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Bonanza

08/03/2012

às 14:53 \ Falecimentos, Séries Anos 1950-1959

Artista que pintou o mapa de ‘Bonanza’ morre aos 98 anos

Robert Temple Ayres em 2011

Robert Temple Ayres não é um nome conhecido dos fãs de séries, mas um de seus trabalhos foi eternizado em uma das produções de maior sucesso da década de 1960, reprisada até hoje na TV em diversos países. A abertura da série Bonanza apresenta em cada episódio o mapa da localização de Ponderosa, rancho da família Cartwright. O mapa, imagem que identifica a série, foi pintado por Robert, que no dia 25 de fevereiro faleceu aos 98 anos de idade, de causas naturais. A informação somente foi divulgada pela imprensa esta semana.

Três dias antes de sua morte, Robert visitou o Autry National Center of the American West, que desde junho de 2011 mantém o mapa em exposição permanente. Desde que o criou em 1959, Robert o vira apenas três vezes. A primeira foi em junho do ano passado, quando o museu apresentou a nova peça de seu acervo a um público convidado. Depois disso ele voltaria a visitar o museu mais duas vezes.

Mantido ao longo de cinco décadas por David Dortort, criador da série, que o pendurou na parede da sala de sua casa, o mapa foi doado ao museu pela família do produtor após sua morte em 2010. Ao ver o mapa pela primeira vez, Robert teria dito que não sabia onde ele estava esses anos todos. Sua primeira reação foi desconfiar de que não se tratava do original, pois parecia ser maior do que ele se lembrava.

Quem já assistiu a série Bonanza se lembrará que, na abertura de cada episódio, o mapa é queimado, dando lugar à imagem da família Cartwright cavalgando em direção à tela da TV. Para filmar esta cena, os produtores fizeram várias cópias do mapa pintado por Robert. Mas o original foi mantido por Dortort.

Primo de Shirley Temple, Robert, um artista plástico, iniciou sua carreira como ilustrador dos livros religiosos The Golden Treasury of Bible Stories. Ele estreou no cinema trabalhando para a MGM. Ao longo de sua carreira, Robert também trabalhou nos estúdios da Paramount, onde Bonanza foi produzida, Warner Brothers, Seven Arts, Universal e Disney, para o qual também colaborou com o projeto do Epcot Center, na Flórida. Robert aposentou-se em 1980, mas continuou pintando até sua morte. Alguns de seus trabalhos estão disponíveis em seu site oficial.

Quando criou o Map to Illustrate the Ponderosa in Nevada a Paramount o fez assinar um termo que isentava o estúdio a pagar qualquer valor residual pela utilização do mapa em outros meios que não a abertura da série. Temendo perder o emprego, e sem noção de que a série poderia se tornar um fenômeno televisivo, Robert concordou. Assim sendo, o único dinheiro que recebeu por criar um ícone da televisão americana foi seu salário.

Para os saudosistas e curiosos, a série Bonanza é exibida atualmente no canal a cabo TCM.

07/09/2010

às 18:56 \ Biografias, Falecimentos, Produtores

David Dortort (1916-2010)

O criador das séries “Bonanza” e “Chaparral” faleceu no dia 5 de setembro, aos 93 anos de idade, de causas naturais.

Nascido em 23 de outubro de 1916, em Nova Iorque, David era filho de um vendedor de seguros. Aos 17 anos largou os estudos para viajar pelos EUA. Após cinco meses, voltou para casa, formando-se, em 1938, em Literatura e Filosofia pela New York City College. Apaixonado por mapas, David pensou em seguir uma carreira na área da geografia, mas acabou dedicando-se à profissão de escritor. Enquanto trabalhava como roteirista de programas de rádio, David também escrevia matérias para revistas semanais.

Após finalizar o serviço militar, David escreveu o livro “Burial of the Fruit”, publicado em 1947. A história sobre uma gangue de adolescentes aterrorizando o bairro do Brooklyn foi bem recebida pela crítica. Quando a produtora Hecht-Lancaster, de propriedade do produtor Harold Hetch e do ator Burt Lancaster, comprou os direitos de adaptação do livro em 1949, David foi contratado para escrever o roteiro. No entanto, o filme nunca foi produzido, por ter sido considerado muito violento.

Em 1953, David chegou à televisão, escrevendo roteiros para as séries “Defensor Público”, “Racket Squad” e “Lassie”, além de alguns teleteatros. Em 1957, David escreveu um roteiro para a série “Restless Gun”. Impressionado com a qualidade do trabalho, o ator principal, John Payne, ofereceu-lhe o cargo de produtor da série. Na mesma época, Dortort começou a desenvolver o projeto de uma nova série, batizada de “Bonanza”.

Em 1959, a NBC era a única emissora que se esforçava em fazer a transição da programação televisiva em preto e branco para a colorida. Com isso, encomendou a produção de “Bonanza“, que deveria ser filmada a cores, para atrair o interesse do público e elevar a venda de aparelhos de TV.

Centrada na figura do pai, Ben Cartwright (Lorne Greene), batizado com o nome do pai de David, Benjamin, e de sua relação com seus três filhos, Adam (Pernell Roberts), Hoss (Dan Blocker) e Little John (Michael Landon), “Bonanza” iniciou sua carreira na história da televisão. A primeira temporada não conseguiu conquistar a audiência desejada, perdendo para a concorrente, “Perry Mason”. Com um custo de 25% a mais que as produções da época, a série correu o risco de ser cancelada. A mudança de dia e horário fez com que, a partir de 1961, “Bonanza” começasse a ser descoberta por seu público, ficando no ar por 14 temporadas, sendo cancelada em 1973, pouco depois da morte de Dan Blocker.

“Bonanza” foi um marco na história da televisão, ao apresentar uma das primeiras séries dramáticas focadas na relação familiar. Até então, esse tema era prerrogativa das sitcoms, das  séries infantis (que retratavam a relação de pais e filhos pequenos) ou das novelas (que retratavam a relação familiar adulta). “Bonanza” também rompeu com a abordagem tradicional das séries de faroeste para adultos, que geralmente retratavam as aventuras de pistoleiros, jogadores ou homens da lei.

Mas ao valorizar os laços familiares e o respeito entre pais e filhos, a produção foi atacada pela crítica, que a acusava de negligenciar a realidade. Em plena era do surgimento da contracultura, na qual jovens desafiavam a autoridade dos pais e a educação severa que era passada de geração em geração, a série “Bonanza” descartava os problemas da vida real na relação entre pais e filhos.

Em resposta às críticas, Dortort criou outro faroeste que também se tornou um clássico, embora tenha tido curta duração. “Chaparral” estreou em 1967, apresentando uma relação conflituosa entre pai e filho.  Big John (Leif Erickson) era um homem austero, mais preocupado em manter o rancho Chaparral que uma relação com o filho a quem chamava de Blue, nome que fora de seu cachorro.

Enquanto Blue tentava conquistar o amor e o respeito do pai, este se preocupava em transformá-lo em um homem a sua imagem e semelhança. Com o tempo, o ator Mark Slade, que na época tinha 31 anos, não convencia mais no papel de adolescente. Segundo Dortort, esse teria sido o motivo pelo qual o personagem foi retirado da série.

Para justificar a saída do filho de John Cannon, que representava uma parte importante na série, Dortort decidiu que Billy Blue assumiria seu próprio destino, deixando o rancho para seguir seus estudos e uma carreira. Em seu lugar, entrou o ator Rudy Ramos, que interpretou um jovem índio. Mas apesar da preocupação em justificar a saída de Blue, a informação não chegou a ser mencionada nos episódios.

A série teve apenas quatro temporadas, rompendo alguns tabus da televisão americana, como o casamento por conveniência ou as relações entre diferentes raças, além de discutir as dificuldades existentes entre as gerações.

“Chaparral” foi a primeira série produzida pela empresa formada por David, a Xanadu Productions, que tinha o objetivo de produzir programas especialmente para o canal NBC. Além de roteirista e produtor, David Dortort também foi presidente do Sindicato dos Roteiristas – WGA, por três mandatos consecutivos. Também foi presidente do Sindicato dos Produtores – PGA. Após afastar-se da TV, David passou a dar aulas de roteiro na UCLA.

Ao longo de sua carreira, David dedicou-se a contratar jovens aspirantes a roteiristas, produtores e atores, dando-lhes a chance de iniciarem suas carreiras. Foi assim que Michael Landon conseguiu o papel de Little John e mais tarde teve a oportunidade de escrever roteiros para a série “Bonanza”, passando pela direção e produção de episódios. Essa experiência lhe deu bagagem para desenvolver e produzir a série “Os Pioneiros/Little House on the Prairie”, sucesso dos anos 70 que seguiu os moldes perpetuados por “Bonanza”. Na década seguinte, Michael produziria “O Homem que Veio do Céu/Highway to Heaven”, outro sucesso de sua carreira.

David casou-se em 1943 com Rose Dortort, com quem teve dois filhos, Wendy e Fred. Rose faleceu aos 92 anos de idade em 2007.

Abaixo, a primeira parte, de um total de sete, de uma entrevista com David Dortort em 2002, para os arquivos do museu da televisão americana.

Estréias de Hoje no Brasil

(clique nas imagens para ampliar)


O canal TCM traz de volta esse clássico da TV americana. A série estreia hoje com exibições de segunda a sexta, às 21h, com reprises dos episódios no dia seguinte, sempre ao 12h. “Bonanza” deverá ser exibido no som original com legendas. A dublagem da série perdeu-se com o tempo, e o canal decidiu não redublar. A série tem 14 temporadas, mas não há informações de quantas o TCM exibirá, nem mesmo se começará pelo primeiro episódio, “A Rose for Lotta”. Confira matéria sobre a série aqui.
Considerada uma das mais importantes produções da TV americana, a série “Bonanza” foi criada com o intuito de vender televisores à cores. Na época, as histórias focando o dia-a-dia de famílias eram restritas às sitcoms e novelas. “Bonanza” se tornaria uma das primeiras a explorar esse gênero, aliando-o a um outro de grande sucesso na época, o faroeste. A série promoveu o surgimento de outros “faroestes-família”, como “Big Valley”, “Chaparral” (criado pelo mesmo autor de “Bonanza”), “Lancer” e “Os Pioneiros”, entre outras. 
Ao longo de sua produção, entre 1959 e 1972, a série se manteve entre as 10 séries mais populares do período, sendo cancelada em função da morte de Dan Blocker. A saída de Hoss do elenco fez a audiência despencar, o que determinou seu fim. Foram inúmeras participações especiais de atores em início de carreira ou já consagrados na época; bem como prêmios ao longo dos anos. 
“Bonanza” ainda gerou a produção de três telefilmes: “Bonanza: The Next Generation”, “Bonanza: The Return” e “Bonanza: Under Attack”. Em 2001 uma nova série foi produzida, com um total de 20 episódios: “Ponderosa”, na qual vemos Ben Cartwright (interpretado por Daniel Hugh Kelly, de “Cara ou Coroa) chegando ao rancho Ponderosa, acompanhado de seus três filhos, Adam (Mathew Carmody), ainda adolescente, Hoss (Drew Powell) e Little Joe (Jared Daperis), ainda um garotinho. O projeto foi desenvolvido pelo próprio Don Dortort e filmado na Austrália para o canal Pax TV.


Pelo canal Boomerang está anunciada para 21h a estreia da série “Tal Mãe, Tal Filha/Gilmore Girls”, produção de 2000-2007, que gira em torno da relação de amor e amizade entre mãe e filha. Criada por Amy Sherman-Palladino, e estrelada por Lauren Graham e Alexis Bledel, a série foi um dos grandes sucessos do antigo canal WB, que a exibiu até a sexta temporada. O último ano foi transmitido pelo canal CW, que surgiu da fusão do WB com o UPN.
Explorando situações típicas de mãe e filha (ambas solteiras, vivendo em uma cidade do interior); temperadas com contínuas referências à cultura popular, a série conquistou rapidamente seu público, tornando-se um novo cult. No entanto, por ser exibida em um canal com menor abrangência que outros da TV aberta americana, a série manteve-se com uma audiência média baixa em relação aos demais programas da época; mas, considerada alta para os padrões do WB e do CW. Ao longo de suas 7 temporadas, a série manteve uma média de 4.5 milhões de telespectadores. O Boomerang exibirá “Gilmore Girls” de segunda a sexta-feira.

Bonanza Estreia no TCM

A partir de 1º de março o TCM passa a apresentar Bonanza, de segunda à sexta, às 21h, com reprises às 12. Por isso, vamos falar um pouco sobre esse marco da TV.

Quando Bonanza estreou em setembro de 1959, o jornal Variety afirmou que era apenas outra série de cowboy. O tempo provou que era algo mais. Para começar, é a uma das mais longas séries de faroeste, com 14 anos de duração, perdendo apenas para Gunsmoke, que teve 20 anos.

Bonanza conta a estória de um homem que venceu graças a seus esforços. Dono do rancho Ponderosa (nome oringário das árvores que crescem na região de Virgnía City), Ben Cartwright era viúvo três vezes, tendo um filho com cada esposa. Adam, o mais velho, foi fruto do primeiro casamento, com Elizabeth. O filho do meio nasceu do segundo casamento de Ben com uma norueguesa chamada Inger e recebeu o nome de Eric, mas era conhecido pelo apelido de Hoss, que significa boa sorte. Por fim, o caçula, Joseph, mais conhecido como Little Joe, era filho de Marie, que Ben conhecera em Nova Orleans. Toda essa informação sobre o passado de Ben nos é apresentada ao longo da série quando ele relembra sua vida. Também havia o cozinheiro, Hop Singh, um dos muitos imigrantes chineses utilizados na construção de ferrovias, e o xerife Roy Coffee, um pacato homem da lei.

Hop Singh


A família era dona do maior rancho na região de Virginia City, no estado de Nevada. Na época em que se passa a estória, por volta de 1860, havia sido encontrado um veio de ouro, responsável pelo surgimento de várias cidades. Em muitos episódios, os Cartwrights vêem-se forçados a afugentar mineiradores gananciosos de suas terras.

Bonanza começou quando o produtor David Dortort foi contratado pela NBC para criar uma série em cores, cujo objetivo era estimular a venda de aparelhos de TV a cores, uma artigo de luxo na época. Como os faroestes estavam na moda, Dortort adotou o gênero. Mas ao invez de focar na ação entre os moçinhos e os bandidos, ele preferiu concentrar-se em temas como família, fé e esperança.

O primeiro a ser contratado foi Dan Blocker (Hoss), a quem Dortort conhecera durante as filmagens da série The Retless Gun (1957). Como o papel foi escrito especialmente para o ator, ele não precisou fazer teste. Assim como Blocker, Michael Landon foi descoberto por Dortort na mesma série e recebeu o papel de Little Joe.  Pernell Roberts era um consagrado ator de teatro, que fazia televisão para ficar mais conhecido. Apesar de não ter interesse na série, concordou em assinar um contrato de cinco anos para interpretar Adam. Lorne Greene foi o último a ser contratado, justamente por se tratar do papel principal: Ben Cartwright.

Ben Cartwright


Para este personagem, Dortort precisava verificar quem poderia representar a figura de autoridade para aqueles três jovens tão diferentes entre si. Joe era o criador de casos; Hoss, ingênuo e muito pacífico, apesar de seu tamanho avantajado; e Adam era um arquiteto culto e muito bem educado. Dortort então lembrou-se do trabalho de Greene em um episódio de A Caravana/Wagon Train, no qual apesar da fama do astro principal (Ward Bond), Greene conseguiu dominar em cena. Para interpretar o cozinheiro e o xerife, foram contratados Victor Sen Yung e Ray Teal, respectivamente.

Xerife Roy Coffee


Quando estreou, o novo programa não foi o sucesso esperado, pois havia muitas séries de faroeste no ar e os índices de audiência indicavam que a prefência era Perry Mason. A NBC decidiu então cancelar a série com apenas 13 episódios. Mas ao tomar conhecimento do cancelamento, os fãs saíram em protesto e salvaram a produção.

A coesão dos personagens não correspondia à realidade, pois Pernell Roberts constantemente divergia dos roteiristas e produtores sobre a qualidade e veracidade das tramas. Percebendo que não conseguiria alterar a mentalidade, ele tentou durante anos romper seu contrato, enquanto recusava-se a decorar seu texto e mantinha-se afastado de seus colegas.

Hoss, Ben e Little Joe


Quando o contrato de Roberts estava para terminar em 1964, Guy Williams (Zorro/Perdidos no Espaço) foi contratado para preencher a lacuna, interpretando o sobrinho Will Cartwright. Eles trabalharam junto em vários episódios, mas o público percebeu a manobra e começou a protestar contra a saída de Roberts. Assim, temedo que o novo personagem fosse responsabilizado pela saída de Roberts, a produção decidiu descontinuá-lo. Além do mais, nesse meio tempo Williams já havia assinado contrato para Perdidos no Espaço. Desta forma, Will se casa com a jovem (Kathie Browne) que era noiva de Adam e vai embora do rancho.

Pernell Roberts, Kathie Brownie e Guy Williams


Com apenas três Cartwrights, a série começou a perder audiência em 1967. Com o intuito de revitalizá-la, o ator David Canary foi contratado para interpretar o capataz Candy, um homem independente e solitário, que gostava de viver aventuras e não tinha obrigação de ouvir os conselhos de Ben. Consequentemente, estava sempre desafiando Hoss e Little Joe a provarem que não temiam o pai. Ele permanceu na série entre 1967 e 1970, voltando em alguns episódios de 1971.

Candy


Em 1970, como Landon estava com 34 anos e Blocker, com 40, foi necessário incluir um personagem que desse novo sentido à figura de autoridade, afinal os dois filhos de Ben já eram adultos. Assim, a família adotou Jamie Hunter (Mitch Vogel), que juntamente com Ben passou a ser o centro das estórias.

Jamie e os Cartwrights


Com participações reduzidas, Blocker mudou-se para a Suíça com sua esposa em 1971, em protesto contra a postura dos EUA na guerra do Vietnã. Para filmar suas poucas cenas, ele passou a fazer viagens esporádias ao país, até que em 1972, ele teve problemas pós-operatórios e faleceu aos 43 anos.

Dortort compenseu a falta de Hoss trazendo Candy de volta, aumentando a participação de Jamie e introduzindo outro personagem, Griff King (Tim Matheson). Este era um fora-da-lei que aparece em Ponderosa à procura de emprego. Mas nada disso funcionou. A audência despencou e Bonanza foi cancelada em 1973.

(clique para ampliar)

Apreciem a seguir o tema de Bonanza na abertura (vídeo 1) e interpretado por Lorne Greene (vídeo 2).


Texto: Marta Machado com base em
matéria de Fernanda Furquim
publicada na Revista TV Séries
Ano 1 – nº 11, de maio de 1998.

19/06/2009

às 21:53 \ Convenções

Encontro de Fãs de Bonanza


De 10 a 14 de setembro, os fãs de Bonanza poderão relembrar a série participando da 50th Anniversary Bonanza Friendship Convention, em Lake Tahoe, no estado de Nevada.

Os convidados incluem, entre outros, Jennifer Landon (filha de Michael Landon), Wendy Dortort (filha de David Dortort, criador da série), Sean Landon (filho de Michael Landon), Mitch Vogel e família (Vogel era Jamie Hunter Cartwright, filho adotivo), Cindy Landon (mãe de Sean) e Brent Young (filho de Victor Sen Young, que interpretava Hop Sing). Mais nomes serão incluídos à lista até setembro.

Jennifer Landon
Wendy Dortort
Sean Landon
Mitch Vogel e família
Cindy Landon

Além da confraternização, os participantes poderão visitar o Rancho Ponderosa no dia 12. Para maiores informações e ingressos, visitem a página do evento, clicando no link fornecido acima.

Texto: Marta Machado (a convite de Fernanda Furquim)

Propaganda em Séries

A série “30 Rock” exibiu em um de seus últimos episódios uma cena em que os protagonistas, Alec Baldwin e Tina Fey, interpretando os personagens Jack Donaghy e Liz Lemon, fazem uma propaganda do produto Verizon Wireless.

Tal qual era feito nos anos 50, quando os patrocinadores eram praticamente donos das séries e seus atores precisavam fazer comercial para eles, Baldwin e Fey protagonizaram a cena após um acordo financeiro entre a NBC e a empresa Verizon. No acordo, a empresa pagou uma quantia não revelada para que a rede NBC inserisse uma propaganda dentro da narrativa de algumas de suas séries de maior audiência. “30 Rock” foi a escolhida pela emissora.

Na cena, temos Jack dizendo “Esses telefones da Verizon são muito populares. Peguei um acidentalmente”. Ao que Liz responde, “Claro, os serviços da Verizon Wireless são imbatíveis. Se eu visse um celular como aquele da TV eu ficaria tipo “Onde fica a loja mais próxima para poder comprar um?”. Depois disso, a atriz vira-se para a tela, rompendo a quarta parede como nos anos 50, e diz: “Posso receber meu dinheiro agora?”

O acordo entre a Verizon e a rede NBC estipulava que a divulgação de seus produtos teriam que ser a mais natural possível para que fizesse parte da narrativa sem prejudicar a continuidade das histórias. No entanto, visto que o humor de “30 Rock” e da própria Tina Fey, criadora, roteirista e atriz da série, são mais irônicos, a forma como o comercial foi feito não é considerada pelas empresas como negativa.

Essa, no entanto, não é a primeira propaganda direta que a série faz dentro de suas histórias. No ano passado, o episódio “Jack-Tor” fez uma propaganda do Snapple, na qual Liz e os demais roteiristas fazem um protesto junto a Jack criticando a decisão dele de inserir comerciais na narrativa do programa que eles produzem. Ao mesmo tempo, Liz e os colegas faziam comentários sobre o Snapples, um refrigerante.

Desde o final dos anos 60 que as séries de TV não têm mais obrigado seus atores a fazerem comerciais de produtos, atestando sua qualidade ou importância para o consumidor. Isso ocorria quando as séries eram vendidas em pacotes a patrocinadores que incluíam no contrato a participação do ator da série na divulgação do produto. Mesmo assim, invariavelmente, os atores faziam esse tipo de comercial quando a série entrava em seu intervalo, ou seja, fora da narrativa da história.

Recentemente, a série “The Office”, chegou a fechar um contrato com empresas que produzem material de escritório para que eles pudesse aparecer nas histórias. Essas inserções duram até mais tempo que o comercial normal, que geralmente é de 30 segundos. Dentro da narrativa, empresas como Hewlett-Packard, Boise Paper, Cisco Systems, Ever apparel, Microsoft, Vizio televisions, Toyota, Ford e Office Depot, chegam a ter até 1 minuto de exposição.

E agora, os nossos comerciais: 30 Rock e The Office em DVD.

Abaixo, a cena de “30 Rock” como ela foi ao ar.

Abaixo, comercial da Chevrolet dos anos 60 estrelado pelo elenco das séries “Bonanza”, “A Feiticeira” e “O Agente da UNCLE”.



Por: Fernanda Furquim

 

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