Blogs e Colunistas

Arquivo de 2 de Março de 2012

02/03/2012

às 20:27

Editor do “Journal of Medical Ethics”, cobrado por leitor deste blog, diz que vai corrigir informação errada sobre infanticídio no Brasil

Pois é… Há uma propaganda do jornal britânico The Guardian sobre como seria contada hoje em dia, em tempos de mídias sociais e plataformas várias de notícia, a história dos Três Porquinhos. Já comento. À sua maneira, este blog dá um exemplo dos novos tempos.

Publiquei aqui alguns posts sobre a defesa que dois teóricos fizeram do infanticídio em artigo no “Journal of Medical Ethics”. Num editorial em que justifica a publicação, Julian Savulescu, editor da publicação, afirma que o Brasil adota tal prática, o que é, obviamente, mentira. No texto que escrevi a respeito, afirmei que ele só poderia estar se referindo a algumas tribos indígenas, sob o cuidado de antropólogos moralmente tarados.

Muito bem! Um leitor deste bog, meu seguidor no Twitter, e a quem sigo também, Lucas Saboia, achou Savulescu e resolveu indagá-lo sobre a sua afirmação disparatada. Não deu outra! O “especialista em ética” enviou-lhe um link que trata do assassinato de recém-nascidos em tribos indígenas. O texto cita a opinião de Antenor Vaz, que é da Funai, segundo quem “é perigoso criminalizar as ações [infanticídios] indígenas”. Para o preclaro Antenor, o estado não pode usar a moral da cultura moderna para julgar “as regras das culturas dos indígenas, que têm sobrevivido nesta terra [Brasil] por muito mais tempo do que nós, os brancos”. Outros ongueiros também são convocados para explicar que, em certas culturas indígenas, o sujeito só tem  direito à vida quando socialmente aceito. Entendi…

Lucas Saboia enviou nova mensagem a Savulescu lembrando que a Constituição Brasileira protege a vida sem restrições, não havendo exceções nem para as culturas indígenas. O “especialista” se desculpou, disse que tem amigos no Brasil — que devem tê-lo induzido ao erro — e afirmou que vai corrigir a informação. Savulesco deve imaginar que mais ou menos metade da população brasileira é indígena, matando seus filhotes sob a inspiração dos espíritos da floresta…

Dou os parabéns a Lucas. Não vamos certamente mudar a cabeça de Savulescu e seus admiradores. Mas, ao menos, uma mentira deixará de circular. Abaixo, o diálogo de Lucas com o especialista, até a promessa da correção.

Lucas Saboia ? @lucas_saboia
@juliansavulescu Did you say that newborn babies are legally killed in Brazil? Where, when and by whom?

Julian Savulescu ? @juliansavulescu
@lucas_saboia For example see Bioedge bioedge.org/index.php/bioe…. Happy to retract if Bioedge not accurate

Lucas Saboia ? @lucas_saboia
@juliansavulescu Brazilian Constitution states clearly that the right to life is a higher principle than indigenous values preservation.

Julian Savulescu ? @juliansavulescu
@lucas_saboia I am sorry if sources are incorrect. I have friends and colleagues in Brazil. I will remove ref to Brazil from ed asap (Mon)

 Lucas Saboia ? @lucas_saboia
@juliansavulescu Thank you very much!

Por Reinaldo Azevedo

02/03/2012

às 18:57

Num dia é o POC, no outro, é Edir Macedo

Se querem saber o que é o petismo, basta lembrar que Eleonora Menicucci, em seu discurso de posse, citou, ainda que não tenha falado na sigla, os seus colegas da organização terrorista POC (Partido Operário Comunista). Já Marcelo Crivella preferiu lembrar outro revolucionário, o próprio tio, Edir Macedo. Há aqueles que poderiam ser, e são, gratos a Sarney… E tudo isso está subordinado ao PT. Nessa toada, o partido ainda se converte num peronismo verde-amarelo. Os peronistas abrigavam de tudo: de paramilitares de extrema direita a terroristas de extrema esquerda.

Se não ainda sobre o PT, é possível afirmar sobre o lulo-petismo, sem medo de errar, que já tem apoiadores em todo o espectro ideológico. É bem verdade que muitos governistas de agora só estão nessa condição porque é o lado que paga mais. De todo modo, no dia em que não houver mais Lula, veremos as mais diversas correntes se engalfinhando para disputar a sua herança e o posto de continuadora de sua obra. De um extremo ao outro.

Por Reinaldo Azevedo

02/03/2012

às 18:25

Dilma nomeia o novo ministro do Duplo Sentido, e ele promete aprender a pôr a minhoca no anzol. Ou: Ministro cita dono de rede de televisão na posse

Ressuscitem Aristófanes. Depois de “As Vespas” e de “As Rãs”, ele precisa escrever “As Minhocas”, em homenagem ao que viu nesta sexta no Palácio do Planalto. Chamem Esopo. Há uma nova fábula em curso, de sentido moral ainda impreciso: “As Minhocas e a Soberana”. Que coisa!

Leiam o que informam Nathalia Passarinho e Priscilla Mendes, no Portal G1. Volto em seguida:
Alvo de críticas por não conhecer o setor que vai comandar, o novo ministro da Pesca, Marcelo Crivella (
PRB-RJ), afirmou nesta sexta-feira (2) que pretende aprender mais sobre a área. “Não quero que a presidente fique triste em ter um ministro da pesca que não é um especialista e que não sabe colocar minhoca num anzol. Mas colocar minhoca no anzol a gente aprende rápido. Pensar nos outros é que é difícil”, afirmou Crivella do discurso de posse nesta sexta-feira (2) no Palácio do Planalto.

Ao discursar depois, a presidente Dilma Rousseff disse que Crivella “é um grande especialista em colocar minhoca no anzol”. “Um grande especialista. Ele é um bom engenheiro, ele é um bom gestor. Tenho certeza que o Crivella vai acrescentar muito às nossas minhocas colocadas no anzol”, afirmou a presidente. Dilma chorou ao lamentar a saída de Luiz Sérgio de sua equipe de ministros. Ela defendeu, porém, a existência de alianças e coalizões políticas como “essência para que o Brasil seja administrado” e disse que, “infelizmente”, às vezes é preciso “prescindir” de algumas pessoas no governo.

Evangélicos
Apontado como uma indicação estratégica para aproximar o governo do setor evangélico, Crivella, que integrava a bancada evangélica no Congresso, citou a religiosidade em seu discurso. O novo ministro também citou o tio, o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal.

“Quero citar uma lição que sintetiza com simplicidade um bom conceito. Quem pensa nos outros pensa como Deus”, disse. “Peço a Deus que dê sabedoria e discernimento [...] para que continue não ocorrendo no nosso ministério qualquer deslize que desanime o povo e faça um cidadão de bem não sentir orgulho de ser brasileiro”, disse o novo ministro ao concluir o discurso. Sobre as ações necessárias ao setor da pesca e aquicultura, Crivella afirmou que é preciso formar engenheiros ligados ao setor e aumentar o volume de financiamentos.
(…)

Voltei
E aí? Dá para levar isso a sério? Marcelo Crivella foi nomeado para a Pesca. Como não há o que fazer por lá — ou seus antecessores não seriam Ideli Salvatti e  Luiz Sérgio —, vai cuidar, então, da linguagem de duplo sentido.

Sabem como é… Um governo começa metaforizando com a minhoca no anzol e depois vai percorrendo toda a variedade da alegoria zoológica: afoga o ganso; dá tapa na pantera; engole sapo; põe bode na sala; manda a vaca pro brejo; dá uma de macaco e mete a mão em cumbuca; nada de costas em rio que tem piranha…

Nada disso pode ser muito sério. Quando Crivella foi nomeado, escrevi aqui um longo texto, lembrando quem ele era e enfatizando a sua ligação com Edir Macedo, seu tio, dono do PRB, da Igreja Universal e da Rede Record. Um ou outro indagaram: o que tem uma coisa a ver com outra? Ora, perguntem a ele, que citou o tio no discurso de posse. Crivella foi escolhido porque, dizem, é um interlocutor da bancada evangélica, e há contenciosos nessa área — o aborto entre eles. Macedo é, no Brasil, o mais entusiasmado defensor do aborto de que se tem notícia.

Pensemos
Jamais aconteceria, eu sei, e eu não estou igualando as personalidades. Imaginem o que estaria fazendo agora o JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista) se Dilma tivesse nomeado um parente dos Marinho, da Globo, para ao Ministério e se, na posse, ele citasse Roberto, o patriarca, ou alguém da família. Edir Macedo, a gente vê, virou referência dos “blogueiros progressistas”.

Ressuscitem Aristófanes! Chegou a hora de escrever também “Os Jegues”.

Por Reinaldo Azevedo

02/03/2012

às 17:25

Editor de publicação que traz artigo defendendo o assassinato de recém-nascidos diz que o Brasil pratica infanticídio

Julian Savulescu, editor do “Journal of Medical Ethics” e diretor do The Oxford Centre for Neuroethics, escreveu um editorial (vocês encontram o link aqui) explicando por que publicou o artigo em que dois acadêmicos defendem o infanticídio. E faz uma afirmação surpreendente: segundo ele, o Brasil é um dos países que matam seus bebês recém-nascidos. Segue a tradução em vermelho. Comento em azul.

“Sou pessoalmente contra a legalização do infanticídio. Como editor do Jornal, no entanto, gostaria de explicar por que ele publica o artigo.
Savulescu é esperto. É daquelas pessoas capazes de ouvir as maiores barbaridades “em nome da ciência”. De todo modo, ele deve estar mentindo.

O debate ético sobre o infanticídio remonta a milhares de anos. Ao longo da história do Jornal, pelo menos 100 artigos foram publicados a respeito, alguns a favor e muitos contra. Alguns dos mais famosos filósofos do mundo escreveram sobre o mérito e as razões do infanticídio, como Michael Tooley,  Jonathan Glover, Peter Singer, Jeff McMahan e John Harris — alguns neste Jornal. McMahan argumenta que a legitimidade do infanticídio não está implícita apenas em certas teorias, mas também em certas convicções amplamente aceitas, difíceis de refutar.
O sentido moral de seu editorial é este: a coleção de absurdos que se vai dizer aqui tem história. Portanto, não fiquem chocados. Ele só não diz que o debate sobre o infanticídio estava restrito aos recém-nascidos com graves deficiências. Atenção! Não que eu justifique. Continua um lixo moral. Mas ainda está um passo atrás do que propõem Alberto Giublini e Francesca Minerva.

O infanticídio é atualmente legal na Holanda. O Protocolo Groningen permite aos médicos matar os recém-nascidos a pedido de seus país se eles [bebês] estiverem enfrentando um sofrimento insuporável. É também praticado em outras partes do mundo, como o Brasil.
O Brasil não pratica infanticídio sob nenhuma hipótese. Savulescu está mentindo. Talvez esteja se referindo a algumas comunidades indígenas, em que crianças, com efeito, são mortas sob a proteção de antropólogos moralmente tarados.

A suspensão de cuidados médicos (um ato intencional, que mata) é parte do atendimento padrão a recém-nascidos com graves deficiências no Reino Unidos, Estados Unidos, parte da Europa e em quase todo o mundo. Isso é chamado, à vezes, de eutanásia passiva.
Mais uma vez, distorce gravemente a verdade. O que se faz, muitas vezes, é não recorrer a equipamentos que prolonguem artificialmente a vida de um feto considerado inviável. Isso não é infanticídio.

Ao longo dos últimos 40 anos, tem havido um intenso debate sobre a ética de matar os recém-nascidos com sérias doenças ou permitir que morram. Uma das referências,  [o livro] “Causin Death and Saving Lives”, informa que que o Dr. Francis Crick (o laureado Prêmio Nobel que descobriu o DNA, com Jim Watson, em 1956) propôs certa feita um período de dois dias para a detecção de anormalidades [nos recém-nascidos], período depois do qual o infanticídio seria proibido.
Este senhor é um primitivo. Ele acredita que a láurea de um Nobel o torna uma referência também moral. E é de moral e de ética que se cuida aqui.

A interrupção da gravidez é legal na maioria dos países, não só em razão de deficiências do feto como também do bem-estar materno (ou outras razões). Muitos acreditam que isso é moralmente aceitável. Giubilini e Minerva estendem esse longo debate ao infanticício para perguntar: se o aborto é permitido tanto por razões sociais como médicas, por que o infaticídio só é permitido por razões médicas? Qual é a diferença moral entre um feto e um recém-nascido que justifica a diferença? Ambos têm capacidades semelhantes; se um um é permitido, por que não o outro?
Já afirmei que, de certo modo, esses dois monstros ajudam a clarificar o debate. Nunca os justificadores do aborto de interessaram em estabelecer a diferença entre um feto e um recém-nascido. A dupla diz uma coisa certa: não há nenhuma! Chegando à conclusão virtuosa, escolheram o lado nefasto: como são favoráveis ao aborto, não vêem, pois, problema em matar os recém-nascidos.

Esse aspecto do debate sobre o infanticídio por indicação médica ou por razão social é relativamente novo. Eu, pessoalmente, não concordo, mas os argumentos, com base no estatuto moral semelhante do feto e do recém-nascido, pedem refutação.
Sei… Se ninguém se dispuser a refutar um neonazista, isso não o torna certo, entende?

Este trabalho passou pela revisão de seus pares [outros especialistas em ética]. O Jornal não publica ou deixa de publicar artigos em razão de sua natureza controversa. A publicação depende da qualidade dos argumentos, do julgamento desses pares e da equipe editorial. Se um argumento estiver baseado em premissas erradas, obviamente, nós o rejeitamos. Mas, nesse caso, as premissas adotadas pelos autores têm sido amplamente defendidas como parte de um longo debate sobre o status moral da vida humana prematura – embriões, fetos e recém-nascidos -, como atesta o que vai acima.
Ah… Savulescu gostou dos argumentos. Entendi. Um dos grandes momentos do tal artigo se dá quando a dupla explica por que a adoção seria uma saída pior do que o infanticídio. Segundo esses dois especialistas em ética, entregar o filho para a adoção seria ruim para a mãe, que poderia viver a expectativa de voltar a encontrá-lo. Melhor matar a criança para que ela elabore a perda! Savulescu acha esse argumento consistente.

O Jornal está aberto à publicação de opiniões opostas para ombrear com este artigo controverso.
Julian Savulescu
editor
Jornal de Ética Médica

Entendi. O jornal está aberto, mas as “premissas” têm de ser corretas — vale dizer: Savulescu tem de estar de acordo com elas. Ou nada feito. Quem considera bom o bastante o argumento de que o infanticídio é uma saída superior à adoção revela o seu padrão moral.

Vejam quem é Julian Savulescu e o que pensa. A publicação do artigo defendendo o infanticídio, ainda que ele diga que não concorda (acho que está mentindo), é parte de uma militância. Já deixou claro que é a favor da destruição de embriões em pesquisas ainda que possam ser considerados “pessoas”.  Prega também que fetos sejam mortos para que seus órgãos sejam usados em transplantes. Eis um herói moral do nosso tempo.

Por Reinaldo Azevedo

02/03/2012

às 14:53

Se corregedora do CNJ moderar seu vocabulário, não será menos firme por isso. Chegou a hora de ser menos midiática

Vamos seguir aquela máxima: quando gosto, digo “sim”; quando não, “não”. Acho que Eliana Calmon, corregedora do Conselho Nacional de Justiça, está disposta a fazer um bom trabalho. A ela se deve a exposição de certa cultura imperial, com traços oligárquicos, vigente em alguns Tribunais de Justiça. No embate no Supremo, alinhei-me com aqueles que entendem que a corregedoria do órgão pode tomar a iniciativa de fazer investigações etc. Mas vamos com calma, Calmon!

Leiam esta fala da corregedora numa palestra feita hoje a juízes federais:
“Muitas vezes, meia-dúzia de vagabundos terminam por nos intimidar, e nós ficamos reféns deles. Por que isso acaba acontecendo? Porque não se acredita no sistema. Ficamos pensando: ‘Vou me expor, colocar minha carreira em risco para não dar em nada?’”.

Leiam agora declaração feita na última terça-feira, dia 28, na audiência da Comissão e Justiça do Senado:
“Precisamos abrir em diversos flancos para falar o que está errado dentro da nossa casa. Faço isso em prol dos magistrados sérios, decentes, que não podem ser confundidos com meia dúzia de vagabundos que estão infiltrados na magistratura.”

Voltei
Não dá! Eliana Calmon já teve restituídas as prerrogativas da investigação. Agora é hora de falar menos. Se existem “vagabundos” no Judiciário, um de seus papéis é apontá-los, para que sejam banidos do serviço público. Acho esse vocabulário impróprio para o tipo de ofício que exerce. Cria crispações inúteis e não resolve nada.

Insisto: eu estou entre aqueles que defendem a atuação do CNJ. Acho que uma Eliana Calmon menos midiática e com vocabulário mais decoroso, no entanto, reforça o conselho. Sim, é claro que há “vagabundos” entre juízes. Os há em todo canto — também no jornalismo, como prova o JEG. Mas à corregedoria de um órgão oficial cumpre dizer quem são eles, não apenas anunciar a sua existência. É o tipo de declaração que gera muito calor e pouca luz.

Por Reinaldo Azevedo

02/03/2012

às 5:51

LEIAM ABAIXO

PT e Haddad trazem desde já aborto e kit gay para o debate para tentar vacinar o debate eleitoral. Inútil! Partido e candidato terão de responder por sua obra, como todo mundo;
ELES CHEGARAM LÁ: DUPLA DE ESPECIALISTAS DEFENDE O DIREITO DE ASSASSINAR TAMBÉM OS RECÉM-NASCIDOS;
Rui Falcão, presidente do PT, parte para a baixaria antes mesmo de a campanha começar;
Ex-assessor de Dirceu é condenado a 12 anos de prisão;
Deputados do PMDB cobram mais espaço no governo Dilma;
Bancada estadual do PSDB dá apoio unânime a Serra candidato;
A dupla que defende o assassinato de recém-nascidos;
Chalita, este exemplo de cumprimento da palavra empenhada;
Eduardo Campos e o trabalho para construir a imagem de um “novo líder”;
A última do Paulo Henrique Amorim…;
Quem está apostando em tensão militar e afrontando a lei são Dilma e Celso Amorim, o Megalonanico, não eu! Eu só aposto na lei;
Heraldo, a cor e a alma;
Dilma e Amorim mandam punir 150 militares da reserva. Seria um belo exemplo de “amor à disciplina” se punição não fosse ilegal. Militares devem cumprir a lei; a presidente e o ministro também! Ou: Uma péssimo antecipação da “Comissão da Verdade”;
A assinatura do papelucho e os estúpidos. Ou: Tese já tentou ajudar Marta e Mercadante. Agora chegou a vez de Haddad. Ou ainda: A isenção escondida com o rabo de fora;
Dilma e Amorim querem que Forças Armadas punam reservistas que assinaram manifesto. “Ó glória de mandar! Ó vã cobiça!”;
Esta é do balacobaco! Mercadante culpa o Brasil – sim, o Brasil!!! – por problemas do Enem. Ou ainda: Mercadante para ministro da Educação de Tuvalu!!!;
O WikiLeaks, os franceses, a “aposentadoria” de Lula e o JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista);
Tio Rei contesta um cientista político que ganhou uma matéria no Estadão Online com uma tese furada. Vamos ler?

Por Reinaldo Azevedo

02/03/2012

às 5:43

PT e Haddad trazem desde já aborto e kit gay para o debate para tentar se precaver. Inútil! Partido e candidato terão de responder por sua obra, como todo mundo

É curioso! Até agora, o PSDB e o tucano José Serra, pré-candidato do PSDB à Prefeitura,  não tocaram na palavra “aborto”. Aliás, é uma mentira estúpida a conversa de que esse foi um tema levantado pela oposição em 2010. A afirmação faz pouco da história e dos evangélicos, estes, sim, os primeiros a se incomodar com as opiniões da então candidata Dilma Rousseff.

Os tucanos, ao contrário do que sustentam os mistificadores, trataram do assunto foi pouco na campanha eleitoral. De certo modo, fugiram do embate. Volto a 2012. Serra não fez nenhum comentário a respeito, mas Rui Falcão já falou. Serra está calado sobre o tema, mas Fernando Haddad já se posicionou. O PSDB, em suma, ignorou essa pauta até agora, mas Gilberto Carvalho já deu seus pitacos. A própria Dilma, como vimos, está preocupada com a questão, tanto que nomeou Marcelo Crivella para o Ministério da Pesca. Como ele próprio deixou claro, nunca nem sequer botou uma minhoca no anzol. O objetivo de sua nomeação é tentar diluir o mal-estar com os evangélicos e facilitar as coisas para Fernando Haddad.

Na entrevista que concedeu anteontem ao Portal Terra — curiosamente reproduzida, partes dela ao menos, pelos grandes jornais de São Paulo —, Haddad acusou a oposição de ter estimulado esse debate e se disse pessoalmente contrário ao aborto, mas defendeu a necessidade de políticas públicas que cuidem das mulheres que abortam… Ora, quem é contra? Sustentou ainda que as críticas ao kit gay — que o MEC, sob o seu comando, preparou para ser enviado a estudantes — estimulam a violência e sugeriu que, caso seus adversários tratem desses temas, isso será ruim para eles. É mesmo, é? Se entendi direito, Haddad se mostra inclinado a dar dicas àqueles que vão disputar a eleição com ele. Magnânimo!

A verdade é que o PT tem um medo brutal desses embates. O que o partido faz é aplicar algumas vacinas, tentando atuar preventivamente para desfazer áreas de mal-estar. Também se esforça para que a imprensa passe a demonizar esses temas como assuntos que estariam fora da alçada política. Os porta-vozes do PT na imprensa — há um monte — e até na academia insistem: “É preciso debater a cidade, encontrar soluções para o trânsito, dar uma resposta às creches”… Ora, claro que sim!

Ocorre que São Paulo tem milhares de estudantes na rede municipal de ensino. É mais do que lícito — trata-se de uma obrigação — indagar se Haddad enviaria os kits gays às escolas municipais se prefeito fosse. Lembrem-se que aquelas peças alopradas só não foram parar nas salas de aula porque Dilma vetou. Isso é política, sim! O pré-candidato petista vem de um partido profundamente comprometido com a defesa da legalização do aborto, por exemplo, tanto que Eleonora Menicucci é ministra. Ora, a cidade de São Paulo tem uma rede de saúde imensa. Se Haddad for eleito, ela vai cuidar da vida ou ser organizadora da morte? Esses são temas políticos, sim, senhores! Haddad foi o chefe de um MEC que ideologizou ao extremo os livros didáticos e até as provas de proficiência. Se eleito, porá nesse rumo as escolas municipais?

Com suas vacinas preventivas, já sob a orientação da marquetagem, o PT e Haddad tentam criar anátemas no debate, para o que concorre o jornalismo amestrado. Com que então, como se vê, eles são os primeiros a trazer o aborto e o kit gay para a arena eleitoral para decretar que esses são temas que não poderão ser abordados? Estou entendendo mal, ou o ex-ministro da Educação pretende submeter a sua própria biografia e o seu trabalho a uma plástica?

Primeiro a afronta, depois o recuo
Quando a presidente Dilma Rousseff nomeou Eleonora Menicucci para a pasta das Mulheres, estava em busca de moderação? Não! Estava em busca de confronto. Escolheu a sua antiga colega de cela, militante radical pró-aborto — ela confessou que o praticou com as suas próprias mãos, depois de um treinamento em clínicas ilegais na Colômbia —, porque queria pôr no Ministério uma leitura de mundo, uma expertise sobre o assunto, uma “especialista”. Vale dizer: escolheu, sim, a legalização do aborto, ainda que o discurso oficial seja outro. Não por acaso, dona Eleonora foi a uma reunião da ONU e ouviu calada a mentira estúpida de que morrem, por ano, no Brasil, 200 mil mulheres em razão de abortos malfeitos. Ouviu calada porque ela, como militante, é uma das responsáveis por esta mentira. Mentira que se espalha. Na síntese que fez da entrevista de Haddad ao Terra, reportagem da Folha não perde a viagem e diz que o aborto é uma das principais causas de morte das mulheres no Brasil. É mentira! Não é! É mais uma falácia do lobby pró-legalização.

Depois da provocação, vem a tentativa de passar mel na boca dos trouxas. Aí Gilberto Carvalho corre para falar com os evangélicos, Dilma nomeia Crivella, Haddad se diz contra o aborto, demais petistas saem culpando a oposição… Vamos ver se, neste ano também, a Justiça Eleitoral vai funcionar como Comissão de Censura e proibir os cristãos de se manifestar, mandando-os para a cadeia. Aconteceu em 2010, sob o silêncio cúmplice da imprensa.

Os extremistas
Ora, partidos e lideranças políticas têm de aprender a arcar com o peso de suas escolhas. O apoio à legalização do aborto compreende um conjunto de valores. É permitido defendê-lo, é claro! Mas é preciso saber que o contraditório existe. Esse conjunto de valores tem história.

Publiquei aqui ontem à noite, recomendo a quem não o leu, um texto sobre algo espantoso: a defesa que dois especialistas fazem do infanticídio, que chamam “aborto pós-nascimento”.  A tese choca por várias motivos, e um deles está no fato de que, em certa medida, os dois monstros morais têm alguma razão: boa parte dos motivos alegados pelos abortistas para legalizar a interrupção da gravidez se aplicaria, com efeito, aos recém-nascidos. Afinal, em muitos aspectos, eles ainda não são “pessoas” propriamente, não é mesmo?

Aqui e ali, leitores inferem que a minha opinião sobre o assunto é principalmente religiosa. É também, e essa é uma dimensão da vida respeitável como qualquer outra. Mas estão enganados. A minha restrição principal é de princípio e estaria presente ainda que eu fosse ateu: o que torna “humana” a vida de um ser e, pois, digna de respeito e protegida por lei? Quando é moralmente lícito dizer: “Este pode morrer, mas aquele não”? O que acho especialmente notável no texto de Alberto Giubilini e Francesca Minerva é que não lhes ocorre, em nenhum momento, que possa haver pessoas contrárias ao aborto. Dão de barato que há um grande consenso a respeito, que o mundo já assimilou essa prática como algo corriqueiro. O que eles fazem então? Ora, apenas ampliam o alcance da violação do princípio.

O infanticídio, no artigo dos dois, é visto como mero desdobramento natural da legalidade do aborto. Se querem saber, faz sentido! A moral que justifica um pode perfeitamente justificar o outro. Estão ambos tão tomados pela lógica da militância e pelos extremismos de grupos organizados que chegam a dizer que a adoção de recém-nascidos seria uma solução pior do que o infanticídio porque a mulher que tem o filho adotado não elabora direito a sua perda!!! Como ambos decretaram que fetos e recém-nascidos são temas moralmente irrelevantes, por que não matá-los?

Debater até o fim
Nada disso! A fealdade moral de algumas teses abraçadas por esses patriotas tem de ser exposta e detalhada. Se o petismo acha que pode nomear uma Menicucci num dia e proibir o debate sobre o aborto no outro, está enganado. Não será assim! Se as oposições vão fazê-lo ou não, pouco me importa. Não sou político e não é problema meu! Eu vou cobrar o que tem de ser cobrado. Se Haddad acredita que pode, num dia, interferir na formação moral das famílias para fazer proselitismo sobre comportamento sexual e depois dar sumiço na própria obra, está enganado também. Terá, sim, de responder por suas escolhas.

Não podemos — os que não concordamos com certas propostas — deixar que essa gente  prospere sem debate, sem reação. Afinal, é assim que eles começam a debater o aborto como “um direito da mulher” e terminam tentando convencer a sociedade de que o infanticídio é uma prática de elevada moralidade.

Por Reinaldo Azevedo

02/03/2012

às 5:41

ELES CHEGARAM LÁ: DUPLA DE ESPECIALISTAS DEFENDE O DIREITO DE ASSASSINAR TAMBÉM OS RECÉM-NASCIDOS

Os neonazistas da “bioética” já não se contentam em defender o aborto; agora também querem a legalização do infanticídio! Eu juro! E ainda atacam os seus críticos, acusando-os de “fanáticos”. Vamos ver. Os acadêmicos Alberto Giublini e Francesca Minerva publicaram um artigo no, ATENÇÃO!, “Journal of Medical Ethics” intitulado “After-birth abortion: why should the baby live? – literalmente: “Aborto pós-nascimento: por que o bebê deveria viver?” No texto, a dupla sustenta algo que, em parte, vejam bem!, faz sentido: não há grande diferença entre o recém-nascido e o feto. Alguém poderia afirmar: “Mas é o que também sustentamos, nós, que somos contrários à legalização do aborto”. Calma! Minerva e Giublini acham que é lícito e moralmente correto matar tanto fetos como recém-nascidos. Acreditam que a decisão sobre se a criança deve ou não ser morta cabe aos pais e até, pasmem!, aos médicos.

Para esses dois grandes humanistas, NOTEM BEM!, AS MESMAS CIRCUNSTÂNCIAS QUE JUSTIFICAM O ABORTO JUSTIFICAM O INFANTICÍDIO, cujo nome eles recusam — daí o “aborto pós-nascimento”. Para eles, “nem os fetos nem os recém-nascidos podem ser considerados pessoas no sentido de que têm um direito moral à vida”. Não abrem exceção: o “aborto pós-nacimento” deveria ser permitido em qualquer caso, citando explicitamente as crianças com deficiência. Mas não têm preconceito: quando o “recém nascido tem potencial para uma vida saudável, mas põe em risco o bem-estar da família”, deve ser eliminado.

Num dos momentos mais abjetos do texto, a dupla lembra que uma pesquisa num grupo de países europeus indicou que só 64% dos casos de Síndrome de Down foram detectados nos exames pré-natais. Informam então que, naquele universo pesquisado, nasceram 1.700 bebês com Down, sem que os pais soubessem previamente. O sentido moral do que diz a dupla é claro: soubesse antes, poderia ter feito o aborto; com essa nova leitura, estão a sugerir que essas crianças poderiam ser mortas logo ao nascer. Não! Minerva e Giublini ainda não haviam chegado ao extremo. Vão chegar agora.

Francesca Minerva; o riso mais franco da morte

Francesca Minerva; o riso mais franco da morte

 

Por que não a adoção?
Esses dois monstros morais se dão conta de que o homem comum, que não é, como eles, especialista em “bioética”, faz-se uma pergunta óbvia: por que não, então, entregar a criança à adoção? Vocês têm estômago forte?. Traduzo trechos da resposta:

“Um objeção possível ao nosso argumento é que o aborto pós-nascimento deveria ser praticado apenas em pessoas (sic) que não têm potencial para uma vida saudável. Conseqüentemente, as pessoas potencialmente saudáveis e felizes deveriam ser entregues à adoção se a família não puder sustentá-las. Por que havemos de matar um recém-nascido saudável quando entregá-lo à adoção não violaria o direito de ninguém e ainda faria a felicidade das pessoas envolvidas, os adotantes e o adotado?
(…)
Precisamos considerar os interesses da mãe, que pode sofrer angústia psicológica ao ter de dar seu filho para a adoção. Há graves notificações sobre as dificuldades das mães de elaborar suas perdas. Sim, é verdade: esse sentimento de dor e perda podem acompanhar a mulher tanto no caso do aborto, do aborto pós-nascimento e da adoção, mas isso NÃO SIGNIFICA que a última alternativa seja a menos traumática.”

A dupla cita trecho de um estudo sobre mães que entregam filhos para adoção: “A mãe que sofre pela morte da criança deve aceitar a irreversibilidade da perda, mas a mãe natural [que entrega filho para adoção] sonha que seu filho vai voltar. Isso torna difícil aceitar a realidade da perda porque não se sabe se ela é definitiva“.

Voltei
É isso mesmo! Para a dupla, do ponto de vista da mulher, matar um filho recém-nascido é “psicologicamente mais seguro” do que entregá-lo à adoção. Minerva e Giublini acabaram com a máxima de Salomão. No lugar do rei, esses dois potenciais assassinos de bebês teriam mesmo dividido aquela criança ao meio.

Querem saber? Essa dupla de celerados põe a nu alguns dos argumentos centrais dos abortistas. Em muitos aspectos, eles têm mesmo razão: qual é a grande diferença entre um feto e um recém-nascido? Ao levar seu argumento ao extremo, deixam a nu aqueles que nunca quiseram definir, afinal de contas, o que era e o que não era vida. Estes dois não estão nem aí: reconhecem, sim, como vida, tanto o feto como o recém-nascido. Apenas dizem que não são ainda pessoas no sentido que chamam “moral”.

Notem que eles também suprematizam, se me permitem a palavra, o direito de a mulher decidir, a exemplo do que fazem alguns dos nossos progressistas, e levam ao extremo a idéia do “potencial de felicidade”, o que os faz defender, sem meios-tons, o assassinato de crianças deficientes — citando explicitamente os casos de Down.

O Supremo e os anencéfalos
O Supremo Tribunal Federal vai liberar, daqui a algum tempo, os abortos de anencéfalos. Como já afirmei aqui, abre-se uma vereda para a terra dos mortos, citando o poeta. Se essa má-formação vai justificar a intervenção, por que não outras? A dupla que escreveu o artigo não tem dúvida: moralmente falando, diz, não há diferença entre o anencéfalo e o recém-nascido saudável. São apenas pessoas potenciais. Afinal, para essa turma, quem ainda não tem história não tem direito à existência.

Um outro delinqüente intelectual chamado Julian Savulescu
A reação à publicação do artigo foi explosiva. Os dois autores chegaram a ser ameaçados de morte, o que é, evidentemente, um absurdo, ainda que tenham tentado dar alcance científico, moral e filosófico ao infanticídio. No mínimo a gente é obrigado a considerar que os dois têm mais condições de se defender do que as crianças que eles defendem que sejam mortas. A resposta que dão à hipótese de adoção diz bem com quem estamos lidando.

Savalescu: o prosélito da morte de bebês agora acusa a perseguição dos fanáticos

Savulescu: o prosélito da morte de bebês agora acusa a perseguição dos fanáticos

Julian Savulescu é o editor da publicação. Também é diretor do The Oxford Centre for Neuroethics. Este rematado imbecil escreve um texto irado defendendo a publicação daquela estupidez e acusa de fundamentalistas e fanáticos aqueles que atacam os dois “especialistas em ética”. E ainda tem o topete de apontar a “desordem” do nosso tempo, que estaria marcado pela intolerância. Não me diga!!!

O que mais resta defender? Aqueles dois potenciais assassinos de crianças deveriam dizer por que, então, não devemos começar a produzir bebês para fazer, por exemplo, transplante de órgãos. Se admitem que são pessoas, mas ainda não moralmente relevantes, por que entregar aos bichos ou à incineração córneas, fígados, corações?

Tudo isso é profundamente asqueroso, mas não duvidem de que Minerva, Giublini e Savulescu fizeram um retrato pertinente de uma boa parcela dos abortistas. Se a vida humana é “só uma coisa” e se os homens são “humanos” apenas quando têm história e consciência, por que não matar os recém-nascidos e os incapazes?

Estes são os neonazistas das luzes. Mas não se esqueçam, hein? Reacionários somos nós, os que consideramos que a vida humana é inviolável em qualquer tempo.

Texto publicado originalmente às 21h03 desta quinta
Por Reinaldo Azevedo

02/03/2012

às 5:35

Rui Falcão, presidente do PT, parte para a baixaria antes mesmo de a campanha começar

Ai, aí… Rui Falcão não surpreende. Não é presidente do PT por acaso. Não sabendo ainda como reagir à decisão do tucano José Serra de disputar a eleição em São Paulo, o que estava fora do desenho petista, resolveu optar pela baixaria, por que não? Leiam o que informa Fernando Rodrigues, na Folha. Volto em seguida.
*
Numa das diversas conversas mantidas entre Gilberto Kassab (PSD) e dirigentes petistas nos últimos meses, o prefeito de São Paulo fez uma confidência para o presidente nacional do PT, Rui Falcão.
“Eu tive um contato com ele [Kassab] no ano passado”, diz Falcão. Na ocasião, segundo o relato do petista, Kassab declarou: “Eu acho que o Serra não vai mais ser candidato a presidente da República (…). Para a [presidente] Dilma, a melhor coisa que poderia acontecer é o Serra prefeito de São Paulo. Porque, se tiver Dilma e Aécio [Neves, do PSDB], Serra é Dilma [na disputa presidencial de 2014]“.

Falcão fez esse relato ontem, em entrevista à Folha e ao UOL. Em 2011, quando ouviu a análise de Kassab, o presidente do PT afirma ter recebido a previsão com ceticismo. “Eu brinquei. Falei: ‘Conta a do português agora’”. Ao revelar o conteúdo de sua conversa com Kassab, o presidente do PT faz uma intriga pública que já é há tempos ouvida nos bastidores da sucessão paulistana. Demonstra também que a cúpula petista tentará desqualificar politicamente o prefeito.
(…)
Falcão acha que a eleição paulistana será em parte nacionalizada, como sempre tem sido. Nesse caso, afirma que o PT gostará de debater o tema das privatizações. O petista diz haver diferenças entre a venda de empresas estatais e o modelo adotado pelo governo Dilma, de apenas fazer concessão para a iniciativa privada atuar em alguns setores. Sobre assuntos polêmicos, Falcão reafirmou que o PT tem em suas diretrizes a descriminalização do aborto, mas que esse não é um tema central para o partido defender no Congresso Nacional.
(…)

Voltei
Como a lógica é artigo raro, é claro que a fofoca vai prosperar sem que boa parte das pessoas se dê conta de que a evidência de que nada disso se sustenta é a própria existência da reportagem. Antes que demonstre isso, algumas outras considerações.

Ainda que Kassab tivesse mesmo dito aquilo a Falcão, ele o teria feito num momento em que, como ele mesmo disse, dois presidentes de partido discutiam uma eventual aliança. Teria sido uma conversa privada. Se a aliança com o PT tivesse sido bem-sucedida, é evidente que Falcão não teria dado essa declaração. Como não foi, então tenta jogar o outro na boca do sapo. Eis o PT. Faz isso até com aliados. O PMDB não está se rebelando por acaso. Mas Kassab disse? Sei lá eu! Quem conhece Serra só um pouquinho duvida que ele vocalizasse uma coisa assim à própria sombra, ainda que fosse essa a sua disposição.

Atenção para o surrealismo da coisa
O desespero para eleger Haddad é de tal sorte que qualquer arma se mostra aceitável. Ora, pensemos um pouco: se essa história fizesse sentido, caberia a Falcão, presidente do PT, guardá-la, até no melhor interesse da reeleição de Dilma, certo? Se uma das principais lideranças da oposição de São Paulo chega mesmo a cogitar a hipótese de votar em Dilma contra Aécio, por que botar a boca no trombone agora?

É assim, então, que Falcão trata um suposto “futuro aliado”? Tenham paciência! Falcão está apenas atuando para gerar confusão no PSDB, apelando à revelação de uma suposta conversa com Kassab. Ainda que o outro negue que tenha dito aquilo e que Serra negue que tenha feito a confidência, sempre sobra a suspeita.

Essa indignidade de Falcão demonstra que o PT fará qualquer coisa para tentar eleger Haddad. Se a conversa realmente aconteceu, revelá-la agora, quando a aliança entre PT e PSD se frustrou, é uma canalhice; se não aconteceu, também.

Aliás, a lhaneza com que o PT, historicamente, trata Serra é um bom indicador da possibilidade dessa aproximação. Essa entrevista de Falcão, aliás, é uma evidência disso. O que ele pretende é, isto sim, caracterizar Serra como um futuro traidor para lhe criar dificuldades nas prévias. E o pior é que vai ter tucano se comportando como pato. Querem apostar?

Por Reinaldo Azevedo

 

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