Blogs e Colunistas

Arquivo de 12 de Março de 2012

12/03/2012

às 22:50

Líder do governo na Câmara manda o Supremo plantar batatas. Dada a situação do governo, foi muito oportuno…

É, queridos… A coisa não vai nada bem. A presidente Dilma Rousseff já demonstrou a intenção de trocar também o líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP). A declaração que este senhor fez hoje indica que a decisão virá, se vier, tarde. Nunca antes na história destepaiz alguém na sua posição resolveu dar uma banana para o Supremo Tribunal Federal. Vaccarezza fez isso. Como é o “líder do governo” na Casa, é como se fosse o governo conclamando os parlamentares a uma rebelião contra a Justiça. Leiam o que informa Maria Clara Cabral na Folha. Volto em seguida:

MPs continuarão a ser aprovadas sem passar por comissão, diz Vaccarezza
A despeito de decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a tramitação de medidas provisórias, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou que as MPs continuarão sendo aprovadas sem passar por uma comissão mista no Congresso. Para o líder, a Corte tomou uma decisão de “reavivar uma coisa que era lei de letra morta”. “Essa é uma questão interna corporis. O Supremo não pode se meter nesse assunto”, afirmou. “A Constituição não obriga, ela estabelece um rito”, completou.

Questionado se sua declaração significava um enfrentamento, o petista afirmou que estava apenas “dizendo o que vai acontecer” devido ao rito da Casa. “Qualquer pessoa que entende do rito do Parlamento sabe que isso vai acontecer”. O petista ironizou ainda o recuo do Supremo sobre o assunto: “Se o Supremo entender que deve tornar inconstitucional uma medida, decida. Se eles decidirem errado, eles voltam atrás, como voltaram. Quem voltou atrás não fomos nós.”

Na semana passada, a Corte decidiu que as MPs precisam passar por uma comissão mista de deputados e senadores antes de ir a voto nos plenários das duas Casas. O problema é que essa regra constitucional sempre era ignorada pelos congressistas, que votavam as MPs diretamente nos plenários.
(…)

Voltei
Vaccarezza falta escandalosamente com a verdade quando dá a entender que a MP passar ou não por uma comissão é só uma questão interna corporis. Desde a aprovação da
Emenda Constituição nº 32, em 2001, o Parágrafo 9º do Artigo 62 da Constituição ganhou esta redação:
§ 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso Nacional.

Não se trata de uma questiúncula meramente regimental. Não! Tanto é que se votou e se aprovou uma Proposta de Emenda Constitucional só para cuidar desse assunto. E foi uma proposta de parlamentares justamente para o Congresso resguardar o seu poder.

Ao fazer a declaração que fez, Vaccarezza afrontou o Judiciário e o próprio Poder Legislativo.

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 22:20

Diogo Mainardi e os crucifixos: “Em Deus, eu não acredito, não! Mas na Igreja, sim!”

A questão dos crucifixos foi parar no Manhattan Connection, comandado por Lucas Mendes. Ele faz uma pequena provocação a Diogo Mainardi, que dá, para não variar, uma resposta excelente. Vejam o vídeo. É curtinho. Volto em seguida.

Voltei
Não que o caro Lucas Mendes, a quem admiro, me ofenda falando que estou numa cruzada contra “a Justiça brasileira e a OAB”. Mas não estou.
1) não se trata de uma cruzada, apenas de uma opinião que considero fundamentada em argumentos não religiosos. Não quero impor a minha religião a terceiros; quero que se preserve um patrimônio humanista;
2) não estou combatendo a “justiça brasileira”; critiquei uma decisão do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul;
3) não critiquei a OAB — não que não pudesse fazê-lo; critiquei o presidente da OAB do Rio, Wadih Damus, que defendeu que duas obras de arte, goste-se ou não delas, presentes no STF sejam adulteradas em nome do laicismo.

Dado o contexto, vamos à resposta do querido Diogo. Inteligente e divertido como sempre, vai ao ponto. Ele é ateu, eu não sou; ele defende a convivência com a herança cultural do cristianismo, eu também. Em último caso, ambos falamos —  todas as pessoas razoáveis tratam é disso — sobre tolerância.

A síntese magistral de Diogo diz muito mais do que parece: “Em Deus eu não acredito, não, mas na Igreja, sim”. Não acreditar em Deus é uma questão pessoal, de fé, que não está sujeita a qualquer forma de convencimento. As pessoas crêem, deixam de crer ou passam a crer por motivos que são insondáveis. Quando Diogo afirma que “acredita na Igreja”, está lembrando um conjunto de valores culturais, éticos e morais que definiram o mundo ocidental.

Por não crer em Deus, a posição dele é mais ou menos legítima do que a minha? Nem mais nem menos. A herança cultural da Igreja e do cristianismo não é matéria de reflexão exclusiva de cristãos, ateus ou crentes de outra religião. É um patrimônio da humanidade.

Um abraço fraterno a Lucas, Caio Blinder e, muito especialmente, ao meu querido amigo Diogo Mainardi!

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 21:52

Haddad deixa de lado o mérito de um debate para insistir na ladainha de sempre

Escrevi um post sobre a “Janela de Overton”. Vejam lá. Trata-se de um trabalho de convencimento da população, que a leva a se deslocar, muitas vezes, de um extremo ao outro da opinião sem que as razões estejam muito claras. Fiquem com mais um exemplo, que será útil para o que virá depois: boa parte das insatisfações populares com o governo se deve a serviços públicos ruins. Um exemplo? Quem pode usa medicina privada porque sabe que corre mais riscos se depender da disponibilidade da saúde estatal. A escola pública, até o segundo grau, também é escandalosamente ineficiente. Antes da privatização da telefonia, em 1998, os pobres não podiam nem sonhar com um telefone. Quatorze anos depois, temos mais telefones do que brasileiros. Não obstante, a palavra “privatização” virou um palavrão.

Os operadores da opinião pública deixaram de lado a universalização do serviço — perderiam esse debate — e passaram a combater a “venda do nosso patrimônio a preço de banana”. Fizeram o mesmo com a Vale do Rio Doce. Os tucanos nunca souberam enfrentar a campanha suja e foram permitindo o deslocamento da janela… Hoje, boa parte dos brasileiros castigados por uma saúde e uma educação sofríveis — e que certamente estariam sem telefone e Internet se esses serviços estivessem nas mão do estado — acha a privatização uma coisa ruim… O PT fez três campanhas presidenciais demonizando a privatização. E não quer largar esse osso, mesmo agora, quando oferece condições a empresas estrangeiras na concessão dos aeroportos à iniciativa privada jamais concedidas por tucanos. E Elio Gaspari, a menos que eu tenha perdido alguma coisa, ainda não acordou para a “privataria”. Curioso, não?

Educação, Serra e Haddad
Mas me alonguei um pouco. Na quinta o tucano José Serra publicou
um artigo no Estadão com severas críticas à gestão federal da educação. Lembrou, por exemplo, que, em 2010, o ensino publico federal “formou 24 mil estudantes a menos do que em 2004, segundo estimativa de Carlos Brito, da FAPESP”. Sim, vocês entenderam direito! Na gestão do estupendo Fernando Haddad, o ensino público federal forma “menas pessoas”, como diria aquele… Em compensação, e isto digo eu, as mantenadoras privadas de universidades sorriem de orelha a orelha vendendo vagas públicas para o governo, que são usadas no ProUni, no maior programa de transferência de recursos do setor público para o setor privado de que se tem notícia. Em geral, trata-se de cursos que não requerem qualquer aparelhamento técnico: bastam cuspe e giz. Em alguns casos, nem o giz; só o cuspe. A depender da picaretagem, dispensa-se também o cuspe… Trata-se de uma enganação.

Em seu artigo, Serra aponta os descaminhos do Enem, a picaretagem que é entregar tablets para estudantes e professores sem um plano consistente de trabalho para utilizar essa necessária ferramenta, os resultados pífios dos estudantes brasileiros num exame internacional de proficiência etc.

Pois bem. Há dois dias Haddad tenta reagir à crítica de Serra ignorando o mérito do artigo. Não debate a queda do número de formandos na universidade pública, não debate as trapalhadas no Enem, não debate o programa atabalhoado do governo para os tablets. Num primeiro momento, acusou Serra de não ter “traquejo” com a educação; hoje, vejam a sua saída: “Talvez o Serra, como ministro do Planejamento, tenha sido o mais cruel do ponto de vista orçamentário com as universidades públicas federais”. Serra ficou só um ano no Planejament. Não é curioso que a generosidade de Haddad não tenha se refletido nos números? Ele foi generoso com quem? Certamente não foi com os alunos…

Lula teve alta e, daqui a pouco, sairá por aí de braços dados com Haddad. Vamos ver. Esse rapaz é espantosamente fraco.

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 20:45

Dilma tira de Jucá a liderança do governo no Senado; Vaccarezza deve perder o cargo correspondente na Câmara

Pretextando a necessidade de promover um rodízio, a presidente Dilma Rousseff decidiu trocar o líder do governo no Senado: sai Romero Jucá (RR), e entra Eduardo Braga (AM). Os dois são do PMDB. A mudança foi negociada com Renan Calheiros (AL), líder do partido na Casa. A decisão é reflexo da rejeição do nome de Bernardo Figueiredo, que não conseguiu ser reconduzido, conforme queria Dilma, para a diretoria geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Descontente com o governo, os peemedebistas decidiram mandar um recado à presidente. O senador Lindberg Farias (PT-RJ), por exemplo, passou a acusar Jucá abertamente de ter comandado a recusa.

Jucá é do grupo de José Sarney e Renan. O trio manda no partido. Mas há uma fatia que resiste a essa liderança. Braga, em tese ao menos, dialoga com todos os grupos. A troca também vai permitir que Dilma tire da liderança do governo na Câmara o deputado Candido Vaccarezza (PT-SP), que nunca foi do seu agrado, é bom deixar claro. Ele já protagonizou algumas trapalhadas fomridáveis. Só está no cargo porque se articulou para ser presidente da Câmara e acabou atropelado por Marco Maia (RS), que resolveu fazer um discurso contra a hegemonia dos paulistas e coisa e tal. Como prêmio de consolação, Vaccarezza levou a liderança do governo na Câmara, mas nunca disse a que veio.

Dilma tenta mexer nessas peças para ver se melhora sua articulação no Congresso, mas está difícil. Não tem quem faça o trabalho de costura política. Ideli Salvatti (Relações Institucionais) é o desastre que dela se esperava. Nem os peixes assistiram ao milagre da multiplicação da competência de Ideli. Gleisi Hoffmann é disciplinada, mas não tem trânsito.

A natureza da crise
É preciso que se caracterize a natureza da crise para que ela não seja tomada por aquilo que não é. A turma de Dilma está plantando loucamente na imprensa que a presidente está num braço-de-ferro contra a ala fisiológica do PMDB, que estaria sempre querendo mais e mais. Como a Soberana é muito ética, durona mesmo, e gosta de tudo certinho, então sobreviria o conflito…

É…

Não é bem assim. O PMDB que está aí não é menos ético do que sempre foi. Jucá, aliás, que deixa a liderança, exerceu este mesmo cargo no governo… FHC!!! Em 2003, primeiro ano do governo Lula, ainda era… oposição! Depois foi virando…O partido é o de sempre. O que mudou?

Já expliquei aqui: Dilma é ruim de taco. O governo não decola. As coisas não acontecem. Os peemedebistas que estão na máquina precisam da “fazeção” para que possam atender à sua enorme clientela política, especialmente em ano eleitoral. Áreas como saúde e educação, nas mãos de petistas, concentram mais as ações de propaganda do governo, passando a impressão de operosidade. O PMDB se sente dando os votos de que Dilma precisa no Congresso, mas sem receber nada em troca, diz. E esse negócio de “nada em troca” contraria a leitura cínica da ética franciscana dos peemedebistas: “É dando que se recebe”. 

Dilma dá o troco para demonstrar que não se sente refém do PMDB. Vamos ver. Duvido um pouco que mude alguma coisa na qualidade da articulação.

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 20:02

Crucifixo cassado e caçado: que símbolo mesmo está indo para a lata do lixo?

Leiam um artigo do notável do jurista gaúcho Paulo Brossard, ex-ministro do STF, sobre a retirada dos crucifixos dos tribunais do Rio Grande do Sul. Foi publicado na edição desta segunda do Zero Hora.

Tempos apocalípticos

Minha filha Magda me advertiu de que estamos a viver tempos do Apocalipse sem nos darmos conta; semana passada, certifiquei-me do acerto da sua observação, ao ler a notícia de que o douto Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado, atendendo postulação de ONG representante de opção sexual minoritária, em decisão administrativa, unânime, resolvera determinar a retirada de crucifixos porventura existentes em prédios do Poder Judiciário estadual, decisão essa que seria homologada pelo Tribunal. Seria este “o caminho que responde aos princípios constitucionais republicanos de Estado laico” e da separação entre Igreja e Estado.

Tenho para mim tratar-se de um equívoco, pois desde a adoção da República o Estado é laico e a separação entre Igreja e Estado não é novidade da Constituição de 1988, data de 7 de janeiro de 1890, Decreto 119-A, da lavra do ministro Rui Barbosa, que, de longa data, se batia pela liberdade dos cultos. Desde então, sem solução de continuidade, todas as Constituições, inclusive as bastardas, têm reiterado o princípio hoje centenário, o que não impediu que o histórico defensor da liberdade dos cultos e da separação entre Igreja e Estado sustentasse que “a nossa lei constitucional não é antirreligiosa, nem irreligiosa”.

É hora de voltar ao assunto. Disse há pouco que estava a ocorrer um engano. A meu juízo, os crucifixos existentes nas salas de julgamento do Tribunal lá não se encontram em reverência a uma das pessoas da Santíssima Trindade, segundo a teologia cristã, mas a alguém que foi acusado, processado, julgado, condenado e executado, enfim justiçado até sua crucificação, com ofensa às regras legais históricas, e, por fim, ainda vítima de pusilanimidade de Pilatos, que tendo consciência da inocência do perseguido, preferiu lavar as mãos, e com isso passar à História.

Em todas as salas onde existe a figura de Cristo, é sempre como o injustiçado que aparece, e nunca em outra postura, fosse nas bodas de Caná, entre os sacerdotes no templo, ou com seus discípulos na ceia que Leonardo Da Vinci imortalizou. No seu artigo “O justo e a justiça política”, publicado na Sexta-feira Santa de 1899, Rui Barbosa salienta que “por seis julgamentos passou Cristo, três às mãos dos judeus, três às dos romanos, e em nenhum teve um juiz”… e, adiante, “não há tribunais, que bastem, para abrigar o direito, quando o dever se ausenta da consciência dos magistrados”.   Em todas as fases do processo, ocorreu sempre a preterição das formalidades legais. Em outras palavras, o processo, do início ao fim, infringiu o que em linguagem atual se denomina o devido processo legal. O crucifixo está nos tribunais não porque Jesus fosse uma divindade, mas porque foi vítima da maior das falsidades de justiça pervertida.

Não é tudo. Pilatos ficou na história como o protótipo do juiz covarde. É deste modo que, há mais de cem anos, Rui concluiu seu artigo, “como quer te chames, prevaricação judiciária, não escaparás ao ferrete de Pilatos! O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde”.

Faz mais de 60 anos que frequento o Tribunal gaúcho, dele recebi a distinção de fazer-me uma vez seu advogado perante o STF, e em seu seio encontrei juízes notáveis. Um deles chamava-se Isaac Soibelman Melzer. Não era cristão e, ao que sei, o crucifixo não o impediu de ser o modelar juiz que foi e que me apraz lembrar em homenagem à sua memória. Outrossim, não sei se a retirada do crucifixo vai melhorar o quilate de algum dos menos bons.

Por derradeiro, confesso que me surpreende a circunstância de ter sido uma ONG de lésbicas que tenha obtido a escarninha medida em causa. A propósito, alguém lembrou se a mesma entidade não iria propor a retirada de “Deus” do preâmbulo da Constituição nem a demolição do Cristo que domina os céus do Rio de Janeiro durante os dias e todas as noites.

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 18:36

A Janela de Overton – Ou: Como fazer a opinião pública se deslocar de um ponto para outro ignorando o mérito das questões

janela-de-overton

O que esta imagem faz aí no alto? Explico.

Se vocês entrarem na Internet para pesquisar o que é “Janela de Overton”, encontrarão duas referências principais: uma delas diz respeito a um conceito de manipulação — ou, se quiserem, de “operação” — da opinião pública segundo conceitos elaborados por Joseph P. Overton, ex-vice-presidente de um think tank chamado Mackinac Center for Public Policy. Outra, relacionada com a primeira, é um romance policial de Glenn Beck, o demonizado (pelas esquerdas) âncora da Fox News, que usou o conceito para imaginar uma grande conspiração contra os EUA. Mas o que é “Janela de Overton”?

A coisa tem sido explicada por aí de modo capenga. Peguemos justamente o caso do aborto no Brasil. A maioria dos brasileiros é contra, e isso obrigou, inclusive, a presidente Dilma a contar uma inverdade na campanha eleitoral sobre a sua real opinião, que ela já havia expressado. Era favorável à legalização —  chegou a empregar essa palavra — e teve de recuar.

Muito bem: a Janela de Overton registra como pensa a maioria da sociedade num dado momento sobre um determinado assunto. As posições, claro, variam do absolutamente contra ao absolutamente a favor. O pensamento da janela é o máximo que um político, a depender de sua ambição, pode sustentar publicamente. É evidente que um militante do aborto pode ser eleito deputado por eleitores abortistas — mas teria problemas para se eleger presidente da República ou senador.

Muito bem! É possível deslocar a janela para um lado ou para outro? É! Isso demanda trabalho de pessoas especializadas em manipulação da opinião pública. Notem: quando emprego a palavra “manipulação”, não estou querendo dizer “conspiração”. Empresas organizadas passam a atuar na sociedade para lhe oferecer valores que levem ao pretendido deslocamento.

Continuemos com o aborto. Mesmo quando era favorável, Dilma dizia que nenhuma mulher pode gostar da coisa em si, que é um sofrimento. O mesmo afirma sua agora ministra Eleonora Menicucci. Há dias, o impressionante Fernando Haddad afirmou que, “como homem”, é contra — nota: creio que tentou dizer que, como político, nem tanto, sei lá… Repararam que, nessas intervenções, deixa-se de discutir o aborto para debater um outro tema? Que outro? A proposta da tal comissão o evidencia: “as condições da mulher”.

O que isso significa? Para tentar deslocar a janela de opinião do “contra” para o “menos contra”, até chegar à “neutralidade” e, quem sabe?, um dia, ao “a favor”, é preciso trabalhar algum outro valor relacionado ao tema. Para esse trabalho, entra em campo um verdadeiro exército de “especialistas em opinião pública”: assessores de imprensa, relações públicas, institutos de pesquisa, think tanks, agências de lobby. E vai por aí.

Peguemos a questão do Código Florestal, outro exemplo gritante. É evidente que a maioria da população se oporia a que famílias fossem desalojadas ou a uma queda na produção de alimentos. Se a maioria é contra, dificilmente um político com ambições nacionais abraçará essa causa. Mas por que não outra? A da “conservação da natureza” certamente é simpática e tem condições de operar o deslocamento da janela. É o que tem conseguido Marina Silva, que conta com assessoria de imagem profissional. É o que têm conseguido ONGs americanas financiadas pelo setor agrícola dos EUA. Criminalizam os agricultores brasileiros, transformando-os em sinônimo de desmatadores. O caso mais bem-sucedido de que se tem notícia nessa área é o terrorismo feito com o tal aquecimento global. O que pode ser maior do que “salvar o planeta”?

Verdades e mentiras
Governo e políticos gastam fortunas tentando vender “idéias” à opinião pública. Quase não há pessoa pública no Brasil que não seja cliente de uma empresa — ou de várias — de assessoria e gerenciamento de imagem. O que se pretende é bem mais do que informar a sua “agenda”. O trabalho é mais amplo: trata-se de detectar um determinado sentimento da sociedade e passar a trabalhar para mudá-lo — eventualmente neutralizá-lo. Querem ver?

O tucano José Serra, pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, não tocou até agora em palavras como “aborto” e “kit gay”. No PT, já se manifestaram sobre o assunto o pré-candidato do partido, Fernando Haddad; o presidente da legenda, Rui Falcão; o “chefe de quadrilha” (segundo a PGR) José Dirceu, entre outros. O tema passou a ser tratado pelos próprios petistas, COM A AJUDA DE SETORES DA IMPRENSA, sugerindo que o “outro lado” vai explorar esses temas em campanha e que isso, na verdade, é “uma baixaria”. O trabalho é tão bem-feito que foram buscar declarações contrárias àquela que seria à abordagem não-virtuosa dessas questões até de tucanos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Vale dizer: meteram FHC na campanha pró-PT!

Ora, por que isso? Porque o PT tem pesquisas em mãos que demonstram que esses temas são potenciais fontes de desgaste do candidato petista. Então é preciso aplicar uma espécie de vacina, de remédio preventivo. Antes que o adversário se refira a esses assuntos, Haddad já sai gritando: “Isso é uma baixaria!”.

Nesse caso, o trabalho de manipulação da opinião pública consiste, numa ponta, em transformar o aborto numa decorrência natural dos “direitos da mulher”, desfetalizando o debate. O feto passa a ser uma mera derivação do seu corpo; se a incomoda e se ela não quer, tira-se. Também se vai insistir nas escandalosamente mentirosas 200 mil mortes de mulheres em decorrência de abortos clandestinos. Outro argumento forte, que tende a mover uma fatia dos setores mais conservadores, diz respeito à segurança pública: crianças abandonas pelos pais seriam potencialmente violentas e ameaçariam a sociedade. Na outra ponta, qualifica-se de “reacionários”, “conservadores” e “avessos ao progresso” aqueles que têm uma posição contrária, de modo a silenciá-los. Tudo dando certo, a janela se move.

Sacolinhas plásticas
Os temas variam dos mais graves, como o aborto e o Código Florestal, que dizem respeito, respectivamente, à vida humana e à segurança alimentar, aos mais bizarros — mas nem por isso menos lucrativos, como as sacolinhas plásticas nos supermercados. Ninguém convenceria de bom grado um consumidor a sair do mercado carregando compras em caixas de papelão ou em sacolas de lona. Os incômodos são muitos. Alevantou-se, como diria o poeta, um valor mais alto — e hoje base de várias teses autoritárias influentes: a conservação da natureza.

Huuummm… Em nome dela, nada mais de sacolinhas feitas de derivado de petróleo! Certo! Considerando que os brasileiros não comem plástico, aquele troço servia, leitor amigo, na sua casa e na minha, de saquinho de lixo, certo? Sem um, aumenta o consumo do outro, e o resultado tende ao empate. Os supermercados podem ganhar uns trocos não fornecendo os saquinhos, a indústria de plástico pode compensar a baixa do consumo de um produto com a elevação do consumo de outro, e só o consumidor se dana. Mas esperem! Há a sacolinha reciclável, feita, parece, com algum derivado do milho… Descobriu-se de pois que havia um único fornecedor para o produto… É mesmo?

Cuidado!
É preciso tomar cuidado para não cair na paranóia de que o mundo é uma grande conspiração; de que forças secretas se movem nas sombras e que estamos sempre sendo administrados por alguém. Não deixem que a “Janela de Overton” abra a “Janela da Conspiração” na sua cabeça. Somos sempre influenciados pelo debate público, pelas opiniões alheias, pela propaganda, pelo trabalho, sim!, dos assessores de imprensa, assessores de imagem, administradores de crise, essas coisas… Isso é normal é do mundo livre. Chata era a vida nos países comunas, onde só se podia ser influenciado pelo… partido!

Como, então, distinguir o “meu pensamento” dessa algaravia de outros pensamentos e lobbies organizados? Bem, não tenho a receita. O que costumo recomendar é o seguinte: verifique sempre se as pessoas estão debatendo o mérito da questão ou algum tema associado, que pode até guardar algum parentesco com o assunto principal, mas que é um óbvio desvio.

Se você se pegar falando sobre o desvio, o tema paralelo, não duvide: você caiu na rede profissional dos operadores de opinião pública. Não faz tempo, o caos nos aeroportos brasileiros e o péssimo serviço oferecido por algumas companhias aéreas acabaram surgindo no noticiário como evidências do sucesso do governo petista na política de distribuição de renda, que teria levado os pobres para o avião. A questão essencial ficou de lado: por que aeroportos e companhias aéreas não se organizaram para isso? A janeja da opinião pública, é evidente, estava numa posição crítica, contrária ao governo e à bagaunça das companhias. Mas se deslocou um pouco para recepcionar a tese do “bom caos”, gerado por motivos edificantes.

Encerro
No curto prazo, governos investem somas fabulosas em propaganda, divulgando seus feitos. Aquele outro trabalho, de mudança de valores, é mais sutil. As oposições brasileiras não têm sabido enfrentar nem uma coisa nem outra.

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 16:48

O pântano moral para onde caminharam os ditos “progressistas”

É claro que vou voltar à questão do aborto. Notem que, no post desta madrugada, nem mesmo entrei no mérito da questão, o que já devo ter feito centenas de vezes. O mais espantoso na proposta elaborada pela tal comissão é a clara tentativa de enganar a opinião pública, criando uma via oblíqua para a legalização da prática sem chamar as coisas pelo nome que elas têm.

O texto elaborado, se convertido em lei, dá à mulher, conforme pretende certa pregação feminista — de que a ministra Eleonora Menicucci é a expressão mais visível hoje —, o direito absoluto de decidir se aborta ou não. Para tanto, basta que demonstre a médicos e psicólogos não ter “condições psicológicas” de manter a gravidez. E se o pai da criança for contra? Ele não existe na lei.

O Supremo tomará em breve uma decisão sobre o abortamento de fetos com anencefalia diagnosticada. Vai aprovar com certeza absoluta. É claro que isso abrirá precedente para a interrupção da gravidez no caso de outras deficiências. A proposta elaborada pela tal comissão já deixa isso claríssimo. Está lá no Inciso III do Artigo 128 que aborto não é crime quando:
III – comprovada a anencefalia ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado por dois médicos.”

O que é uma “vida independente”? Todos os representantes do JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista) deveriam ter sido abortados, não é? Nenhum deles consegue ter uma “Vida independente”…

Pântano
Vejam para que pântano nos arrastaram os “progressistas”. Como vocês sabem, “reacionários”, nesse debate, somos eu e os que pensam de modo parecido. Os “modernos” são os que pregam que a vida humana já passe por uma seleção antes do parto, com a eliminação dos deficientes. Sempre soube que eles chegariam a isso e a muito mais — como é o caso da defesa do infanticídio, que já começa a ser feita abertamente por essa mesma corrente de pensamento. Quem não respeita a vida humana como princípio não vai respeitá-la depois, nas situações aplicadas, certo?

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 15:38

O pacote da Caixa Econômica Federal para Paulo Henrique Amorim? R$ 832 mil

Leiam o que informa o jornalista Fábio Pannunzio no Blog do Pannunzio. Volto depois.

O lucro do governismo de PHA: R$ 832 mil só da CEF

O chefe da claque governista na internet, o blogueiro autoproclamado progressista Paulo Henrique Amorim, recebeu da Caixa Econômica Federal R$  833,28 mil reais em patrocínios para sua página eletrônica. O valor foi informado ao Blog do Pannunzio pela Assessoria de Imprensa da CEF e se refere a 20 meses de veiculação de banners em 2011 e 2012.

O valor mensal dos patrocínios arrecadados é equivalente ao que o Conversa Afiada recebeu dos Correios – R$ 40 mil mensais pela veiculação de uma campanha do Sedex entre outubro de 2011 e fevereiro deste ano. O contrato com os Correios foi suspenso, segundo a estatal em função do fim da campanha.

Outras empresas e autarquias também cedem patrocínio ao blog de Paulo Henrique Amorim. Consultado pelo Blog do Pannunzio, o Banco do Brasil prometeu, por intermédio de sua assessoria de imprensa, respoder ainda nesta segunda-feira o valor empenhado pela instituição na página eletrônica. Até o monento da publicação deste post, no entanto, anda não havia resposta.

Somente com os valores pagos pela CEF e Correios, seria possível ao governo retirar da miséria 8300 famílias, com o pagamento do benefício médio de R$ 115,00.

O editor do Conversa Afiada foi processado  várias vezes por injúria, inclusive racial. PHA foi condenado pela justiça paulista por ter chamado Paulo Preto de “Paulo Afro-Descendente”. Também foi obrigado a se retratar – obrigação ainda não integralmente cumprida -  diante do jornalista Heraldo Pereira, da Globo, e a pagar R$ 30 mil de indenização, dinheiro destinado pelo comentarista do Jornal da Globo para uma instituição de caridade, por ter utilizado a expressão “negro de alma branca” para tentar desqualificá-lo. Responde, ainda, a um processo criminal movido pelo Ministério Público do Distrito Federal para apurar e punir as mesmas injúrias.
(…)

Voltei
A CEF coloque a sua marca onde achar melhor, não é? Mas é um banco público. A direção da empresa lida com um dinheiro que não lhe pertence. No caso, essa verba financia:
- uma campanha feroz contra um ministro do Supremo, que tem seu nome adulterado com o ânimo claro da injúria e da difamação;
- uma campanha sistemática contra qualquer movimento de um representante da oposição;
- uma campanha sistemática contra alguns veículos de comunicação em benefício de outros;
- a qualificação de um dos mais capazes jornalistas brasileiros como “negro de alma branca”.

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 15:08

Ufa! Ricardo Teixeira renuncia; já é alguma coisa! A gente tinha aprendido que até presidente da República podia cair, menos… Teixeira!

Leiam o que informa a VEJA Online. Volto em seguida:
Ricardo Teixeira não é mais o presidente da CBF. Alvo de diversas denúncias de corrupção, o dirigente que comandava o futebol brasileiro havia mais de duas décadas renunciou nesta segunda-feira. A notícia foi dada por José Maria Marin, que leu uma carta em que Teixeira se despede do cargo — ele presidia a CBF desde 1989. Ex-genro de João Havelange, que comandou a CBD (que viria a se tornar CBF) entre 1956 e 1974, Teixeira se espelhou no cartola em seu gosto pela permanência no poder, e conseguiu se reeleger por quatro vezes consecutivas. José Maria Marin assumirá o cargo que foi de Teixeira até o fim do mandato, que termina em 2014, por ser o vice-presidente mais velho da CBF.

Marin é ex-governador de São Paulo e foi visto recentemente embolsando uma medalha que deveria ser entregue aos jogadores da equipe sub-18 do Corinthians, que venceram a Copa São Paulo de Juniores. Após o flagrante, ele afirmou que o objeto era um presente da Federação Paulista de Futebol. Pouco tempo atrás, Teixeira era considerado nome certo para disputar a sucessão do presidente Joseph Blatter na Fifa, em 2015. Sua situação piorou quando teria apoiado nos bastidores a candidatura do catariano Mohamed bin Hammam nas eleições do ano passado. Hammam desistiu da candidatura pouco tempo depois por conta de denúncias de corrupção.

A mudança de lado de Teixeira abalou suas relações com Blatter, que passou a apontar Michel Platini, atual presidente da Uefa, como seu possível sucessor. No período em que Ricardo Teixeira esteve à frente da entidade, o Brasil disputou seis Copas do Mundo e conquistou duas, em 1994 e 2002. A alternância entre fracassos e bons desempenhos dentro de campo ocorreu simultaneamente a uma série de denúncias contra o dirigente. O primeiro momento de grande turbulência ocorreu no início dos anos 2000, quando foi acusado de lavagem de dinheiro, apropriação indébita, sonegação de impostos e evasão de divisas no relatório da CPI do Futebol.

Apesar das numerosas denúncias, Teixeira não foi condenado pela Justiça e seguiu à frente da CBF. Mesmo sendo o principal nome da organização da Copa do Mundo de 2014, comandando o Comitê Organizador Local (COL), Teixeira se enfraqueceu nos últimos meses pelo aumento das denúncias envolvendo seu nome. Ricardo Teixeira também deixou a presidente do Comitê Organizador Local (COL) da Copa de 2014, cargo que também será ocupado por José Maria Marin. A troca de comando no comitê é mais um episódio de grande repercussão no turbulento processo de preparação do Brasil para sediar o Mundial – o país vem sendo criticado pela Fifa pela demora nos projetos ligados à Copa.

Voltei
Teixeira caiu. É um bom sinal. Por enquanto, nada muda na CBF nem no futebol brasileiro. Ninguém olha para José Maria Marin, seu sucessor, e vê um “mudancista”, não é? Lauro Jardim, no Radar, informa que Teixeira “(…) deixa na CBF o irmão Guilherme, que lá trabalha há duas décadas. E, no Comitê Organizador da Copa 2014, permanecem sua filha, Joana Havelange, diretora; e o cunhado, Leonardo Rodrigues, gerente de compras.” Entenderam? Mas é certo que seu poder é declinante. Entendo que os motivos da saída são ainda obscuros. Denúncias contra Teixeira não são exatamente coisa nova.

O “cartolismo” no futebol brasileiro é um cancro. Dados a importância que o esporte tem para milhões de pessoas e o tamanho da economia, é espantoso que se tenha de lidar ainda com estruturas tão amadoras, com mandonismo primitivo, com politicagem vigarista. É bem verdade que a própria Fifa, como demonstra o noticiário internacional, está longe de ser um exemplo de virtude.

Cumpre não ser otimista demais, mas também não é o caso de deixar passar uma boa notícia. Há 20 anos, caiu um presidente da República; há 23, nada acontecia na ditadura da CBF. Vamos ver se as pedras começam a se mover.

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 14:44

Não fiquem aflitos…

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 7:31

LEIAM ABAIXO

QUEREM LEGALIZAR O ABORTO SEM QUE A POPULAÇÃO FIQUE SABENDO. OU: OS PROGRESSISTAS ADERIRAM À EUGENIA! FAZ SENTIDO:  NA ORIGEM, SÃO IRMÃOS SIAMESES DO FASCISMO!;
O desfile dos 15 pelados por um mundo melhor! Historicamente, o povo luta para proteger o seu traseiro, não para expô-lo em praça pública!;
Ainda o padre Paulo Ricardo e as hostes da difamação. Ou: “Ou falem ou se calem”;
O leninismo caboclo se rende ao imperialismo!;
Ihhh, as “chalitetes” resolveram invadir o meu blog!;
Conforme eu sempre quis demonstrar, bandidos do Rio foram assaltar em outros lugares. Quem está surpreso?;
A Comissão da Morte está com a foice na mão e propõe legalizar aborto e eutanásia; é o “Plano Nacional-Socialista de Direitos Humanos” em ação;
Os pitorescos do selim. Ou: A revolução dos pelados reacionários;
Cúpula do PMDB também ameaça ficar pelada. É sério!;
30 colégios tiveram acesso prévio a questões do Enem, e não apenas um. Obra do “traquejado” Fernando Haddad;
Dimenstein dá apoio a ciclistas pelados e diz que isso, sim, é tirar a roupa por bons motivos… Pois é… Sempre pensei numa causa melhor…;
“Cristianismo stalinista” do Mato Grosso pede a cassação do padre Paulo Ricardo. Entendi que seu pecado é ser católico demais! Cadê a solidariedade de Chalita?;
Em dois vídeos, Carlinhos Cachoeira aparece como abastecedor de caixa dois de deputado petista;
Em palestra nos EUA, Chalita compara as favelas do Rio à costa grega, que atrai os milionários. Entendi: a Rocinha, um dia, será Mykonos!;
A Era dos Boçais! Três décadas de petismo geraram os “fascistas” cheios de “consciência social”, que trazem a ditadura na alma!

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 7:19

QUEREM LEGALIZAR O ABORTO SEM QUE A POPULAÇÃO FIQUE SABENDO. OU: OS PROGRESSISTAS ADERIRAM À EUGENIA! FAZ SENTIDO: NA ORIGEM, SÃO IRMÃOS SIAMESES DO FASCISMO!

A cada vez que se pensa em fazer reformas no Brasil, é bom botar as barbas de molho. O risco de que as coisas piorem é gigantesco. Vejam o caso da reforma política. O que se gestou é muito pior do que o que se tem hoje.  O debate sobre a atualização do Código Penal segue por essa trilha infeliz. De maneira sorrateira, vigarista, a tal Comissão de Juristas, que elaborou uma proposta para ser debatida no Senado, propôs a legalização do aborto, ainda que dê à coisa outro nome. Os valentes querem o Artigo 128 com esta redação:

Art. 128. Não há crime se:
I – se houver risco à vida ou à saúde da gestante.
II – a gravidez resulta de violação da dignidade sexual, ou do emprego não consentido de técnica de reprodução assistida;
III – comprovada a anencefalia ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado por dois médicos.
IV – por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação, quando o médico constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade.
§ 1º Nos casos dos incisos II e III, e da segunda parte do inciso I, o aborto deve ser precedido de consentimento da gestante, ou quando menor, incapaz ou impossibilitada de consentir, de seu representante legal, do cônjuge ou de seu companheiro.

A Constituição garante a proteção à vida desde a concepção. A proposta dos bacanas a nega. Logo, ela transgride a Constituição. E daí? Não nos faltariam feiticeiros para afirmar, sei lá, que “o espírito da Carta” autoriza tal prática. Vocês sabem o que penso sobre o aborto. É claro que outras pessoas têm o direito de defender o contrário.  Que, então, defendam! Mas aí lhes falta coragem. Querem meter a mudança goela abaixo da população sem nem mesmo ter o trabalho de defender um ponto de vista.

Ora, releiam o texto acima. Basta que a mulher queria abortar e seja convincente ao demonstrar “que não tem condições psicológicas”, tudo bem! O aborto será feito.

Atenção para a malandragem: o argumento mais forte dos abortistas é o chamado “direito que a mulher tem sobre seu corpo”. É o valor implícito no texto acima. Reparem que não existe homem na jogada; não existe pai. Bastaria que a mulher se entendesse com os médicos.

O Supremo vai decidir sobre os casos de anencefalia em breve. Afirmei aqui há dias, podem procurar no arquivo, que isso abriria o caminho para toda sorte de horrores. E abrirá. O conceito de “vida independente” é muito vago. Sob muitos aspectos, um indivíduo com Síndrome de Down, por exemplo, não tem uma “vida independente”. Precisará sempre de um monitoramento. Curioso, não? Os “progressistas” chegaram bem depressa à eugenia. Faz sentido. A história demonstra que são irmãos siameses dos fascistas.

Noves fora, o que vai acima se reduz ao seguinte: se a mulher falar que não quer a gravidez de jeito nenhum, faz-se o aborto. Ou será que caberia aos médicos e psicólogos esta improvável decisão: “Bem, ela rejeita a gravidez, não quer o filho de jeito nenhum, deixou claro que o bebê será um transtorno em sua vida, mas nós achamos que ela tem condições psicológicas, sim!”? Acho que isso não acontecerá.

Luiz Carlos Gonçalves, relator da Comissão do Código Penal, que já havia chamado outro dia o aborto de “método contraceptivo”, o que é um absurdo, falou ao Jornal Nacional. Prestem atenção:
 “O médico diagnostica essa situação de desespero, de extrema gravidade, na qual a gestante não teria a menor condição de levar à frente a gravidez ou a maternidade em razão dessas situações psicológicas. Imagine, por exemplo, a pessoa que é viciada em crack e que nem sabe como engravidou…”

Imagino, sim! Acho que isso abre as portas não só para o aborto, não é? Por que não esterilizá-las, de vez, como os nazistas faziam com os fracos, os idiotas, os doentes?

Aborto pós-nascimento
Há dias, fizemos aqui um debate sobre uma proposta de dois especialistas, que defendem a legalização do infanticídio. Chamam a isso de “aborto pós-nascimento”. Como escrevi aqui, eles não deixam de ter razão quando afirmam que o status moral do feto e do recém-nascido é o mesmo; se um pode ser morto (e eles acham que pode), por que não o outro? Feto é coisa! Recém-nascido é coisa!

Goela abaixo
Aos poucos, as propostas contidas no “Plano Nacional-Socialista de Direitos Humanos” vão sendo apresentadas. Pretende-se legalizar o aborto no país sem que a sociedade seja chamada a dizer o que pensa a respeito.

Atenção, caras e caros, isso é uma tática para ganhar a opinião pública. Aos poucos, os “progressistas” pretendem deslocar uma posição majoritariamente contrária ao aborto para um ponto de maior tolerância — até que haja, tudo dando certo, uma maioria a favor do aborto.

Por um tempo ao menos, caso essa mudança seja aceita, viveremos a situação esdrúxula de ter uma lei que criminaliza o aborto — exceto no caso de a grávida querer o… aborto! Logo… A propósito: e se uma mulher quiser, a todo custo, interromper a gravidez, mas não o pai da criança? Ora… O pai só passa a ter direito a uma opinião depois de nascida a criança… E isso num país em que a paternidade irresponsável é um problema grave.

Este será um excelente debate. Vamos ver como vão se posicionar os digníssimos parlamentares. Neste exato momento, existem ONGs, lobbies e especialistas em opinião pública fartamente financiados por entidades estrangeiras pró-aborto encarregados de plantar notícias favoráveis à mudança do Código. Tentarão evitar ao máximo a palavra “aborto” — “legalização do aborto”, então, nem pensar! Falarão na “saúde da mulher” e na “proteção à gestante”. O feto será apenas uma “coisa”; é preciso retirar dele quaisquer atributos humanos para que se possa eliminá-lo sem polêmicas — tática usada pelos apologistas do infanticídio.

Notem que já há alguns dias a ministra Eleonora Menicucci (Mulheres) aparece como vítima no noticiário, pobrezinha! Na ONU, ela teria levado uma carraspana de “especialistas”, que estariam a exigir, como se pudessem fazê-lo, que o Brasil modernize a sua legislação sobre o assunto. Agora, será tratada como alguém silenciada por Marcelo Crivella, que seria a garantia, junto à bancada evangélica, de que o governo não tomará medidas para legalizar o aborto.

Na ONU, a propósito, Eleonora disse que caberia ao Congresso tomar as medidas. Este mesmo Congresso que agora passa a ser pressionado por essa reforma do Código Penal, que conta com apoio maciço da imprensa. Para variar, essa gente não percebeu que do mesmo manancial de que sai a legalização do aborto (e do qual derivou a perseguição aos crucifixos) pode sair a censura à imprensa. Debate-se um projeto de sociedade, não uma medida pontual. Os fetos não vão protestar. Este será sempre um confronto entre não-abortados, não é?, pouco importa de que lado se esteja. 

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 7:17

O desfile dos 15 pelados por um mundo melhor! Historicamente, o povo luta para proteger o seu traseiro, não para expô-lo em praça pública!

Os talibikers e os fascisbikers, nas redes sociais, prometem não me deixar em paz. Ai, que medinho!!! Eu também não os deixarei. Se não sabem viver em sociedade, podem contar comigo. Eu lhes darei noções básicas de civilidade. E uma delas é esta: eles não têm o direito de parar a cidade porque julgam ter uma solução mágica para o trânsito. Não é solução, não é mágica, e eles são autoritários — expressão de um momento em que burguesotes desinformados resolvem exercer a sua cidadania à moda dos antigos mandonistas: privatizando o espaço público. E ainda pretendem falar em nome do povo e da democracia! Povo???

O make-up: dois cicloativistas se preparam para desfilar na Avenida Paulista

O make-up: dois cicloativistas se preparam para desfilar na Avenida Paulista - Foto Marlene Bergamo/Folhapress

 

 

A marcha dos pelados — aquela em que Gilberto Dimenstein enxerga o nascimento de uma nova aurora — reuniu no sábado à noite, segundo a Folha, 100 pessoas — pelados mesmo, havia 15. Seriam 15% os exibicionistas num grupo qualquer? Não sei. Desfilaram na Paulista. Pergunto de novo: “povo???” Por que não foram expor seus peruzinhos no Capão Redondo? Eles veriam o que faz “o povo” de verdade com gente amostrada.

Estão bravíssimos comigo. Acusam-me, parece, de não cultivar a “cicloemotividade”. Eu acho que eles têm o direito de andar de bicicleta, sim!, e de correr riscos. Podem até pedir que se criem em todas as avenidas de São Paulo pistas, que ficarão desertas, para suas bicicletas. Se as terão, aí é outra coisa. Eu contestei seus métodos — inicialmente ao menos. À medida que eles tentaram argumentar, passei a questionar também o mérito. Não é que eles acreditam mesmo que a cidade já pode, hoje, reservar um lugar só pra eles em todas as vias? Fazer o quê? Todo homem tem direito a um grãozinho de loucura. Não tem é o direito de impô-lo a terceiros.

Gente que não me conhece e que jamais leu o blog vitupera: “Você, dirigindo a sua SUV — um deles jura já ter me visto pilotando uma Porshe Cayenne branca!!! —, deve se sentir o dono do mundo!!!” Uau! Eu nunca nem liguei um carro! Nunca cheguei a sentar no banco do motorista! Jamais dirigi! Faço quase tudo aquilo de que preciso a pé porque o bairro em que moro permite isso. Produzo, com certeza, menos carbono — e besteira — do que esses valentes amigos da humanidade. Assim, não era eu naquela Cayenne — uma rápida pesquisa na Internet me obriga a acrescentar: “Infelizmente!”. Acho que me sentiria muito bem dentro de uma, hehe. Se algum admirador milionário quiser me dar uma de presente… Eu só não prometo escrever um livro em três horas como Chalita nem praticar salto duplo twist carpado retórico!

Isso tudo é de um ridículo atroz. Eu espero que motoristas, ciclistas e pedestres sejam mais civilizados. Acho, sim, que o trânsito de São Paulo é perverso — e há vários motivos que concorrem pra isso. Não haverá solução no curto prazo. Acreditar que se possam estrangular os carros num espaço ainda menor é tolice. O trânsito de Nova York é muito melhor do que o de São Paulo, e não se vêem bicicletas nas ruas — só pra turista, nas imediações do Central Park. A capital paulista não é Amsterdã.

Quinhentas pessoas pararam a cidade? Cem desfilaram nuas ou seminuas? Eis aí! Ainda que fossem 10 mil! Continuariam a formar uma minoria que merece respeito, sim, mas que tem de aprender a respeitar. Ou nada feito.

Lá no título, faço uma provocação. Digo que, historicamente, o povo luta para proteger o seu traseiro, não para expô-lo. Recorro a uma imagem jocosa, mas o assunto é sério. A banalização da nudez em reivindicações de protesto expressa uma visão deformada — lá vou eu comprar ainda mais briga! — do opressor, não do oprimido! É o opressor que considera que o corpo nu ofende e humilha. Por isso tantas fotos e filmes de prisioneiros nus em campos de concentração. Por isso, nas rebeliões em presídios, depois de vencido o motim, a ordem é esta: “Todo mundo sem roupa!” O corpo em pêlo deixa o homem sem qualquer defesa, diminui sua capacidade de reação e o expõe à expiação pública.

Não por acaso, esse “método de luta” não tem, vamos dizer, tradição revolucionária. Não se conhece uma só revolução socialista de pelados. Nada! Esse tipo de protesto ganha notoriedade em 1968 e nos anos posteriores, do desbunde. Extremistas oriundos das classes superiores, pouco importava a causa, buscavam ofender o establishment, esfregando, então, a nudez na cara do poder. Um jogo curioso: o “corpo”, que a classe operária protegia — e que os pobres protegem ainda hoje —, passava a ser exposto como instrumento de ofensa. Pergunte ao homem comum o que pensa a respeito. Ele continua apegado a um valor que o protegeu da violência dos fortes: o corpo é inviolável e tem de ser preservado. Essa gente é, acima de tudo, deploravelmente desinformada. Talvez falte aos pelados isso a que de modo comezinho chamamos “vergonha na cara”. Mas lhes falta também um mínimo de cultura política.

Mandam-me uma foto ineressante, que também saiu no Blog do Aluizio Amorim. Mussolini, ele mesmo, passa em revista uma tropa de fascistas, todos nas suas bicicletas. É claro que é uma provocaçãozinha para esses talibikers e fascisbikers sem humor. São 100? São 500? Nas redes sociais, eles fingem ser milhões: xingam, vituperam, demonizam, ameaçam… E tudo porque, eles dizem, nada mais fazem do que lutar por um mundo melhor.

mussolini-bicicletas

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 7:07

Ainda o padre Paulo Ricardo e as hostes da difamação. Ou: “Ou falem ou se calem”

Escrevi na sexta-feira um post sobre a perseguição covarde ao padre Paulo Ricardo. O texto está aqui. Deixei claro, inclusive, que não concordo com todas as suas opiniões, análises e abordagens. E daí? Sei reconhecer uma perseguição quando diante de uma — e é o caso. Alguns leitores me advertem: “Cuidado! O padre é polêmico!”. É? E daí? Já fui chamado de “polêmico” também simplesmente porque não conseguem um bom contra-argumento. Esse adjetivo é uma gaveta: cabe tudo nele.

Falo sobre o que vejo e leio. A carta em que pedem a cabeça do padre é uma das coisas mais pusilânimes em que já pus os olhos, inclusive por causa da covardia cínica: pedem que seu sacerdócio seja suspenso e que ele seja afastado do ensino, mas o fazem com uma linguagem muito pia, sugerindo que é para seu bem. Se Paulo Ricardo cometeu algum erro, não apareceu naquela carta.

Atenção! Eu raramente defendo pessoas — quando isso acontece, certamente se deve a alguma razão afetiva, mas deixo claro. EU DEFENDO IDÉIAS, PONTOS DE VISTA, PENSAMENTOS, meus e de terceiros. Pessoas pecam e cometem erros; os princípios que defendo, não! (lá vai petralha não entender nada, Deus do Céu!). Se os julgasse errado, escolheria outros, ora essa!

Se o padre, em algum momento, transgrediu algum princípio da Igreja, que digam com clareza. Submetê-lo a uma corrente meramente difamatória, acusando-o, parece, de excesso de ortodoxia (!?), numa linguagem que apela claramente à ideologia??? Aí não dá!!!

Assim, sou grato aos que me dedicam seu zelo (“cuidado, Reinaldo, afinal vocês não sabe etc…”), mas ele não é necessário. Seguirei dizendo “sim” àquilo que me agrada e “não” ao que não me agrada. Se eu souber alguma coisa sobre o padre Paulo Ricardo que o desabone, direi — sem que isso mude uma linha do que escrevi a respeito da carta que pede a sua punição.

Se têm alguma coisa objetiva contra o padre, que o digam! Pedir que ele seja punido porque não gostam de sua pregação — que referenda, diga-se, a posição da Igreja, aí não!Eu tenho verdadeiro horror desse método, que convoca a torcida para destruir uma reputação, sem apontar objetivamente o que, no outro, incomoda. Alguns bananas espalham por aí que ofendo esse ou aquele. Uma ova! O que faço é pegar determinadas falas, esmiuçá-las e demonstrar, eventualmente, seu fundo falso. Os que me detestam até folgam com algum eventual exagero que eu possa cometer — sou humano… Folgam porque lhes dá a chance de declarar: “Olhem como ele é bruto!”. Mas não é do “Reinaldo bruto” que não gostam; eles detestam mesmo é aquele que eventualmente os deixa sem contra-argumentos — a exemplo do texto sobre o aborto, em que demonstro, sem chance para réplica, que estão propondo a legalização da prática e ponto final. Mas volto a Paulo Ricardo.

Se seus detratores têm algo de concreto que o torne incompatível com as funções sacerdotais e com o ensino, que o digam! O que vi naquela carta foram ressentimento, brutalidade, cinismo e perseguição ideológica. O que li naquela carta reforça, entendo, as posições do padre, em vez de fragilizá-lo. Se e quando houver algo que evidencie o contrário, então direi o contrário. Na carta, o que se vê e se lê são apenas manifestações de esquerdistas infiltrados na Igreja Católica tentando difamar um desafeto. E eu não vou me calar diante disso. Ponto.

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 7:05

O leninismo caboclo se rende ao imperialismo!

Como sabia Lênin, todo processo revolucionário tem o momento de "que fazer". A resposta, nesse caso, foi óbvia: "Vamos ao MCDonalds"

Como sabia Lênin, todo processo revolucionário tem o momento do "que fazer". A resposta, nesse caso, foi óbvia: "Vamos ao McDonald's"

 

 

 

Vi a foto no Blog do Aluizio Amorim. É claro que tem a sua graça. Um fila de companheiros do MST aguarda a sua vez para comer, sei lá, um McLanche Feliz, que dá brinde. João Pedro Stedile já foi mais cioso da integridade ideológica de seus pares. Quando vejo a revolução socialista fazendo fila para ser servida no McDonald’s,  expressão máxima do imperialismo, meu lado panfletário se atiça, hehe.

Mas eu compreendo. O atendimento é rápido, o socialismo não pode esperar, e só resta aos companheiros usar as armas do inimigo: os lanches!

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 7:03

Ihhh, as “chalitetes” resolveram invadir o meu blog!

Publiquei aqui um post crítico ao pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, que afirmou em palestra a brasileiros e latinos nos EUA que as favelas do Rio podem se comparar às encostas das ilhas turísticas da Grécia… Trata-se de uma daquelas bobagens enfatuadas deste rapaz, capaz de dizer as maiores asnices naquele tom que pretende conciliar seriedade e “amor ao próximo”. No jogo político, no entanto, ele não é assim tão gugu-dadá, não! Basta ver como foi pulando de galho em galho, até chegar ao PMDB de Sarney e Renan Calheiros… Mas escrevo este post para tratar de outro aspecto.

Um monte de “chalitetes” — os apelidos, ao menos eram femininos — entraram no blog para me acusar de ter “inveja” do Chalita. Pô, aí é sacanagem comigo!

Nos dons do pensamento, como diria Bocage, se eu tivesse de invejar alguém, convenham, não seria Chalita. “Ah, queria ser o Machado de Assis, o Edmund Burke; o outro Edmund — o Wilson —, o Fernando Pessoa, o Auden… Invejar Gabriel Chalita???

Se fosse na belezura — eu ainda acho que ele tenta parecer mais bonito do que inteligente… —, aí teria de ser um padrão, assim, que deixasse as moças mais, como posso dizer?, eriçadas. Não, queridas (uma delas entrou cinco vezes com apelidos diferentes; já disse que tenho como detectar)! Não tenho inveja de Chalita. É que o senso de humor involuntário dele não me agrada…

Um tal Luciano Pires escreve:
“Engraçado… Há uns anos atrás, o Chalita era o deus da educação aqui em SP. Agora porque saiu do ninho tucano virou motivo de chacota (…)”
Com o seu “há uns anos atrás”, o Luciano também está pronto para escrever 9785 livros, correndo o risco de esbarrar no trocadilho… Mas sigamos. Não aqui, Zé Mané! Ache um elogio que eu tenha feito a Chalita no PSDB, no PSB ou no PMDB, e eu paro de escrever. Já disse que as pessoas me importam menos do que as idéias. E eu não reconheço em Chalita uma única que, de fato, lhe pertença. A verdade é bem outra: ele era objeto, sim, da chacota de boa parte da imprensa quando estava no PSDB. Depois que migrou para o lulo-dilmismo, virou “fonte confiável” dos jornalistas que mangavam dele antes por causa da impressionante coleção de batatadas que reúne naquelas coisas que chama “livros”.

Eu ainda não me recuperei de uma entrevista que ele concedeu à Folha de S.Paulo, em que revelou seu método criativo. Duas passagens merecem destaque: ele conta como escreve tanto e por que é tão… criativo!

Folha – Só no ano de 2010 foram oito livros. Como consegue ser tão prolixo? Trabalha com “ghost writer”?
Chalita –
É que deve ter muito livro infantil aí. O livro que fiz com o Mauricio de Sousa, por exemplo, escrevi no avião em uma viagem de São Paulo a Natal. O “Pedagogia do Amor”, escrevi em 15 dias. “A Ética do Menino” foi no Réveillon. Estava na casa de Ângela Gutierrez em Salvador. A Milu Vilella sentou ao meu lado e disse: “Deixe-me ver como você escreve”.

 

Reproduzo comentário que já fiz a respeito:
É um potentado! Se Chalita fosse um ginasta, Milu pediria: “Chalita, dê uma pirueta!” E ele daria pirueta. “Agora uma estrela!” Pimba! Lá estaria o Chalitinha encantando as senhoras com sua agilidade. Como é escritor, alguém se acerca e pede: “Deixe-me ver como você escreve”. E lá vai ele, segundo entendi, com uma variante da escrita automática, lançando no papel tudo o que lhe vem à mente, segundo o método da livre associação. É verdadeiramente mágico!

Mas não é essa passagem que me tira o sono. O Chalita verdadeiramente revolucionário está aqui:
Folha – Como funciona seu processo de criação?

Chalita -
Faço associações. Por exemplo, os rituais macabros com albinos na Tanzânia que menciono em um livro. Fiquei sabendo disso no Congresso. E eu adoro o “Navio Negreiro”, daí eu pego a coisa da Tanzânia, e penso no pássaro que o Castro Alves imaginava sobre aquela nau, vendo aquele sofrimento. Então, eu vou buscar o Castro Alves e coloco lá.

Esse “eu vou buscar Castro Alves e coloco lá” é a prova de seu rigor intelectual. Sentir o quê? Inveja??? Não é por acaso que ele anda a confundir José Sarney com Platão e Michel Temer com Aristóteles…

O que Chalita não tem mesmo, convenham, é senso de ridículo. As chalitetes que segurem a franga aí. Vão saber onde os albinos sacrificados da Tanzânia se encontram com a poesia de Castro Alves (Santo Deus!) e não percam tempo me enviando insultos.

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2012

às 7:01

Conforme eu sempre quis demonstrar, bandidos do Rio foram assaltar em outros lugares. Quem está surpreso?

Que coisa, né!?
Apanhei tanto, até de alguns leitores que costumam gostar de mim, por causa das minhas críticas às UPPs do governador Sérgio Cabral e do mago José Mariano Beltrame – que alguns cariocas entusiasmados queriam candidato ao Nobel da Paz (eu juro!!!)! Minha crítica tinha um centro: a tática espalha-bandido. A UPP chega, ninguém é preso, os marginais mais perigosos dão no pé — os menos continuam a operar o tráfico. De vez em quando, pegam um figurão ou outro do crime para que a vício honre a virtude, e tudo fica por isso mesmo.

Virou modelo! O governo federal vive a elogiar o modo que o Rio tem de combater o crime. Gabriel Chalita, aquele que estreita os albinos da Tanzânia com Castro Alves “num abraço insano” (como diria o poeta), exaltou, nos EUA, o modelo Cabral. Os petistas da academia preferem acusar São Paulo (capital: 27º lugar no ranking de homicídios – isto é, último; estado: 26º lugar – penúltimo) de prender demais!

Pois bem. Leiam o que publicou o Globo na quinta. Volto depois.

Por Antônio Werneck:
Logo na entrada, um cheiro forte de queimado dominava o ambiente, mas era apenas quando se deparavam com a porta giratória trancada em pleno expediente bancário que os clientes eram informados por seguranças armados: o banco não abriu na quarta-feira para que dois caixas eletrônicos, arrombados com maçaricos em mais uma ação ousada de bandidos em Niterói, fossem trocados. O caso aconteceu em um banco na Rua Gavião Peixoto, em Icaraí, um dos bairros mais nobres da cidade dividida agora por duas quadrilhas de traficantes que fugiram para morros do município, expulsos do Rio pela expansão das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

 

Segundo policiais civis e militares de Niterói, traficantes do Morro da Mangueira tomaram a favela do Morro do Preventório, no bairro da Charitas, enquanto criminosos das favelas do complexo da Maré, expulsos pela chegada de policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), e de Senador Camará, onde a Polícia Militar tem atuado constantemente, ocuparam o Morro do Cavalão, no Centro de Niterói. Pelo menos 30 bandidos já estariam agindo na cidade e seriam os responsáveis pela onda de violência. Assaltos com reféns, arrastão e roubos de veículos se tornaram normais nos últimos três meses em bairros como Icaraí, Ingá e São Francisco.

 

O GLOBO procurou a assessoria do governador Sérgio Cabral e do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, para que falassem sobre o assunto, mas eles preferiram não comentar o caso. A Polícia Militar informou que o policiamento será reforçado com a chegada de novos policiais e recrutas. Desde o início da semana, o coronel Maurício Santos de Moraes, do 4 Comando de Policiamento de Área (CPA), vem tratando do assunto pessoalmente. “Pelas informações que dispomos, os traficantes não estão conseguindo os lucros que tinham com a venda de drogas no Rio. Por isso teriam passado a atuar em assaltos violentos”, disse um policial da cidade.

 

Os reflexos da presença de bandidos do Rio em Niterói já começam a aparecer nas estatísticas de violência. Em Icaraí, por exemplo, em janeiro do ano passado nenhum assalto a residência havia sido registrado na 77 DP, responsável pelo policiamento do bairro. Este ano, também em janeiro, os registros pularam para seis casos, como revelam números divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), da Secretaria de Segurança. Também subiram em Icaraí os casos de assaltos no interior de ônibus em janeiro: de quatro, no ano passado, para nove este ano. As ações são sempre violentas, com o uso de armas de guerra, como fuzis e metralhadoras.

 

No bairro do Ingá, a violência é percebida em qualquer esquina: restaurantes, bares e pedestres viraram alvos dos criminosos. Um estabelecimento frequentado por promotores, empresários, políticos e professores da Universidade Federal Fluminense (UFF) já foi assaltado três vezes este ano. Na última, 60 clientes ficaram sob mira de quatro criminosos fortemente armados enquanto eram saqueados. O bairro fica na jurisdição da 76 DP (Centro). Pela estatística do ISP, subiram os registros na região de roubos e furto de veículos. Os casos de roubo a pedestres cresceram 45%, pulando de 64 registros em janeiro do ano passado para 93 este ano. “Eles chegaram num carro e uma motocicleta. Eram cerca de seis, todos armados fortemente. Renderam o segurança e invadiram o restaurante. Os clientes foram mantidos reféns, com armas apontadas para a cabeça. Foram muito violentos e fugiram”, afirmou o dono do estabelecimento pedindo para não ser identificado.

 

Em São Francisco, bairro tradicionalmente residencial, os relatos de assaltos a comércio, invasão de residência e roubo de pedestres são muitos. “Aqui a situação é muito grave. Existe um paradoxo: as pessoas estão deixando de sair e com medo de ficar em casa”, contou um empresário morador de São Francisco.

 

Na última sexta-feira, um outro restaurante foi assaltado por três homens armados com pistolas, que renderam o segurança e, em poucos minutos, dominaram cerca de 30 pessoas que jantavam. Sob a mira de armas e a todo instante ameaçadas, todas entregaram bolsas, celulares, relógios e dinheiro. O arrastão terminou com uma violenta troca de tiros nas ruas do Ingá. Os assaltantes em fuga teriam tentado roubar o carro de um policial – não identificado – que passava na hora. No tiroteio, um dos bandidos foi baleado e fugiu ferido, buscando refúgio no Morro do Estado, que está ocupado pela Polícia Militar. Até agora ele não foi localizado.

 

Niterói tem cerca de 500 mil habitantes e lidera pesquisas de qualidade de vida: é a terceira cidade com o melhor índice de desenvolvimento humano (IDH) do país. Em dez anos, saltou da quinta para a primeira colocação no ranking das cidades que têm a maior renda média domiciliar per capita do país: R$ 2.031,18, segundo o Censo 2010. Apesar disso, o investimento em segurança parece diminuir ano a ano: o batalhão da Polícia Militar do município passou de cerca de 1.200 homens, na década de 80, para 700 atualmente.

 

Voltei
É claro que eu sou favorável a favelas pacificadas, ora! É claro que eu acho que é preciso haver bases da PM — e, se preciso, Forças Armadas — nas favelas. Mas atenção:
a) militares não podem atuar como se fossem seguranças dos traficantes; pacificação que convive com bandidagem é pilantragem;
b) o governo do Rio precisa prender os bandidos; se ficam soltos, cometem crimes. Foi o que sempre escrevi aqui. Considerando que eles não vão arrumar emprego só porque a UPP chegou, se não puderem atuar no Rio, vão buscar outras cidades. Quem está surpreso?

Por Reinaldo Azevedo

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados