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Rendimento da dívida da Espanha sobe e temor aumenta

MADRI/LISBOA, 4 Abr (Reuters) – Os custos de empréstimos da Espanha saltaram em um leilão de títulos nesta quarta-feira, provocando temores em mercados europeus sobre um retorno da crise da dívida da zona do euro e ofuscando uma medida de sucesso de Portugal.

A Espanha vendeu 2,6 bilhões de euros em papéis de médio prazo, na ponta inferior de sua meta, sendo que um título com vencimento em 2020 registrou rendimento médio de 5,338 por cento, contra 5,156 por cento em setembro. Analistas esperavam 5,2 por cento.

O rendimento médio de um título com vencimento em 2015 foi de 2,890 por cento, ante 2,440 por cento quando foi vendido em 15 de março, mas abaixo da expectativa de analistas de cerca de 3,1 por cento.

Entretanto, um título para 2016 teve rendimento de 4,319 por cento, após 3,376 por cento há um mês e ante expectativa de 3,95 por cento.

As preocupações de que a Espanha terá dificuldades para atingir as metas de déficit e para reparar seus bancos devido à fraca economia prejudicaram seus planos de emissão de dívida e alimentaram os temores de que o país possa ser forçado a imitar a Grécia, Irlanda e Portugal e buscar um resgate.

O ministro da Economia, Luis de Guindos, admitiu em entrevista à Reuters que a crença de que Madri pode não conseguir controlar suas finanças é o maior risco que a economia enfrenta.

O governo está totalmente comprometido a reduzir o déficit público para 5,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e para o teto da União Europeia (UE) de 3 por cento em 2013, disse ele.

“O principal efeito negativo, o principal risco para a economia espanhola, é a percepção de que as contas públicas não são sustentáveis…O compromisso de 5,3 por cento é muito importante, mas o compromisso de 3 por cento é muito, muito importante”, afirmou.

Os prêmios de risco espanhóis saltaram desde que o primeiro-ministro, Mariano Rajoy, desafiou a Europa em março ao afrouxar unilateralmente a meta de déficit para 2012. Um plano de economia de 27 bilhões de euros para cortar 3,2 pontos porcentuais do déficit deste ano fez pouco para acalmar os nervos.

NERVOSISMO

O custo de segurar a dívida espanhola e italiana contra default subiu. Os rendimentos espanhóis avançaram no mercado secundário, onde o título de 10 anos subiu cerca de 25 pontos-base para perto de 5,7 por cento.

“Os mercados estão pedindo a esses governos para apresentar resultados”, disse o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi. Sem destacar a Espanha, ele afirmou que investidores estão impressionados com as reformas econômicas estruturais e a consolidação fiscal lançada em vários países, mas o trabalho ainda precisa ser finalizado.

De Guindos disse que os rendimentos são um reflexo dos nervos dos investidores sobre uma possível recessão europeia.

“A principal fonte de nervosismo é a ideia, que a cada dia é mais disseminada e tem mais fundamentos, de que veremos uma recessão na Europa neste ano, não apenas nos países do sul”, disse ele.

PORTUGAL TESTA MERCADO

Portugal vendeu 1 bilhão de euros em notas do Tesouro de 18 meses, seu título de prazo mais longo desde que a UE e o Fundo Monetário Internacional (FMI) resgataram o país. O rendimento é de 4,537 por cento, contra 5,993 por cento pouco antes do resgate.

O leilão, que o ministro das Finanças, Vitor Gaspar, classificou de “aposta de sucesso”, encorajou investidores, mas não conseguiu eliminar as dúvidas sobre se Lisboa conseguirá se financiar no mercado de dívidas comerciais a partir do segundo semestre de 2013, conforme prevê seu acordo de resgate.

(Reportagem de Nigel Davies e Andrei Khalip, com Paul Day e Julien Toyer em Madri, Ana Nicolaci da Costa em Londres, Alberto Sisto em Milão, e Eva Kuehnen em Frankfurt)