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Wikileaks revela acordo que propõe troca de informações financeiras entre países

Os 50 países signatários do TISA também estudavam, segundo a organização, derrubar a regulação financeira nos mercados que aceitassem os termos do acordo

O Wikileaks divulgou nesta sexta-feira documentos sobre supostas negociações secretas internacionais envolvendo transações financeiras e uma intenção de cinquenta países de promover a desregulamentação dos mercados. O Acordo sobre Serviços de Transações (Trade in Services Agreement, ou TISA, na sigla em inglês) tem como principais proponentes e autores a União Europeia e os Estados Unidos, aponta a organização do australiano Julian Assange.

O TISA deveria ser mantido em segredo durante as negociações entre os países e também cinco anos após entrar em funcionamento. O acordo permitiria também a troca de informações financeiras entre os signatários. Segundo o Wikileaks, o anexo da proposta que tem como título ‘Financial Services Annex‘ determina regras que podem permitir a expansão financeira das multinacionais – sobretudo as que têm sede em Nova Iorque, Londres, Paris e Frankfurt – para outros pontos do mundo “evitando as barreiras da regulação”.

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De acordo com o Wikileaks, as negociações decorrem atualmente à margem do Acordo Geral sobre Transação de Serviços (GATS) e da Organização Mundial de Comércio (OMC). Contudo, suas regras estariam sendo mudadas para que o texto seja compatível com o GATS e, futuramente, venha a ser assinado pelos países signatários da OMC. Segundo a organização, os países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) estão fora do acordo. A próxima reunião dos 50 signatários está marcada para segunda-feira e deve prolongar-se até ao dia 27, em Genebra, na Suíça.

Os signatários do TISA são: Austrália, Canadá, Chile, Taiwan, Colômbia, Costa Rica, Hong Kong, Islândia, Israel, Japão, Liechtenstein, México, Nova Zelândia, Noruega, Paquistão, Panamá, Paraguai, Peru, Coreia do Sul, Suíça, Turquia, Estados Unidos e ainda os países da União Europeia.

Ainda segundo os documentos divulgados nesta sexta, a China e o Uruguai já demonstraram interesse em participar nas negociações, mas até o momento não foram incluídos.