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Executivo

27/08/2011

às 14:13 \ Feira Livre

‘O país cansou da roubalheira’, um artigo de Fernando Henrique Cardoso

PUBLICADO NO SITE OBSERVADOR POLÍTICO

Fernando Henrique Cardoso

Vira e mexe a questão da corrupção volta à baila. Agora mesmo não se fala de outra coisa. Desde o “mensalão”, com a permissividade do próprio Presidente da época, a onda de desmandos e as teias de cumplicidade se avolumaram. Menos interessa, a esta altura dos acontecimentos, saber se houve corrupção em outros governos. Malfeitorias sempre houve. A diferença é que, de uns anos para cá, ela mudou de patamar com o sinal de perdão diante de cada caso denunciado.

“Não é tão grave assim” ou então, “foi coisa de aloprados” ou ainda de que se trataria “apenas” de dinheiro para pagar contas de campanha eleitoral. Com esta leniência compreende-se que pessoas ou setores dos partidos que apóiam o governo se sintam mais à vontade para entoar o cântico do dá-cá-toma-lá. Agora, quando a Presidente reagiu a alguns desses desmandos (e, de novo, importa pouco insistir em que a reação veio tarde, pois antes tarde do que nunca) as pessoas sérias, inclusive no Parlamento, procuram dissociar-se das teias de corrupção. O país cansou da roubalheira.

É preciso buscar os meios para corrigir os desmandos. Não basta a Polícia Federal investigar, se disso não derivarem ações nos Tribunais. Onde estão os procuradores –tão ativos no passado – para levar adiante as denúncias? Por que temer a coleta de assinaturas para uma CPI? Claro, se esta CPI for para valer não deverá nascer arimbada de anti-governo, mas de pró-Brasil, mesmo porque com maioria avassaladora o governo pode controlar as CPI’s, tornando-as carimbadoras de atestados de boa conduta dos acusados.

Mas não basta denunciar, demitir, prender. É preciso buscar convergências em favor da decência nas coisas públicas. Deve-se ir fechando os canais que facilitam a corrupção. Pode-se reduzir drasticamente, por exemplo, o número de pessoas nomeadas para o exercício de funções públicas sem pertencer ao quadro de funcionários da União, os famosos DAS. Por que não propor no Congresso algo nesta direção? Isso não acabaria com a corrupção, que pode ser feita por funcionários, empresários ou dirigentes desonestos. Mas, pelo menos, resguardaria os partidos e o Congresso do cheiro de podridão que a sociedade não agüenta mais e atribui só a eles e seus apadrinhados os malefícios do Executivo.

18/07/2011

às 18:08 \ Sanatório Geral

Sim, senhora

“Temos autonomia e independência. O Executivo não pode realizar nada no País que não tenha o aval do Legislativo”.

Marco Maia, presidente da Câmara, esclarecendo que foi para mostrar a independência do Legislativo que a Casa passou todo o primeiro semestre sem votar sequer uma pauta que não tivesse sido imposta pelo Executivo.

11/06/2011

às 8:48 \ Sanatório Geral

Sempre pode piorar

“A interlocução é muito cortada, as coisas não estão fluindo. Falta diálogo, não somos recebidos em audiências, sentimos um certo autoritarismo do Executivo”.

Marcelo Castro, deputado federal da base alugada, setor PMDB, guichê do Piauí, horas antes de saber que a partir de segunda-feira vai dialogar com Ideli Salvatti e ser recebido em audiência por um berreiro à procura de uma ideia.

08/06/2011

às 20:40 \ Sanatório Geral

A serviço da pátria

“A relação republicana entre Executivo e Legislativo será necessariamente de tensão. Todas as criticas do Legislativo visam um objetivo comum que é desenvolvimento do país”.

Nelson Jobim, ministro do PMDB e da Defesa, nessa ordem, explicando que a base alugada vive pedindo empregos e verbas porque, em nome dos interesses do país, faz questão de colaborar na luta contra o desemprego e a pobreza.

02/06/2011

às 17:58 \ Sanatório Geral

A última do neurônio

“O governo não é o Executivo apenas”.

Dilma Rousseff, revelando a principal descoberta do neurônio solitário em cinco meses de governo.

28/05/2011

às 0:38 \ Sanatório Geral

Vice de dois

“É um reforço, sem dúvida nenhuma. É uma voz autorizada como outras que passaram pelo Executivo nacional”.

Michel Temer, sobre a reaparição de Lula em Brasília, tentando disfarçar a desconfiança de que, quando Dilma Rousseff viajar para fora do Brasil, o antecessor vai acampar no gabinete presidencial.

08/03/2011

às 23:23 \ Sanatório Geral

É grave a crise

“Quem vem do Executivo sente o freio. É como trocar um jato por um jegue. É o melhor lugar do mundo para quem não quer fazer nada”.

Wellington Dias, ex-governador e senador em primeiro mandato, revelando que a administração estadual do Piauí funciona muito melhor que o Congresso.

05/03/2011

às 2:02 \ Sanatório Geral

Zero à esquerda

“Nossa folha tem mais de um milhão de funcionários. Mil significa zero vírgula zero zero zero”.

Guido Mantega, ministro da Fazenda, zero em matemática, zero em economia e zero em seriedade, como confirma a frase sobre a criação de mais mil empregos na Previdência Social.

18/12/2009

às 18:03 \ Direto ao Ponto

O censor suspendeu o serviço

O empresário Fernando Sarney, filho de José, divulgou nesta tarde a seguinte Nota à Imprensa:

“Encaminhei à Justiça de Brasília desistência da ação que movo contra o Jornal O Estado de São Paulo. A ação foi necessária para defesa de meus direitos individuais protegidos pela Constituição e sob tutela do segredo de Justiça, reconhecidos pelo Supremo Tribunal Federal. Infelizmente este meu gesto individual de cidadão teve, independente de minha vontade, interpretação equívoca de restringir a liberdade de imprensa, o que jamais poderia ser meu objetivo. Para reafirmar esta minha convicção e jamais restar qualquer dúvida sobre ela, resolvi tomar esta atitude, considerando que a Liberdade de Imprensa é um patrimônio da democracia e que jamais tive desejo de fazer qualquer censura a seu exercício”.

É bom saber que, depois de 140 dias sob censura, o Estadão está livre da mordaça intolerável. É péssimo constatar que o fim do silêncio não foi decretado pela sensatez do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, nem pela sabedoria do Supremo Tribunal Federal, mas pela esperteza do primogênito do presidente do Senado. Em parceria com o desembargador amigo Dácio Vieira, Fernando Sarney impôs a censura quando quis. Resolveu agora suspender o serviço porque quer.

Socorrida pelo tribunal de Brasília com a censura providencial, homenageada pelo Supremo com a ratificação da infâmia, a família Sarney teve quase cinco meses para a queima de arquivos, a busca de álibis, o desmonte de armadilhas, o extermínio de pistas e a eliminação de provas e evidências. Ajeitadas as coisas, o principal executivo do bando restituiu ao jornal o direito criminosamente confiscado. “Infelizmente, este meu gesto individual de cidadão teve, independente de minha vontade, a interpretação equívoca de restringir a liberdade de imprensa”, avisa um dos melhores momentos da nota.

O estilo trôpego e a semântica diversionista informam que o pai ditou o texto. ”Gesto individual” foi a expressão escolhida para reiterar que Madre Superiora não teve nada a ver com o pecado. A nota também diz, em linguagem retorcida, que foi um equívoco achar que quem censura um jornal quer censurar um jornal. Fernando Sarney reitera que só queria defender seus direitos. A argumentação malandra, avalizada pelo silêncio dos cafajestes, teve o endosso explícito de seis ministros do STF

Outros três subscreveram a verdade resumida por Celso de Mello: ”A censura prévia é discriminatória, além de arbitrária e inconstitucional”.  A família Sarney é esperta. Ouviu primeiro a voz indignada do Brasil que presta, ignorada pelo Executivo, pelo Legislativo e pelo Judiciário.

15/12/2009

às 16:21 \ Sanatório Geral

Toptoptop seletivo

“Não posso comentar um assunto que não é do Executivo. Trata-se de um tema do Judiciário”.

Marco Aurélio Garcia, Homem sem Visão de Dezembro, ao explicar por que prefere não abrir a boca sobre a censura imposta ao Estadão pelo juiz do Sarney e ratificada pelo Supremo Tribunal Federal, dois anos depois de ter comentado com o mais obsceno toptoptop da história a notícia sobre o acidente com o avião da TAM em  Congonhas.


 

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