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seca

13/03/2014

às 12:51 \ Opinião

‘Chuva e seca, eleitoras’, um artigo de Carlos Alberto Sardenberg

Publicado no Globo desta quinta-feira

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Demorou, mas hoje petistas e tucanos depositam a mesma esperança — e fé — numa mesma pessoa: São Pedro. Todos, unidos, rezando pela chuva.

Um racionamento de água em São Paulo, estado dominado pelo PSDB, seria um desastre não apenas para o governador Geraldo Alckmin, candidato à reeleição, mas para as pretensões nacionais de Aécio Neves.

Reparem a importância da coisa. Nas últimas presidenciais, o PT, com Lula e Dilma, ganhou fácil em Minas e ali acumulou boa vantagem. Em compensação, o PSDB ganhou direto em São Paulo, com FH, Serra e Alckmin. Neste ano, Aécio vai dar uma lavada em Minas. Se os tucanos mantiverem a vantagem em São Paulo, a coisa fica boa para eles.

Ou seja, a chuva na Cantareira, principal reserva de água da região metropolitana de São Paulo, é um fator eleitoral crucial.

Do mesmo modo, se Dilma for obrigada a promover um racionamento de energia elétrica, cairá nos reservatórios secos um dos seus discursos mais fortes: o de criadora e gerente de um novo e eficiente setor elétrico. Aquela que reduziu as tarifas.

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24/02/2014

às 8:35 \ Opinião

‘No palanque tudo é fácil’, editorial do Estadão

Publicado no Estadão

A presidente Dilma Rousseff acha que é “simples” enfrentar a seca no Nordeste.

Em discurso no Piauí, durante mais um dos eventos do calendário eleitoreiro do governo, Dilma declarou que o segredo é “conviver com a seca”.

Façamos um esforço para acompanhar seu raciocínio. Segundo a presidente, “a seca não é uma maldição, a seca é uma ocorrência, é algo que ocorre”, comparável aos “invernos rigorosos” dos países do Hemisfério Norte, que “duram seis, sete meses, todo ano, chova ou faça sol”. Conceda-se que o tal inverno rigoroso que dura “sete meses” seja apenas um arroubo retórico para reforçar seu argumento. Mas Dilma continua, animada: “Eles têm um inverno forte, que acaba com toda a produção, a neve mata tudo o que cresce, e eles sobrevivem muito bem, obrigada, e fortes. Nós também podemos enfrentar a seca, sim”.

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24/02/2014

às 5:50 \ Sanatório Geral

Neurônio piradão

“A seca é uma ocorrência, é algo que ocorre. Então vamos pensar aqui juntos. Escuta cá, os países que são lá no norte, eles passam por invernos rigorosos, invernos que duram cinco, seis, sete meses, todo ano, chova ou faça sol. Tem inverno forte a cada toda produção, a neve mata tudo que cresce e eles sobrevivem muito bem, obrigada, e fortes”.

Dilma Rousseff, na discurseira no Piauí reproduzida no Blog do Planalto, ensinando que seca é uma ocorrência, que ocorrências ocorrem, que o inverno nos países lá do norte dura de cinco a sete meses (chova ou faça sol), que todo ano a neve mata tudo que cresce (inclusive crianças) mas deixa mais fortes os sobreviventes e que, por tudo isso, milhões de nordestinos devem dar graças a Deus e ao governo por terem nascido na região da seca.

 

 

29/12/2013

às 19:00 \ História em Imagens

O Brasil Real continua a sofrer com a falta d’água solucionada no Brasil Maravilha pela transposição do Rio São Francisco

tarja-an-melhores-do-ano-2013

PUBLICADO EM 22 DE MAIO


BRANCA NUNES

“Além das ações emergenciais, estamos investindo em infraestrutura para garantir fornecimento estável de água mesmo em períodos de seca”, viajou Dilma Rousseff no programa Conversa com a Presidenta desta terça-feira, depois de lhe perguntarem o que tem feito o governo para enfrentar a maior seca dos últimos 50 anos. Já na decolagem, festejou os 6 mil carros-pipa imaginários e 296 mil cisternas de armazenamento de água para o consumo humano e 12 mil para a produção”.

Alcançou a estratosfera em seguida: “Em Pernambuco, são dezenas de obras do PAC para oferta de água, dentre as quais o Ramal do Agreste, que ligará o Eixo Leste da Transposição do Rio São Francisco à Adutora do Agreste, garantindo água para 68 municípios pernambucanos, incluindo Arcoverde”. No Brasil Maravilha que Lula fundou e Dilma não para de aperfeiçoar, a transposição das águas do Rio São Francisco está sempre a um passo da inauguração.

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27/10/2013

às 19:11 \ Sanatório Geral

O sumiço das cisternas

“O nosso compromisso, além de acelerar as cisternas até junho, nós vamos entregar até julho 130 mil cisternas”.

Dilma Rousseff, em 2 de abril deste ano, durante a reunião da Sudene em Fortaleza, prometendo em dilmês primitivo acabar com os efeitos da seca que flagela o Nordeste com a instalação de 130 mil cisternas no primeiro semestre e 240 mil até o fim do ano.

“Devido à abrangência e complexidade do objeto das licitações previstas para este ano no âmbito do programa Água para Todos, os processos licitatórios exigiram mais tempo para a sua conclusão.

Francisco Teixeira, ministro da Integração Nacional, disfarçado de nota oficial divulgada neste fim de semana, tentando explicar em burocratês erudito por que só 59 mil cisternas foram entregues no prazo e avisando que as 240 mil prometidas para dezembro terão de esperar até 2014, ou 2015, ou 2016, ou qualquer outro ano que só Deus e o neurônio solitário sabem qual é.

11/09/2013

às 18:56 \ Sanatório Geral

Neurônio desértico

“Porque, para se reservar água, é necessário ter onde reservar água”.

“Esse processo é um processo que ele é muito importante porque passa por uma compreensão diferenciada da situação. Isso que foi dito aqui: que não é necessário combater a seca, essa é uma visão errada, que nós todos concordávamos que nós temos que conviver com ela, e conviver com ela significará domá-la. É, na verdade, isso: conseguir gerenciá-la, conseguir fazer com que a população não tenha as consequências danosas que a seca produz”.

Dilma Rousseff, internada por Celso Arnaldo depois de dois grandes momentos durante o anúncio do “Água para todos” ─ o primeiro programa contra a seca no Nordeste que não é contra a seca do Nordeste

23/07/2013

às 21:53 \ História em Imagens

No vídeo, Dilma ensina em Fortaleza que o Brasil foi inaugurado pelos cearenses

Em abril de 2013, a presidente da República baixou em Fortaleza para saciar a sede das vítimas da seca com outra chuva de dinheiro invisível. “Vamos investir mais 9 bilhões de reais”, prometeu em mais um comício na capital cearense. Como a salva de palmas não foi lá essas coisas, Dilma Rousseff resolveu animar a plateia com a revelação retumbante: ao contrário do que se imagina há 513 anos, o Brasil foi inaugurado pelos colonizadores do Ceará.

Parece mentira? Veja o vídeo. Lá está a espantosa informação assinalada em negrito no palavrório reproduzido sem correções, retoques ou qualquer tipo de maquiagem.

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10/06/2013

às 8:03 \ Sanatório Geral

Coisa de estadista (213)

“Eu quero assegurar vocês que meu governo todinho, todos os ministros acompanham com muito cuidado e atenção a evolução da situação da seca”.

Dilma Rousseff, na histórica discurseira em Natal, assassinando a língua portuguesa para revelar que, a cada 24 horas, ela manda avisar aos 39 ministros que a maior seca dos últimos 50 anos completou mais um dia.

 

02/06/2013

às 21:01 \ Sanatório Geral

Neurônio doidão

“Hoje não é dia da gente falar sobre a seca, mas eu sempre gosto de acrescentar um aspecto. Estaremos também aqui hoje anunciando, já foi anunciado, mas comemorando o fato de que mais um passo foi dado no combate à seca, que é a subvenção para produção de cana-de-açúcar”.

Dilma Rousseff, no comício de lançamento do navio Zumbi dos Palmares, deslocando-se subitamente do mar para a região da seca para levantar a plateia com a revelação histórica: a melhor maneira de combater as consequências do sumiço das chuvas é dar dinheiro para os donos dos canaviais.

15/05/2013

às 16:40 \ Direto ao Ponto

Nem a seca escapa da conta de mentiroso: o neurônio solitário agora promete inundar o Nordeste com uma frota de 6 mil carros-pipa

Já na abertura do palavrório sobre a seca mais devastadora dos últimos 50 anos, o secretário nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, deixou claro que a turma que fez o Brasil Maravilha só não faz chover no Nordeste porque pode exagerar na dose e provocar uma inundação de outono na Região Serrana do Rio. “Há falta de oferta de água?”, perguntou-se nesta terça-feira o alto funcionário do Ministério da Integração Nacional. Caprichando na expressão confiante de um Guido Mantega calculando a inflação do mês que vem, ele próprio respondeu: “Não!”

Quer dizer que não há nas imensidões onde sobrevivem 13 milhões de brasileiros um único vivente implorando por chuva, uma única rês morrendo de sede, uma única plantação assassinada pela estiagem interminável? “Pode haver pontualmente alguma área não atendidas”, concedeu Viana. E por que não socorrer esses desertos em miniatura com a água que anda sobrando? Em dilmês erudito, o homem da Defesa Civil explicou que tão lastimável quanto a escassez é o desperdício: “Precisa existir uma demanda segura, para que a gente possa saber onde é que está precisando levar essa água”, ensinou.

Havendo “demanda segura”, portanto, haverá água para todos ─ e sem atraso na entrega, porque tampouco falta carro-pipa. A frota já em circulação, garantiu, é mais que suficiente: 4.900 veículos. Como não custa tornar perfeito o que está muito bom, o declarante sacou do bolso do paletó outra grande notícia: a presidente Dilma Rousseff acabara de autorizá-lo a ampliar o colosso sobre rodas. “Teremos 6 mil carros-pipa”, informou. “Seis mil, isso mesmo”, sublinhou o comentarista Aronie, que repassou à coluna a bazófia do servidor da pátria.

Tomara que sejam reais ao menos os 4.900 que Humberto Viana jura estar pilotando. Os 1.100 que faltam para 6 mil só existem na cabeça de quem precisa fechar outra conta de mentirosa.

 

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