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seca

22/05/2013

às 9:00 \ História em Imagens

O Brasil Real continua a sofrer com a falta d’água solucionada no Brasil Maravilha pela transposição do Rio São Francisco

BRANCA NUNES

“Além das ações emergenciais, estamos investindo em infraestrutura para garantir fornecimento estável de água mesmo em períodos de seca”, viajou Dilma Rousseff no programa Conversa com a Presidenta desta terça-feira, depois de lhe perguntarem o que tem feito o governo para enfrentar a maior seca dos últimos 50 anos. Já na decolagem, festejou os 6 mil carros-pipa imaginários e 296 mil cisternas de armazenamento de água para o consumo humano e 12 mil para a produção”.

Alcançou a estratosfera em seguida: “Em Pernambuco, são dezenas de obras do PAC para oferta de água, dentre as quais o Ramal do Agreste, que ligará o Eixo Leste da Transposição do Rio São Francisco à Adutora do Agreste, garantindo água para 68 municípios pernambucanos, incluindo Arcoverde”. No Brasil Maravilha que Lula fundou e Dilma não para de aperfeiçoar, a transposição das águas do Rio São Francisco está sempre a um passo da inauguração.

“A água desce por gravidade até uma estação de bombeamento, onde é transportada até um nível mais alto por energia elétrica”, informa o locutor federal no vídeo institucional sobre a obra, enquanto desfilam na tela imagens produzidas por computação gráfica. “Quando há alguma depressão no terreno, especialmente sobre os vales dos rios, o canal é convertido em um aqueduto que transpõe o vão como uma ponte”. Não é pouca coisa.

Mas não é tudo: “Como o canal passa por uma região muito seca, algumas tomadas de água serão criadas no caminho para atender as comunidades vizinhas”. E tem mais: “Ao longo do trajeto, a água é acumulada em reservatórios, onde ela pode seguir caminho, abastecer as populações próximas ou em alguns pontos usada para gerar energia elétrica”.

No Brasil real, as coisas são muito diferentes. “O projeto lembra hoje uma quilométrica passarela de retalhos na qual faltam costura e pedaços de tecido”, constatou uma reportagem publicada em abril pelo jornal O Globo. “Aquela que seria a rendição de 12 milhões de sertanejos não passa de um conjunto de canais desconectados, dutos enferrujados com ferros retorcidos e estação elevatória que parece um fantasma de concreto”.

Embora as obras não tenham chegado sequer à metade (o governo celebra “mais de 43% de avanço”), o preço dobrou. Os R$ 4,8 bilhões estimados em 2007 subiram para R$ 8,2 bilhões – dos quais R$ 3,6 bilhões já foram desembolsados. Também os prazos fixados originalmente foram desmoralizados pela realidade. Lula prometeu em 2006 que a transposição do São Francisco estaria concluída em 2010. Dilma promete entregar o colosso invisível em 2015.

Até agora, nenhum sertanejo foi beneficiado por uma única gota de mais um milagre brasileiro. “A firma foi-se embora. Começaram fazendo o serviço, depois abandonaram e tá desse jeito agora, só buraqueira”, conta Damião Serafim dos Santos, morador de Sertânia (PB), no vídeo publicado pela TV Estadão neste domingo (assista abaixo). Dentro de uma das valas onde deveria estar correndo a água do São Francisco, hoje retomada pela vegetação, Damião extrai a conclusão óbvia: “Agora tem que fazer tudo de novo”.

Os 9 mil funcionários que chegaram a trabalhar nos canteiros de obras foram reduzidos a 4,6 mil. “Tem dia que só aparecem três clientes”, disse ao Globo Eliane Maria da Silva, ex-trabalhadora rural que montou um restaurante e chegou a vender 400 refeições por dia em Floresta, no interior de Pernambuco.

As obras que pegaram carona na transposição também enfrentam problemas. No Rio Grande do Norte, por exemplo, a adutora do Alto Oeste, que já consumiu R$ 35 milhões, corre o risco de ficar sem serventia. O reservatório roça a fronteira do colapso. Quase 150 municípios potiguares castigados pela seca decretaram estado de emergência.

Caso visitasse os canteiros de obras, Dilma Rousseff descobriria que o que diz não tem semelhança alguma com o que se vê. E também encontraria sem esforço os miseráveis e desempregados que acabaram no Brasil Maravilha. Uma escala na pernambucana Curralinho, por exemplo, poderia proporcionar à presidente uma didática conversa com Rosalina Maria dos Santos. “Nós somos pobres”, garante Rosalinha, em frente à casa de pau a pique que emoldura a integrante de uma espécie oficialmente extinta. “Num lugar como esse aqui nós não temos emprego não. Não tem água para trabalhar na roça. Se nós tivesse água, nós trabalhava, mas nós não tem água”.

Terminada a viagem, é provável que Dilma Rousseff  recebesse com mais desconfiança os resultados das pesquisas de popularidade. Talvez até aprendesse que não é possível mudar a vida real por decreto.

15/05/2013

às 16:40 \ Direto ao Ponto

Nem a seca escapa da conta de mentiroso: o neurônio solitário agora promete inundar o Nordeste com uma frota de 6 mil carros-pipa

Já na abertura do palavrório sobre a seca mais devastadora dos últimos 50 anos, o secretário nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, deixou claro que a turma que fez o Brasil Maravilha só não faz chover no Nordeste porque pode exagerar na dose e provocar uma inundação de outono na Região Serrana do Rio. “Há falta de oferta de água?”, perguntou-se nesta terça-feira o alto funcionário do Ministério da Integração Nacional. Caprichando na expressão confiante de um Guido Mantega calculando a inflação do mês que vem, ele próprio respondeu: “Não!”

Quer dizer que não há nas imensidões onde sobrevivem 13 milhões de brasileiros um único vivente implorando por chuva, uma única rês morrendo de sede, uma única plantação assassinada pela estiagem interminável? “Pode haver pontualmente alguma área não atendidas”, concedeu Viana. E por que não socorrer esses desertos em miniatura com a água que anda sobrando? Em dilmês erudito, o homem da Defesa Civil explicou que tão lastimável quanto a escassez é o desperdício: “Precisa existir uma demanda segura, para que a gente possa saber onde é que está precisando levar essa água”, ensinou.

Havendo “demanda segura”, portanto, haverá água para todos ─ e sem atraso na entrega, porque tampouco falta carro-pipa. A frota já em circulação, garantiu, é mais que suficiente: 4.900 veículos. Como não custa tornar perfeito o que está muito bom, o declarante sacou do bolso do paletó outra grande notícia: a presidente Dilma Rousseff acabara de autorizá-lo a ampliar o colosso sobre rodas. “Teremos 6 mil carros-pipa”, informou. “Seis mil, isso mesmo”, sublinhou o comentarista Aronie, que repassou à coluna a bazófia do servidor da pátria.

Tomara que sejam reais ao menos os 4.900 que Humberto Viana jura estar pilotando. Os 1.100 que faltam para 6 mil só existem na cabeça de quem precisa fechar outra conta de mentirosa.

05/05/2013

às 22:02 \ Sanatório Geral

Como é que é?

“E nós, agora, estamos fazendo por um método brasileiro. Me desculpem… Não, não vou falar isso, não, porque é uma dó. É um método brasileiro que é o seguinte. Nós, agora, construímos e já beneficiamos… a gente não constrói… por exemplo, nós construímos um trecho e entregamos, e ele já dá água. Aí construímos outro e entregamos, e ele continua dando água, porque antes você construía o primeiro e o terceiro, e aí você não tinha um intermediário. Agora nós construímos por módulos. Eu chamo de sistema brasileiro para não chamar sistema de outro país. Eu não posso falar o outro país. Mas é… o sistema nosso agora é um sistema brasileiro, bem inteligente. Ficou bem inteligente o nosso sistema”.

Dilma Rousseff, ao tentar explicar como é o novo e revolucionário sistema brasileiro de combate à seca, deixando claro que, se depender do neurônio solitário, o Nordeste inteiro vai morrer de sede.

05/05/2013

às 18:50 \ Sanatório Geral

Teimosia é tudo

“No que se refere à seca, só tem um jeito. O homem e a mulher têm de teimar”.

Dilma Rousseff, explicando que o Nordeste sofre a maior seca dos últimos 50 anos porque os casais da região nunca teimam juntos.

28/04/2013

às 19:10 \ Sanatório Geral

Cofre seco

“Vou conversar com o ministro Fernando Bezerra para impedir que técnicos que não antendem de seca consigam transferir a sede do DNOCS para Brasília”.

José Pimentel, senador do PT cearense e líder do governo no Congresso, indignado com a ideia de transferir para a capital federal o cofre grande do Departamento Nacional de Obras contra as Secas, lembrando que são os políticos que sabem o que fazer com chuva de dinheiro em época de estiagem no Nordeste.

 

27/04/2013

às 4:24 \ Sanatório Geral

Neurônio vingativo

“Nós sabemos que o dia em que a seca acabar, vamos supor, vai acabar num determinado mês, ela acaba. O governo federal tem de estar pronto para oferecer as condições para a retomada da produção… O segundo tempo, e aí nós temos de ter, por isso é importante a discussão de vocês. Por isso é importante a sugestão. É para essa questão. Como é que nós vamos retomar. O que é que nós temos”.

Dilma Rousseff, diretamente do Portal do Planalto, tentando explicar que, se sobreviver ao primeiro tempo, o neurônio solitário vai se vingar da seca no segundo.

25/04/2013

às 16:22 \ Sanatório Geral

Neurônio desidratado

“Se a seca continuar, nós prorrogamos esse pagamento por mais meses. Além disso. Ah não, não sei se vocês sabem disso. Só para a hora que parar a seca. Uma coisa está ligada a outra. A gente avalia e aumenta. Ele começou com cinco parcelas. Aí foi acrescentado mais quatro, porque a gente viu que a seca estava continuando. Se continuar, nós continuamos pagando”.

Dilma Rousseff, de volta ao deserto nordestino para jurar que se a seca, por exemplo, durar três anos, as nove parcelas da Bolsa Estiagem vão virar 36.

22/04/2013

às 18:46 \ Sanatório Geral

Neurônio faminto

“A seca é um sofrimento que a gente sabe que na hora ela não vê ninguém. Ela ataca todo mundo, obviamente, quanto mais pobre pior. Mas, além disso, uma coisa nós tivemos o cuidado: o Brasil não pode mais ver aquela história de retirante faminto atacando supermercado, não tendo aonde cair…”.

Dilma Rousseff, na antológica discurseira sobre a seca eternizada pelo Portal do Planalto, suavizando com reticências a revelação de que os ataques aos supermercados acabaram porque agora, graças ao governo do Brasil Maravilha, todo retirante nordestino tem onde cair morto.

22/04/2013

às 5:41 \ Sanatório Geral

Neurônio sedento (3)

“Até o final de 2014, desde o início do meu governo, até o final de 2014, nós tínhamos de construir, de colocar 750 mil cisternas. Nós já tínhamos 263 mil que a gente estava fazendo, que tinham sido concluídas”.

Dilma Rousseff, na discurseira sobre a seca no Nordeste, informando que, para aperfeiçoar o Brasil Maravilha, o neurônio solitário continua fazendo coisas que já ficaram prontas.

22/04/2013

às 0:17 \ Sanatório Geral

Neurônio sedento (2)

“Esses caminhões-pipa teriam por função abastecer a urgência, a absoluta urgência, porque não tem água e não dá para explicar, falar: olha, espera para depois de amanhã. Não, não tem água, é um drama. Tem de atender de qualquer jeito”.

Dilma Rousseff, em outro trecho da discurseira sobre a seca no Nordeste reproduzida sem revisão nem tradução pelo Portal do Planalto, agora revelando em dilmês vulgar que acabou de descobrir que, se não beber água a tempo, que está morrendo de sede vai morrer de sede.

 

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