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Seis toneladas de leite em pó contaminado são queimadas no RS

Dos 318 mil litros de leite cru apreendidos em operação no início do mês, em 28 mil foram encontrados formol e ureia

Os fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) queimaram na segunda-feira 6,2 toneladas de leite em pó contaminado em Taquara (RS). A operação é uma extensão da apreensão realizada no início do mês que encontrou um esquema de adulteração de leite no Rio Grande do Sul. De acordo com a Agência Brasil, dos 318 mil litros de leite cru apreendidos na operação, em 28 mil foram encontrados ureia e formol, comprovando a adulteração.

O produto era oriundo de dois entrepostos interditados no último dia 8 pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul e pelo Ministério da Agricultura. Os problemas foram detectados em 7,5 mil litros da empresa Líder Alimentos, em Crissiumal (RS), e de 20,8 mil litros da Marasca, que fica em Selbach (RS).

Para a realização dos testes, o leite cru foi transformado em leite em pó e, assim que confirmada a adulteração ou contaminação, o produto foi encaminhado para incineração – procedimento normal em casos como esse. Um litro de leite em pó precisa de aproximadamente dez litros de leite cru para sua fabricação. A Superintendência Federal de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul ainda aguarda os resultados das demais análises de leite apreendido para definir o destino dos outros lotes.

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De acordo com a Agência Brasil, o Ministério da Agricultura vai se reunir na quarta-feira com representantes da cadeia produtiva do leite para sugerir mudanças na relação das indústrias de laticínios com as transportadoras. A proposta do Mapa será de uma modificação na forma de pagamento dessas empresas de transporte: ao invés de o preço basear-se em volume transportado, os laticínios poderiam pagar pela distância percorrida. A medida é importante porque o tema é tratado no âmbito comercial, que foge da legislação referente à inspeção sanitária.

O ministério também estuda novos parâmetros que poderia adotar para analisar a quantidade de ureia no leite, uma vez que a substância faz parte da composição natural do produto. A intenção é aprimorar o sistema de inspeção do Programa Nacional de Combate à Fraude no Leite.

No início do mês, algumas empresas do Rio Grande do Sul foram interditadas após a constatação de que empresas de transporte modificavam seus produtos antes do envase, tais como Italac, Mumu, Líder, Latvida, Goolac, Hollmann e Só Milk, sendo as últimas três fabricadas também pela VRS Indústria de Laticínios – a mesma da Latvida.