Uma ilha de excelência: por que Vitória é a melhor cidade do Brasil
O município é o grande vencedora da 1ª edição do ranking As Melhores Cidades do Brasil, elaborado por VEJA Negócios e Austin Rating
No geral, viver nas grandes cidades brasileiras significa enfrentar graves e recorrentes problemas que vão da má qualidade dos serviços públicos à violência, passando pela falta de oportunidades de crescimento individual. Nos últimos anos, porém, Vitória, no Espírito Santo, tem provado que é possível conciliar o desenvolvimento econômico com a melhora do bem-estar geral dos moradores. Um conjunto de atributos positivos foi determinante para que a capital capixaba se sagrasse a vencedora geral da primeira edição do ranking As Melhores Cidades do Brasil de VEJA NEGÓCIOS, elaborado em parceria com a Austin Rating — uma das mais respeitadas agências de crédito do país —, que desenvolveu uma metodologia exclusiva para este levantamento.
Vitória conquistou ainda o título de campeã entre os municípios de grande porte. Quem vive lá não tem do que reclamar. “É uma cidade completa para quem busca qualidade de vida e oportunidades de negócio”, afirma Aridelmo Teixeira, ex-secretário municipal da Fazenda e fundador da escola de negócios Fucape. “Quando o mercado financeiro vier em peso para cá, seremos a Nova York brasileira.”
Um trunfo para se destacar de outras cidades é a boa gestão dos recursos públicos. Segundo o Índice Firjan de Gestão Fiscal, que acompanha a evolução das finanças de estados e municípios, a prefeitura de Vitória conta com, no mínimo, 12% do orçamento anual para investir em áreas sensíveis à população, como ensino, saúde e segurança. “Com isso, a taxa de investimento se torna um importante indicador da competitividade da economia local e do bem-estar dos cidadãos”, diz Nayara Freire, economista da Firjan. Nem sempre foi assim. Desde que assumiu como prefeito de Vitória, em 2021, Lorenzo Pazolini (Republicanos) promoveu um choque na administração. Eliminou metade dos 700 cargos de confiança então existentes e renegociou contratos com fornecedores, entre outras medidas. Com isso, elevou a verba disponível para investimentos, que somava apenas 6 milhões de reais ao ser empossado. “Traçamos um plano para investir 1 bilhão de reais na cidade”, diz Pazolini. “Já superamos essa marca e agora miramos os 2 bilhões.” O desempenho lhe garantiu a reeleição no ano passado em primeiro turno, com 56% dos votos válidos.
O dinheiro em caixa financia projetos como o Vitória de Frente para o Mar, que está modernizando toda a orla da ilha com a construção de ciclovias, calçadões, deques e estacionamentos, a fim de atrair a população para atividades à beira-mar. Para que todos possam usufruir da nova infraestrutura de lazer, Vitória está se transformando em uma “cidade de 15 minutos”, um conceito urbanístico que privilegia deslocamentos curtos e rápidos entre pontos da mancha urbana. Com mais gente circulando, a segurança foi reforçada. O número de câmeras de vigilância instaladas cresceu de apenas 34 para 1 128 nos últimos quatro anos. A taxa de homicídios — 16,4 por 100 000 habitantes — é uma das menores do país. Em outubro, festejou-se a marca de mais de 500 dias sem casos de feminicídio na cidade.
A boa qualidade do ensino passa pelo contato com a tecnologia, como o uso de tablets em sala de aula desde cedo. Essa familiaridade estimula o surgimento e a expansão de negócios focados na economia digital. Diversas incubadoras de empresas auxiliam os empreendedores a tirar suas ideias do papel, testar modelos de negócios e escalá-los. “A cidade permite que todos desenvolvam seus projetos com o apoio público, inclusive com a injeção de capital”, diz Rafael Lima, diretor-executivo da TecVitória, a primeira incubadora da cidade. Seu maior caso de sucesso é a PicPay, startup que se transformou em um respeitado competidor no mercado de meios de pagamento. Atualmente, 36 projetos estão incubados no local, como uma tela de LED capaz de se desinfetar sozinha — algo que pode interessar de redes de fast-food a clínicas e hospitais. Outra iniciativa é o Laboratório Urbano Vivo, mantido pela prefeitura. Por meio de editais de fomento à pesquisa, as empresas interessadas são convidadas a propor soluções inovadoras para problemas concretos da cidade, tais como a preservação ambiental e a ampliação do acesso dos cidadãos a serviços públicos digitalizados. Os melhores projetos são apoiados com até 100 000 reais.
Com dinheiro em caixa, Vitória também tem um programa de assistência social para chamar de seu: o VIX+Cidadania, lançado em 2022 e que beneficia quase 4 000 pessoas com pouco mais de 100 reais por mês para gastos com alimentos e higiene pessoal. As compras, no entanto, só podem ser feitas nos estabelecimentos comerciais credenciados pela prefeitura. O estímulo ao empreendedorismo, o controle dos gastos públicos, os investimentos municipais e a rede de amparo social contribuem para que o índice de desenvolvimento humano de Vitória esteja entre os maiores do Brasil: 0,89, ante os 0,79 da média nacional. Cercada pelo Oceano Atlântico e pelo estuário onde deságuam quatro rios, Vitória se tornou uma ilha de excelência em meio às dificuldades que castigam muitos dos mais de 5 500 municípios do país. Com tantas credenciais, dá mesmo para sonhar em se tornar uma Nova York tropical.
Publicado em VEJA, novembro de 2025, edição VEJA Negócios nº 20
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