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Charles Dickens

07/02/2012

às 9:58 \ Minisséries, Versão Televisiva

Charles Dickens na TV

Charles Dickens em 1858

Hoje é celebrado o bicentenário do escritor britânico Charles Dickens, autor de clássicos da literatura que já foram adaptados diversas vezes para o cinema e para a TV.

Nascido no dia 7 de fevereiro de 1812, Dickens começou a publicar seus textos em 1833. Uma de suas características eram as histórias serializadas, com a qual escrevia cada capítulo conforme ele era publicado. Essa ‘manobra’, rendeu a Dickens uma grande popularidade, ainda em seu tempo de vida.

A obra de Dickens é considerada um retrato fiel da vida londrina do Século XIX, período chamado de Era Vitoriana, por ter sido o reinado da Rainha Victoria.

Este é o momento da Revolução Industrial, que provocou o êxodo rural. Com isso, Londres vivenciou uma explosão demográfica, o que elevou o nível da pobreza. A indústria têxtil era a mais procurada pelos agricultores e camponeses que perdiam suas terras, a qual também empregava o trabalho infantil.

A obra de Dickens sempre trouxe personagens que representam esse universo, sem contudo transformar a classe abastada em vilã, visto que ela também é retratada, muitas vezes, como heroína ou amiga dos operários. Com isso, ele conquistou fãs dos dois lados.

Talvez suas obras mais famosas sejam Oliver Twist e Um Conto de Natal (ou Contos de Natal). A primeira é a história de um órfão massacrado pelo sistema. Fugindo do orfanato, Oliver chega em Londres, onde cai nas mãos de uma gangue de batedores de carteira. Ele é salvo por um milionário que se apieda dele, descobrindo, mais tarde, que se trata de seu legítimo avô. Esta obra já foi transposta com sucesso para o cinema, com o musical Oliver, de 1968, entre outras versões.

Na TV, a história do menino órfão já foi narrada em pelo menos cinco minisséries. A primeira foi uma produção inglesa da BBC de 1962, com Bruce Prochnik, adaptação de Constance Cox, em 13 episódios. A BBC também produziria uma versão em 1980, com Daniel Murrya, adaptação de David Butler, em 13 episódios; em 1985, com Ben Rodska, adaptação de Alexander Baron, em 12 episódios; em 1999, com Sam Smith, tendo também no elenco a atriz Keira Knightley, como Rose, adaptação de Alan Bleasdale em quatro episódios; e em 2007, com William Miller, adaptação de Sarah Phelps, em cinco episódios.

Vale a pena mencionar que a TV brasileira produziu dois especiais, que se tenha notícias. O primeiro de 1955, pela rede Tupi, estrelada por Adriano Stuart, filho de Walter Stuart, com adaptação de Dionísio de Azevedo; e o segundo em 1960, com Osmar Prado no papel título, adaptação de Dráusio de Oliveira e Ivete Jayme, pela TV Paulista.

Um Conto de Natal/A Christmas Carol, pelo que se sabe, nunca teve uma minissérie produzida, apenas telefilmes, mas sua proposta já foi adaptada em episódios de diversas séries de TV. Na história, um velho avarento recebe a visita de três fantasmas, o do passado, do presente e do futuro, que revelam a ele sua própria história, com o objetivo de reformá-lo. Os fantasmas são velhos amigos de Scrooge, que tentam alertá-lo para a forma como ele conduz sua vida. Ao acordar na manhã de natal, mesmo acreditando ter se tratado de um sonho, Scrooge decide mudar de postura.

Essa situação já foi retratada em episódios de O Homem de Seis Milhões de Dólares, na qual Steve Austin faz uso de seus poderes biônicos para representar os natais do passado, presente e futuro; em Contratempos/Quantum Leap, na qual Sam Beckett, um viajante do tempo, com a ajuda de seu amigo Al, um holograma, tenta convencer um avarento a ajudar uma missionária; Blackadder, na qual a trama é invertida ao mostrar Ebenezer Blackadder, um velho amável que se torna rabugento e avarento depois que recebe a visita do fantasma do natal; além de Um Estranho Casal/The Odd Couple, WKRP in Cincinnati, Os Gatões/The Dukes of Hazzard, Caras e Caretas/Family Ties, Alice, Martin, Xena: a Princesa Guerreira, Wishbone, Doctor Who, episódio de natal de 2010, bem como em desenhos animados como Mr. Magoo, Pernalonga, Os Jetsons, Beavis and Butt-Head e Os Flintstones.

Elenco da versão de 2005 de 'Bleak House' (cliquem na imagem para ampliar)

Outros livros de Dickens adaptados para a TV com frequência, formato minissérie, são David Copperfield, com seis versões; Grandes Esperanças/Great Expectations, com cinco versões; Um Conto de Duas Cidades/A Tale of Two Cities, com quatro versões; Bleak House e Our Mutual Friends, ambas com três versões; The Mystery of Edwin Drood, com duas versões; e A Pequena Dorrit/Little Dorrit, com uma versão, entre outros títulos do autor.

As comemorações em torno do bicentenário de Dickens tiveram início na Inglaterra no dia 28 de novembro de 2011. A TV celebrou com a produção de duas minisséries adaptadas de sua obra, Grandes Esperanças, The Mystery of Edwin Drood, bem como uma terceira, que reproduz o estilo do autor: The Bleak Old Shop of StuffAlém destas produções, fazem parte das comemorações diversos eventos, novas edições de seus livros, exposições, peças de teatro, documentários e debates, tanto na TV quanto no rádio, organizados pela Dickens 2012.

Abaixo, trecho de um documentário sobre as adaptações da obra de Charles Dickens para o cinema e para a TV. A parte selecionada abaixo é dedicada às adaptações para a TV. O restante do programa pode ser encontrado aquiaqui e aqui.

 

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