o amante e recebe o marido de volta à sua vida e à sua cama, como se nada tivesse acontecido, passando por cima de seus próprios sentimentos.

O retorno de Brody eleva a CIA, especialmente o departamento comandado por David Estes (David Harewood), no conceito do público e do governo. Politicamente, o fato representa uma vitória dos EUA sobre o terror. Decidido a utilizar o resgate como uma manobra para obter melhores condições de trabalho e ascender profissionalmente, David não está disposto a deixar que ninguém, nem mesmo Brody, desfaça o clima de patriotismo que se instala com seu retorno.

Brody e Carrie

Por este motivo Saul (Mandy Patinkin), Chefe do Departamento de Assuntos do Oriente Médio e responsável por ter recrutado Carrie anos atrás, não acredita que este seja o momento de dar atenção às paranóias de sua pupila.

Sua relação com David é tensa, mas Saul considera que existe a possibilidade de Carrie estar certa. Assim, de forma cautelosa, ele lhe dá corda, mas sempre controlando sua ansiedade.

Carrie passa a acompanhar a vida de Brody através do circuito de vigilância. Com isso, ela vai penetrando em sua intimidade com a família e com seus pesadelos, tornando-se uma parte silenciosa de sua consciência.

Em flashbacks, o público toma conhecimento do período em que Brody ficou preso. Vemos o tipo de tortura ao qual ele foi submetido e algumas das pessoas que estavam com ele. Mas as imagens não revelam, ainda, as opiniões de Brody.

“Homeland” é mais uma série a tentar traçar o perfil da sociedade americana vivendo a paranóia do pós-11 de setembro. Uma das produções mais recentes a explorar este tema foi “Rubicon”, série do canal AMC cancelada com apenas uma temporada. Mas enquanto que em “Rubicon” a paranóia era vista como parte da vida, em “Homeland” ela é tratada como uma doença. Não há como negar que a situação remonta o período da Guerra Fria, quando os EUA tentavam identificar comunistas vivendo em território americano. A paranóia que se instalou destruiu amizades, famílias e vidas, transformando a sociedade em um reverso da medalha.

Em 2008, uma produção alemã venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. “A Vida dos Outros” é uma belíssima obra que retrata este período na Alemanha Oriental. Na história, o Capitão Gerd, um oficial da polícia secreta, passa a vigiar a vida do dramaturgo Georg, suspeito de ser um traidor do comunismo. Assim, Gerd planta escutas no apartamento de Georg, passando a compartilhar de sua vida e de suas ideias. Aos poucos este homem frio, calculista e orgulhoso de seu trabalho, vai se deixando seduzir pela personalidade de Georg a ponto de alterar relatórios e censurar conversas que possam incriminar o dramaturgo. Este, por sua vez, embora tivesse ideias que pudessem criar desconforto para o governo, não representava, de fato, um perigo. Ao menos inicialmente.

Embora as circunstâncias sejam outras, a situação de Gerd e Georg é a mesma de Carrie e Brody. Resta saber se Carrie se deixará fascinar pela personalidade de Brody chegando ao ponto de não considerá-lo mais um terrorista em potencial. Mas para que ela tome a mesma atitude de Gerd, a CIA e o governo terão que começar a desconfiar de Brody e ela terá que descobrir evidências que o isente de culpa.

Brody e a família

Enquanto isso, a série vai levantando dúvidas na cabeça do telespectador. Teria Brody se convertido ao terrorismo ou apenas ao islamismo? Teria sido de fato convertido ou teria sido condicionado, à la o filme “Sob o Domínio do Mal”? Teria Brody seus próprios planos para chamar a atenção do público à guerra ao terror?

Em entrevistas recentes, Alex Gansa disse que, neste primeiro momento, tudo o que Brody fizer ou disser está sujeito a interpretações. No entanto, a trama da série não pretende ficar presa a esta situação por muito tempo. Segundo Gansa, Brody é uma pessoa controversa, pronta para explodir. O público deverá tomar conhecimento dos planos de Brody ao final da primeira temporada.


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Por Fernanda Furquim: @fer_furquim

13/09/2011

às 14:13 \ Séries Anos 2010-2019

Assista ao Piloto de Homeland

Damian Lewis e Claire Danes em "Homeland" (Foto: Showtime)

O episódio piloto da nova série do canal Showtime foi disponibilizado pelo iTunes americano e agora pelo site HitFix.

Para aqueles que conseguem acompanhar o idioma sem legendas, o vídeo está disponível aqui, com duração de cerca de 56 minutos.

Segundo o site, o episódio tem algumas cenas de sexo editadas.

Homeland” estreia nos EUA no dia 2 de outubro. Trata-se de uma adaptação de “Hatufim”, série israelense criada por Gideon Raff. A produção americana é de Howard Gordon e Alex Gansa, ambos de “24 Horas”.

Estrelada por Claire Danes, Damian Lewis, Mandy Patinkin e a brasileira Morena Baccarin, a história apresenta Carrie Anderson, uma agente da CIA que está convencida de que o oficial Nicholas Brody, recém resgatado no Afeganistão, está conectado a um plano dos terroristas para um novo ataque aos EUA, dez anos após o 11 de setembro.

A primeira temporada tem 12 episódios produzidos. Cliquem na foto para ampliar.

06/09/2011

às 13:20 \ Opinião, Séries Anos 2010-2019

A Temporada 2011-2012

Cristina Ricci em Pan Am

Hoje inicia oficialmente a temporada 2011-2012 americana, com a estreia dos novos episódios de “Sons of Anarchy”. Conhecida como Fall Season, por estrear no outono americano, a temporada compreende os meses entre setembro e maio, sendo que o período entre os meses de janeiro e março é conhecido como midseason (meia temporada). Na midseason, os canais interrompem a exibição de algumas séries que estrearam no início da Fall Season para oferecer ao público outros novos títulos. As produções que sobreviverem ao período de cancelamento (que geralmente ocorre nos meses de novembro e de abril) conseguem chegar ao final da temporada em maio, torcendo para ser renovada para a próxima.

A expectativa é que a nova temporada consiga trazer produções que valham a pena. Afinal, vamos e convenhamos, até agora esse ano tem sido bem fraquinho. Com muitas promessas não cumpridas, 2011 é um marasmo no que diz respeito às séries de TV. Se não fosse pelos retornos de algumas produções já estabelecidas e um ou outro novo título interessante de se ver, o ano teria sido um nada.

Nenhuma estreia conseguiu de fato surpreender. Sim, assisti a “Game of Thrones” e não, não achei espetacular ou perfeita. Independente dos livros, a adaptação para a TV trouxe diálogos excessivamente expositivos e repetitivos que enfraqueceram a trama e os personagens. Espero honestamente que a segunda temporada da série revele de fato seu potencial, visto que o ambiente e os personagens já foram estabelecidos.

Outra decepção foi “The Hour”, série inglesa que esperava ser um sopro de vida neste ano. Mas a produção trouxe um texto de ‘novelinha da seis’ muito mal escrita, com personagens tão vazios que pareciam flutuar nos cenários. Situada na década de 1950, nos bastidores de um telejornal, a série se limitou a trazer personagens que ‘cuspiam’ informações sobre a época como se lessem um livro de história ou matérias de jornais. A relação deles com o ambiente era quase zero e, para piorar, tudo se resolve às pressas no último episódio com um discurso moralista para adolescente ver.

Amber Heard em The Playboy Club

Minhas expectativas para esse ano são poucas. Entre os títulos que despertam curiosidade estão “Pan Am” e “The Playboy Club“. A primeira vem atrelada à nostalgia de uma marca que dominou a aviação comercial ao longo de décadas.

Desde os ataques do 11 de setembro a aviação americana vem sofrendo duras críticas em sua atitude para prevenir novas ocorrências. Somando a isso os constantes atrasos, a falta de respeito com o público e a queda na qualidade de um modo geral, a série poderá ajudar a resgatar essa área junto à opinião pública.

Por isso, “Pan Am” tem mais chance de sobreviver que “The Playboy Club“. Esta já vem ‘amaldiçoada’ pelo nome de uma revista que, embora tenha revolucionado o ramo editorial, trouxe para si uma imagem negativa junto à sociedade tradicional.

Com isso, “The Playboy Club” estreia sob forte pressão de segmentos da sociedade para boicotar os produtos que forem anunciados durante o espaço comercial da série. Em função disso, a imprensa americana acredita que a série não irá durar muito tempo. Oferecida a canais de rede aberta, “The Playboy Club” poderia atrair maior interesse se fosse uma produção para a TV a cabo. Mas nada a impede de surpreender. Vamos ver no que vai dar.

Outro título que chama a atenção é “Up All Night“. Com a boa receptividade de “Raising Hope”, sobre uma família excêntrica tentando criar um bebê, temos agora “Up All Night”, estrelada por Christina Applegate e Will Arnett, que interpretam pais de primeira viagem. A proposta da série é oferecer situações cômicas relacionadas ao processo de aprendizagem desse casal nos cuidados de um recém nascido.

Outra produção que desperta curiosidade é Prime Suspect. Sou contra remakes de séries bem sucedidas. Prefiro que refaçam seriados que não conseguiram atingir seus respectivos objetivos, seja por limitações da época ou por falta de tempo hábil. O que não é o caso de “Prime Suspect”, série inglesa estrelada por Helen Mirren, que já teve uma versão light americana sob o título de “The Closer”.

A história gira em torno de uma mulher, viciada em álcool (em The Closer ela é viciada em chocolate), que se torna chefe de um departamento da polícia, predominantemente masculino. Sofrendo com o preconceito, ela vai abrindo seu espaço. Na versão americana, Maria Bello ficou com a personagem de Mirren. Embora Bello esteja longe de conseguir se equiparar a Mirren, ela ainda é uma boa escolha. Por isso, talvez, valha a pena conferir o resultado.

Smash

Outra série que parece interessante é “Smash”, drama que se propõe a apresentar os bastidores de produção de um musical da Broadway, com estreia prevista para a midseason. Originalmente oferecida para o canal a cabo Showtime, a série foi parar na NBC quando Bob Greenblatt assumiu o comando da programação, levando com ele o projeto. Uma pena, pois acredito que no canal a cabo a série teria melhores chances de evitar cair em uma trama de novelinha com base em picuinhas e vinganças, focando mais na estrutura de produção do musical. Mas, quero me surpreender.

Na TV a cabo, os novos títulos que chamam a atenção são “Homeland“, “Boss”, “Hell on Wheels”, “American Horror Story”,  ”Enlightened”, “Veep” e “Luck”. A primeira desperta interesse mais pelo elenco que pela trama. Trata-se de uma versão americana de série israelense sobre um soldado que, após anos, é resgatado no Iraque. Uma agente da CIA acredita que ele seja instrumento dos terroristas para um plano de ataque aos EUA. Assim, ela passa a investigá-lo. A proposta sozinha não é grande coisa, mas visto que a série é estrelada por Claire Danes, Damian Lewis e Mandy Patinkin, vale a pena conferir.

Boss” é uma produção que tem grandes chances de não dar certo. Estrelada por Kelsey Grammer, a série dramática se propõe a adaptar uma peça de Shakespeare para os dias atuais. Na história, o prefeito de Chicago é diagnosticado com uma doença degenerativa. Mantendo sua condição em segredo, ele continua exercendo o cargo. Quando foi anunciada, foi dito que a trama seria uma metáfora para Rei Lear. O problema é que Grammer já fez Shakespeare no teatro oferecendo uma atuação exagerada. Além disso, sua carreira é galgada na comédia e pode acontecer do público não aceitar vê-lo em um drama. Vamos ver no que dá.

Hell on Wheels” é a minha última esperança de que o canal AMC resgate seus tempos áureos, de quando lançou “Mad Men”, “Breaking Bad” e “Rubicon”, únicas produções do canal que fizeram jus à sua fama. Embora os críticos americanos já tenham dito que a série não é grande coisa, ainda alimento esperanças de gostar. Trata-se de um faroeste que acompanha o processo de construção de uma ferrovia e a corrupção que a cerca. É bem verdade que existe uma trama de vingança pessoal por trás, mas a expectativa é que ela não predomine.

(E-D) Jessica Lange e Frances Conroy em "American Horror Story"

American Horror Story desperta a curiosidade pelo tema (thriller psicossexual) e pelo elenco feminino de peso: Jessica Lange, Connie Britton e Frances Conroy. O fato de ter sido criado pelo megalomaníaco Ryan Murphy, em parceria com Brad Falchuck, ambos de “Glee”, é algo que me faz ficar com o pé atrás. A trama não está clara, mas parece que gira em torno de uma casa que esconde um mistério sobre seus antigos moradores. Dizem que a história será dividida entre passado e presente. Vamos ver no que dá.

Enlightened é uma promessa antiga da HBO. Anunciada para 2010, somente estreará em 2011. A produção chama a atenção pelo elenco, formado por Laura Dern e sua mãe, Diane Ladd. A história gira em torno de uma mulher que, após um ataque de nervos, entra em contato com sua espiritualidade. A partir daí, ela tenta transformar o ambiente em que vive, embora as pessoas que a cercam não estejam sintonizadas ‘no mesmo canal’. É uma promessa que pode não dar em nada, mas espero que seja uma daquelas séries que se assiste para passar o tempo, sem compromisso.

As duas últimas, “Veep” e “Luck, são para a midseason e despertam o interesse em função de seus criadores. A primeira é uma série de Armando Iannucci, autor de “The Tick of It“, excelente sitcom política inglesa que terá sua quarta temporada filmada em 2012. “Veep” também traz a política como tema, ao retratar uma Senadora, interpretada por Julia Louis-Dreyfuss, que se torna Vice-Presidente, sem ter qualquer preparo para isso. Já “Luck” foi criada por David Milch, autor de “Deadwood”, e o fato de ser estrelada por Dustin Hoffman apenas ‘dá mais água na boca’ em conferir a produção. A história apresenta os bastidores das corridas de cavalos, um tema mal explorado pelas séries de TV até agora.

Os demais títulos, apesar da paparicação da mídia, não chamam a atenção. São produções que se propõem a explorar a fantasia (Once Upon a Time e Grimm), a aventura e ficção cercadas de mistérios (The River, Terra Nova, AwakeAlcatraz e Touch), jurídicos (The Firm), comédias, séries teens e dramas policiais que dificilmente sairão do lugar comum. É claro que nada impede que um ou outro desses títulos surpreenda, mas a expectativa é baixa.

Confiram a lista completa de novas séries por canais: Fox, NBC, CW, CBS e ABC.

Acompanhem as atualizações do Calendário de Estreias.

18/08/2011

às 23:05 \ Cartazes, Remakes, Séries Anos 2010-2019

Cartaz de Homeland – 1a. Temporada

Homeland” é uma versão americana de uma série israelense chamada “Hatufim/Prisoners of War”, criada por Gideon Raff.

Adaptada por Howard Gordon e Alex Gansa, ambos de “24 horas”, a série estreia nos EUA pelo canal Showtime no dia 2 de outubro.

Estrelada por Claire Danes, Damian Lewis, Mandy Patinkin e a brasileira Morena Baccarin, a história apresenta Carrie Anderson , agente da CIA, que está convencida de que o oficial Scott Brody, recém resgatado nos países árabes, está conectado a um plano dos terroristas para atacar os EUA.

A primeira temporada tem 12 episódios encomendados. Cliquem na imagem para ampliar.

Adendo: os nomes dos personagens de Carrie e Brody são aqueles dados pelos roteiristas quando a série foi desenvolvida.

31/05/2011

às 20:00 \ Séries Anos 2010-2019

Morena Baccarin no Elenco de Homeland

Morena Baccarin

A atriz brasileira que estrelou a série “V”, recentemente cancelada, não ficou desempregada por muito tempo. Segundo o site Deadline, Morena Baccarin entrou para o elenco regular de “Homeland“, nova série do canal Showtime.

Produzida pela dupla Howard Gordon e Alex Gansa, de “24 Horas”, a série é a versão americana de “Hatufin”, produção israelense.

Na históra, Scott Brody (Damian Lewis), um fuzileiro, é resgatado durante uma missão, depois de passar oito anos prisioneiro no Iraque. Carrie Anderson (Claire Danes), agente da CIA, desconfia que o fuzileiro é apenas uma peça em um plano dos terroristas para atacar novamente os EUA.

Baccarin interpretará Jessica, a esposa de Scott, que aguardou a volta do marido durante todos esses anos. Bom, quase, já que ela manteve um caso com Mike Faber (Diego Klattenhoff), melhor amigo de Scott.

Morena substitui Laura Fraser, que interpretou a personagem no episódio piloto, produzido para avaliação. Laura estrela a série britânica “Lip Service“, na qual interpreta a personagem Cat. Visto que a produção foi renovada pela BBC para sua segunda temporada, a atriz não está disponível para integrar o elenco de “Homeland”. Com a troca, as cenas com Laura serão refilmadas.

23/05/2011

às 10:43 \ Séries Anos 2010-2019, Trailers

Trailer de Homeland, Nova Série do Showtime

Homeland” é uma adaptação de Howard Gordon e Alex Gansa, ambos de “24 horas”, para uma série israelense. Estrelada por Claire Danes, Damian Lewis e Mandy Patinkin, a história apresenta Carrie Anderson, agente da CIA que está convencida de que o oficial Scott Brody, recém resgatado nos países árabes, está conectado a um plano dos terroristas para atacar os EUA. Com 12 episódios encomendados para a primeira temporada, a série estreia na Fall Season americana, que tem início em setembro.


 

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