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debate

11/10/2011

às 22:44 \ Sanatório Geral

Censora sob censura

“O mérito do debate não foi feito. As pessoas podem concordar ou discordar da nossa opinião. Ao invés disso, optaram por um viés de discussão se é ou não censura. Eu, na verdade, me senti censurada.”

Iriny Lopes, ministra-chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres, explicando que se considera censurada por não ter conseguido censurar o comercial da Hope estrelado por Gisele Bündchen.

27/08/2011

às 7:33 \ Sanatório Geral

Essa é do ramo

“Sem debate, é impossível fazer aprovação aqui. É melhor um bom acordo do que uma queda de braço”.

Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais, um berreiro à procura de uma ideia, ensinando que é melhor reajustar o contrato de aluguel em reuniões clandestinas do que cair em bate-bocas que só facilitam o trabalho da polícia.

12/05/2011

às 18:57 \ História em Imagens

É isto ou aquilo?

(Foto: J. F. Diório/AE)

Com as mãos cobrindo o rosto, a ministra Ana de Hollanda deixa a Assembleia Legislativa de São Paulo, depois de um debate com representantes do setor cultural. Alguns afirmam que ela não quer ver. Outros juram que não quer ser vista.

19/04/2011

às 19:37 \ Direto ao Ponto

Ouça o desafio de FHC: ‘Já disse que, se Lula quiser debater comigo, estou aberto’

“Eu topo”, diz Fernando Henrique Cardoso aos 7 minutos da entrevista concedida ao programa Começando o Dia, da Rádio Cultura FM. Depois de confirmar ao jornalista Alexandre Machado que não teme nenhum tipo de disputa com Lula, o ex-presidente reiterou o desafio para o duelo que o palanqueiro compulsivo evita desde 8 de fevereiro de 2010.  ”Já disse que se ele quiser discutir comigo, debater, estou aberto. E não é porque eu tenha estudado, não. Acho lamentável que um ex-presidente da República, o tempo todo, faça a pregação da ignorância. É patético”.

Ouvir a entrevista faz muito bem sobretudo a aparelhos auditivos atormentados por discurseiras ininteligíveis, toscas, desconexas ou simplesmente idiotas. Sem uma única agressão à língua portuguesa, FHC desmoraliza palavrórios amparados na má-fé, prega o combate à corrupção, mantém Lula permanentemente grogue, leva o PT às cordas e localiza os nervos expostos que o governo tenta esconder. Um deles:  ”A população vive, no dia a dia, sufocada. A inflação já começou a pegar. E nós estamos discutindo o sexo dos anjos”.

Clique aqui para escutar a entrevista na íntegra

17/04/2011

às 9:17 \ Direto ao Ponto

FHC anima o adversário desleal: ‘Lula não precisa mais ter complexos. Virou doutor’

Indolente demais para ler ao menos o trecho que inspiraria seu comentário obtuso, Lula foi logo despejando a discurseira de palanque sobre o esplêndido ensaio em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso analisou o papel da oposição. “Agora tem um presidente que diz que precisa não ficar atrás do povão, esquecer o povão”, mentiu, sempre sem coragem para mencionar o nome ou a sigla do inimigo. “Eu sinceramente não sei como é que alguém estuda tanto e depois quer esquecer do povão”.

Foi prontamente silenciado pelo troco de FHC: “Ora, eu venci duas eleições com o voto desse povão. E no primeiro turno, e contra o Lula. Agora, temos de ter uma estratégia para esses novos setores, mais sensíveis. Temos de fincar o pé na internet e nas redes sociais”. O contragolpe bastou para que o camelô de si mesmo resolvesse tratar de outros assuntos em mau português. Ainda grogue, nem pressentiu a aproximação do gancho no fígado desferido por FHC neste domingo na coluna Painel, da Folha de S. Paulo.

“Se Lula fosse um adversário leal, saberia reconhecer que não desprezo o povão”, disse Fernando Henrique à jornalista Renata Lo Prete. “Sou contra o que ele fez com o povo: cooptar movimentos sociais; enganar os mais carentes e menos informados, trocando votos por benefícios de governo; transformar direitos do cidadão em moeda clientelista. Quero que o PSDB, sem esquecer nem excluir ninguém, se aproxime das pessoas que não caíram da rede do neoclientelismo petista”.

Então sobreveio o direto na testa: “Desejo que Lula, que esqueceu as antiquadas posições contra as privatizações, continue usufruindo das oportunidades que as empresas multinacionais lhe oferecem, como agora em Londres. E desejo, principalmente, que Lula termine com a lengalenga contra ler muito e ter graus universitários, pois não precisa mais ter complexos. Virou doutor”.

É por coisas assim que Lula foge de um embate frontal com FHC como foge o diabo da cruz. Imaginem um diálogo desses transmitido ao vivo pela televisão. Seria uma versão dramaticamente ampliada da cena da campanha eleitoral de 1994 documentada pelo vídeo abaixo, que escancarou em menos de um minuto o abismo que separa um caçador de votos de um homem de Estado.

Embora compreenda o que leva um dos contendores a esquivar-se do debate, a coluna repete o fecho do texto sobre o duelo destinado a mostrar qual dos dois ex-presidentes diz a verdade: coragem, Lula.

14/04/2011

às 16:02 \ Direto ao Ponto

Lula comenta o que não leu, FHC dá o troco e a coluna reapresenta o convite para um debate ao vivo entre os ex-presidentes

Como nunca leu nada, é compreensível que Lula nem tenha tentado empreender a travessia das 5.481 palavras do texto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o papel da oposição. Como abre a boca sobre tudo que lhe parece eleitoralmente lucrativo, era previsível que o palanqueiro ambulante dissesse alguma coisa sobre o brilhante ensaio de FHC. Mas de longe, e sem mencionar expressamente o nome ou a sigla do homem que está para o SuperLula como a kriptonita verde para o Super-Homem.

“Sinceramente não sei como alguém estuda tanto e depois quer esquecer o povão”, derrapou Lula em Londres. “O povão é a razão de ser do Brasil. E do povão fazem parte a classe média, a classe rica, os mais pobres, porque todos são brasileiros”. Deveria ter ficado quieto. “Ora, eu venci duas eleições com o voto desse povão. E no primeiro turno, e contra o Lula”, deu o troco FHC. “Agora, temos de ter uma estratégia para esses novos setores, mais sensíveis. Temos de fincar o pé na internet e nas redes sociais”.

O ex-presidente aproveitou a chance para mais uma aula endereçada a oposicionistas trapalhões. “É de doer que políticos da oposição deixem de lado o conjunto dos argumentos e das propostas que fiz no artigo e, antes de o lerem, façam coro ao petismo, colocando-me como um insensato que despreza o voto das parcelas mais desfavorecidas da população”, replicou Fernando Henrique. “Fariam melhor se lessem com mais calma o que escrevi”. É o que devem fazer imediatamente, demorando-se ao menos 10 segundos no lembrete feito já no segundo parágrafo: “Cabe às oposições, como é óbvio e quase ridículo de escrever, se oporem ao governo”.

Nas linhas seguintes, mais afinado do que nunca com a resistência democrática que age à margem dos partidos e do Congresso, FHC ensina que “o PT e o governo dispõem de poderosos meios em amplos setores das camadas pobres, mas cooptadas por movimentos sociais”. E ressalva: “Também existe, é claro, um povão na nova classe média” ─ surgida, aliás, de programas sociais concebidos em seus dois mandatos. Lembra que há um legado valioso a defender e desfralda bandeiras atualíssimas. Traça com extraordinária lucidez, enfim, os caminhos que a oposição deve percorrer para “chegar aos ouvidos do povo”.

Quanto a Lula, chegou a hora de encerrar a desconversa, engavetar pretextos e desculpas, domar a insegurança, enjaular o medo e topar o convite, agora reiterado formalmente por esta coluna, para um debate com FHC. Só os dois, além do mediador escolhido de comum acordo. O site de VEJA está pronto para a transmissão ao vivo. Várias emissoras de TV também têm interesse em participar da divulgação do duelo democrático. Fernando Henrique acaba de repetir que aceita. Só falta o sim do adversário.

Coragem, Lula.

13/04/2011

às 14:42 \ Sanatório Geral

A serviço da nação (34)

“Em função do debate que houve, não requeri os pagamentos das passagens e das diárias a que teria direito. Vou fazer toda a viagem às minhas expensas, pagando todas as despesas”.

Marco Maia, presidente da Câmara, informando que foi por estar tudo em conformidade com a lei, a moral e os bons costumes que desistiu de torrar dinheiro público na viagem à Espanha com o filho de 13 anos, onde prestará serviços à pátria no meio da plateia do jogo entre o Real Madrid e o Barcelona.

17/03/2011

às 0:03 \ Sanatório Geral

Madre contestada

“O senador Sarney deve ter feito essa proposta no calor de algum debate”.

Marco Maia, presidente da Câmara, sobre a proposta, apresentada por José Sarney, que dispensa da apreciação pela Câmara medidas provisórias aprovadas pelo Senado, começando a desconfiar de que, aos 80 anos, Madre Superiora merece a imediata aposentadoria.

08/11/2010

às 22:09 \ Direto ao Ponto

Ministro trucida o Enem e desmoraliza o palavrório eleitoreiro de Dilma Rousseff

Em 18 de agosto, durante o debate entre os candidatos à Presidência promovido pela Folha e pelo  UOL, Dilma Rousseff irritou-se com as críticas de José Serra ao bisonho desempenho do Ministério da Educação na condução do Exame Nacional do Ensino Médio. E resumiu a indignação numa frase:

Acho um absurdo um candidato à Presidência vir aqui dizer que o Enem está desmoralizado”.

Em 15 de outubro, Dia do Professor, Dilma voltou ao tema em Belo Horizonte. A irritação com Serra não amainara, informam três trechos do falatório:

“Serra não gosta do Enem porque é o caminho acertado por todas as universidades federais e é pré-condição para o ProUni. Houve um crime contra o Enem. Ele quer acabar com o Enem para que a gente não tenha o ProUni”.

“O partido do vice do candidato do PSDB chegou a entrar na justiça contra o Enem, o que poderia comprometer 700 mil estudantes no Brasil. Dizer que o Enem tem uso eleitoreiro é desconsiderar o papel que ele teve nestes anos todos”.

“Estão absolutamente incorretas as afirmações do candidato Serra contra o Enem, que tem sido o caminho pelo qual nós selecionamos as pessoas que vão fazer o ProUni”.

Em 17 de outubro, no debate na RedeTV!, a candidata do PT elogiou o ministro Fernando Haddad e fustigou novamente o inimigo:

“Quando se fala em vazamento é necessário que se perceba que o crime está sendo investigado. O Enem tem sido essencial como uma forma de controle da qualidade do ensino e é pré-condição para o ProUni. Atacar o Enem é uma forma indireta de atacar o ProUni”.

Em 3 de novembro, Dilma Rousseff revelou as duas prioridades do futuro governo: saúde e segurança pública. E a educação? “Está muito bem encaminhada”, resumiu a presidente eleita. Além de transformar o Enem num caso exemplar de sucesso, o ministro botara ordem na casa inteira. “Eu acho que o Haddad deve continuar”, decidiu Lula na mesma quarta-feira. E o administrador admirável foi dormir com o emprego garantido.

Começou a perdê-lo no dia seguinte, com a divulgação do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. No ranking da educação, o Brasil ocupa um modestíssimo 102° lugar. Ao longo da quinta-feira, Haddad tentou atribuir a performance lastimável à mudança dos critérios usados pelos organizadores do levantamento. E decerto acreditou que recuperaria os pontos perdidos no fim de semana, com as duas etapas do Enem.

Deu tudo errado. Troca de cabeçalho, erros de digitação, informações equivocadas, vazamentos, questões com números duplicados ─ houve um pouco de tudo na comédia de péssimo gosto que reduziu o Enem a outro caso de polícia. Mais de 3 milhões de inscritos ainda não sabem se as provas serão anuladas ou não. O que se sabe é que nem Lula conseguirá manter o ministro no cargo em 2011.

Dilma Rousseff não deu um pio sobre o assombroso espetáculo da incompetência. Ainda bem que a campanha eleitoral acabou em outubro. Se não tivesse terminado, estaria proibida de acusar José Serra de querer destruir o Enem. Fernando Haddad já conseguiu.

07/11/2010

às 20:31 \ Baú de Presidentes

Celso Arnaldo comenta o grande momento do debate entre Jânio e Franco Montoro

O comentário do Homem Americano (15:02 de 5/11) serviu de inspiração para mais um ótimo texto do jornalista Celso Arnaldo Araújo. Acabou sobrando para Dilma Rousseff. Não percam:

Tal diálogo entre Jânio e Montoro no debate da TV Record, que o senhor reconstitui confiando em sua memória, já foi reproduzido nesta coluna, na seção Baú de Presidentes, mais de uma vez, no vídeo original.

E é este, literalmente:

Montoro – Eu gostaria que o presidente refutasse esta afirmação de Clemente Mariani ou negasse a afirmação de Clemente Mariani

Jânio – Eu não posso refutá-la nem negá-la. Onde se encontra escrita essa informação?

– Está aqui o livro

– Muito bem

– Está aqui o livro. Página 304. Depoimento…

– O livro, de quem é?

– Depoimento de Carlos Lacerda…

– Ah, sei. Está dispensado da citação.

– Não, mas é…

– Está dispensado da citação…

– O fato ele cita…

– … porque o senhor acaba de querer citar as escrituras valendo-se de Asmodeus ou de Satanás. Não quero ouvi-la.

Na sequência, que não está no vídeo, Jânio define Lacerda como “inimigo figadal meu e do povo brasileiro”. Mas ficou por aí.

Não o culpo, Homem Americano, pela transcrição infiel. Jânio era irreproduzível de memória – para transcrever sua fala no papel, e fiz isso inúmeras vezes após entrevistas com ele, era obrigatório ouvir a fita, e ouvi-la de novo, reproduzindo-a com absoluta fidelidade.

Nunca havia uma pausa, uma elipse, um conceito fora do lugar onde deveriam estar. Transcrita desse modo, a fala transformava-se num texto escrito, sem necessidade de reparo ou adaptação. A boutade sobre Asmodeus e Satanás é exemplo de sua genialidade. Nenhum político brasileiro seria capaz de um repente desses.

Dilma é absolutamente o inverso de Jânio: o que ela fala não se escreve. Transcrevendo qualquer fala de Dilma numa redação da prova do ENEM, um candidato seria sumariamente desclassificado pelos examinadores, mesmo que acertasse todas as questões de múltipla escolha.


 

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